Você está aqui: Entrada / ÁREAS PROTEGIDAS / Parques Naturais / Parque Natural da Arrábida / Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima
Geologia, hidrologia e clima do Parque Natural da Arrábida.
Costa da Arrabida e estuário do Sado Cristina Girão Vieira
Costa da Arrábida (® Cristina Girão Vieira).
 

Geologia

Mata Coberta
Mata Coberta (® A. Muxagata)

A Arrábida é, no seu conjunto, excecional pela diversidade de processos geológicos que nela se encontram registados para a compreensão e conhecimento de etapas fundamentais da história da Terra, nomeadamente no testemunho em sucessão contínua das quatro fases de rifting que levaram à fragmentação da Laurásia e à formação do Atlântico norte. A Arrábida é a única cadeia na fachada atlântica que testemunha a propagação para oeste do fecho progressivo do oceano de Tétis e consequente formação do Mar Mediterrâneo, devido à colisão entre as placas de África e da Eurásia, desde o Cretácico Superior.

A discordância do Portinho da Arrábida como testemunho da primeira fase de inversão tectónica da Margem Ocidental Ibérica (MOI), a falha de El Carmen, o afloramento da falha sin-sedimentar da Figueirinha, os Conglomerados do Alto da Califórnia e a Brecha da Arrábida (tipo litológico único no mundo) são outros exemplos de fenómenos geológicos de extrema relevância do ponto de vista científico e patrimonial.

A Arrábida apresenta centenas de cavidades cársicas, das quais se destaca a Gruta do Frade pela sua raridade, singularidade, diversidade e beleza dos espeleotemas que apresenta.

Do ponto de vista paleontológico, na Arrábida existem diversas jazidas fósseis e pistas de dinossáurio mundialmente relevantes do ponto de vista científico (designadamente no que diz respeito à evidenciação do comportamento gregário de saurópedes), com a particularidade única de estarem associadas ao património cultural material e imaterial do cabo Espichel.

Hidrologia

PNArr -  Alambre ribeira Cristina Girão Vieira
Ribeira no Alambre (® Cristina Girão Vieira).

Como é característica das regiões cuja geologia é predominantemente constituída por calcário, a hidrografia apresenta aspetos específicos desse tipo de constituição, tais como a não perenidade e exiguidade dos cursos de água.

As linhas de água da Arrábida podem agrupar-se em dois tipos principais:

  • as torrentes propriamente ditas, em que apenas existe água no inverno; e
  • as ribeiras que escoam água durante a maior parte do ano.

 As primeiras têm leito irregular e o seu caudal aumenta bastante no inverno, provocando grande erosão e acarretando enorme perda de materiais. As segundas têm um curso mais longo e mais estável.

Hidrograficamente a área do Parque é dividida em duas grandes áreas de drenagem, contendo cada qual, várias bacias hidrográficas com determinada orientação, drenando ou para a zona NW e N do parque ou para a zona S e E do mesmo.

Os principais cursos de água no Parque Natural da Arrábida localizam-se na sua maioria na parte este, entre Setúbal, Palmela e o vale dos Picheleiros.

A ribeira da Ajuda é o curso de água de maior caudal da cadeia arrábica, resulta da junção das Ribeiras de Alcube e do Picheleiro e ainda tem a contribuição das Ribeiras do Almelão e Pomarinho. A sua bacia hidrográfica abrange os Vales de Picheleiro, Alcube e Ajuda, as encostas a W e S da serra de S. Luís e as encostas a W do Nico e Viso.

Temos ainda a ribeira de Melra, do Vale de Cavalo e de Mareta. Outros cursos de água, como sejam a rbeira da Corva, afluente da ribeira de Livramento, ou a ribeira do Calhariz, aflente do rio Coina, alcançam os seus maiores caudais exteriormente ao Parque.

De todas as linhas de água referidas, interior da área do Parque, apenas a ribeira da Ajuda conserva corrente durante alguns meses, ou mesmo durante quase todo o ano. Em grande parte da Península de Setúbal, em que o Parque se insere, a infiltração profunda excede largamente o escoamento superficial.

Assim, se em termos de recursos hídricos superficiais é fácil inferir a pobreza da Península de Setúbal e área do Parque, já não se passa o mesmo em relação aos recursos hídricos subterrâneos relativamente aos quais a sua abundância se encontra comprovada.

 Clima

PNAr1
Serra da Arrábida com nevoeiro.
 
A Arrábida apresenta acentuadas características mediterrânicas, traduzindo-se este em duas estações extremas:
  • o verão quente e seco chegando a atingir temperaturas com valores aproximados às temperaturas das regiões tropicais, com períodos de seca prolongados que se podem estender por vários meses; e
  • o inverno frio geralmente húmido. Estas são intercaladas com duas estações intermédias, o outono e a primavera.

A proximidade do mar, no caso o oceano Atlântico, é um fator climático de relevante importância dando à região maiores humidades e consequentemente uma maior amenidade nas temperaturas ao longo do ano. Pode-se deste modo afirmar que existe uma influência atlântica sobre a tipicidade mediterrânica que se vai exercer essencialmente ao nível da diminuição da amplitude térmica e do aumento da humidade atmosférica, situação que ocorre desde os meados do outono até meados da primavera. A orientação e consequente exposição do relevo vai também de uma forma bem vincada exercer em conjunto com o que foi anteriormente dito, uma ação amenizadora no tipo de clima da região. 

Finalmente, no que respeita aos fatores climáticos e com base em dados obtidos no posto meteorológico de Setúbal, é importante mencionar a insolação que, nesta região, tem duas fases, uma de luminosidade crescente (janeiro a agosto) e outra de luminosidade decrescente (setembro a dezembro) o que, como facilmente se pode concluir, exerce grande influência a nível da vegetação.

  voltar

Conteúdo relacionado
Contactos Áreas Protegidas
Acções do Documento
classificado em: