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História | Cultura

História | Cultura
Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural da Arrábida.

PNArr - Litoral e Pedra da Anixa
Litoral da Arrábida e Pedra da Anixa. 

Paisagem

A cordilheira da Arrábida é um dos espaços naturais de influência mediterrânica mais belos e significativos. Ao longo das suas montanhas ou através das sombras dos seus vales e picos, o horizonte apresenta-se como uma das mais belas paisagens, onde a serra se constitui como barreira orográfica entre o litoral e o interior, possuindo também vegetação exuberante, de cariz mediterrânico.

Cordilheira da Arrábida Cristina Girão Vieira
Aspeto da cordilheira da Arrábida (® Cristina Girão Vieira).

As arribas litorais são de uma beleza ímpar, por serem uma transição abrupta entre o meio marinho e terrestre apresentando escarpas com importantes particularidades geomórficas, sendo o Risco a escarpa litoral calcária mais elevada da Europa.

As encostas da serra do Louro dão um enquadramento contínuo do Vale de Barris através de uma crista. A serra de S. Luís / Gaiteiros tem uma posição central entre o vale de Barris e de Alcube.

A Chã da Freira proporciona uma vista sobre uma extensa área, cujo coberto vegetal adquire uma variação de tons singular, consoante as estações do ano, em contraste com o verde constante da vegetação que a rodeia. A Comenda possui uma cobertura vegetal de porte arbóreo que se destaca da envolvente.

Atividades humanas

PNArr - vinhas 710-180 pxl
Vinha.

Uma das atividades tradicionais características da zona do Parque é o fabrico do Queijo de Azeitão, que tem um sabor característico e muito apreciado. É produzido nos concelhos de Setúbal, Sesimbra e Palmela e constitui uma denominação de origem protegida de acordo com as normas da União Europeia.

As características particulares do Queijo de Azeitão, estão associadas a fatores ambientais próprios do maciço da Arrábida, como o clima e a natureza calcária do solo.

O Queijo de Azeitão é produzido a partir de leite de ovelha cru, ao qual apenas se junta cardo e sal. As suas características organoléticas muito particulares e apreciadas, estão intimamente ligadas à flora das pastagens da Serra da Arrábida e à utilização de cardo Cynara cardunculus espontânea no sul do país, para a coagulação do leite.

A cultura da vinha praticada desde tempos antigos, devido às condições apropriadas de solo e clima, permite a produção de uma variedade de vinhos muito conceituados.

A casta Moscatel de Setúbal assume grande importância em toda a região, constituindo uma variedade essencial na região de Palmela/Setúbal, associada à produção de vinhos brancos e do vinho generoso comercializado com o mesmo nome.

A Península de Setúbal é uma região pioneira na elaboração de produtos vinícolas de reconhecida qualidade, como é o caso do Moscatel de Setúbal, vinho generoso cuja área produtiva se encontra delimitada desde 1907, não obstante a sua produção ser bastante anterior.

O mel produzido na região, de sabor aveludado e muito característico, tem justa fama devido à riqueza floristica da serra. A abundância de plantas aromáticas como o alecrim Rosmarinus officinalis, a murta Myrtus communis, a esteva Cistus ladanifer, as lavandulas Lavandula spp., o tomilho Thymus vulgaris e o tojo Ulex densus, entre outras, aliada ao caráter temperado dos invernos, oferece boas condições para a apicultura.

O Parque engloba uma importante comunidade piscatória que se dedica à pesca marítima artesanal. Perto de metade desta frota opera com pequenas embarcações de madeira (aiolas) com menos de 5 m de comprimento e dedica-se maioritariamente à pesca com linhas e anzóis e captura de peixe e cefalópodes como o polvo, choco e a lula. A restante frota opera com botes de até 7 m de comprimento que utilizam redes de emalhar na captura de peixe e armadilhas essencialmente para o polvo que constitui o recurso mais capturado no Parque.

 

Património histórico-cultural

PNArr - Creiro ruínas romanas - AS Palma
Ruínas romanas do Creiro no Parque Natural da Arrábida (® Ana Sofia Palma).

O território do Parque Natural da Arrábida foi objeto de uma antiquíssima ocupação humana desde os tempos pré-históricos até aos nossos dias. Os dados arqueológicos disponíveis permitem assinalar as primeiras comunidades humanas desde o Paleolítico Inferior, havendo vestígios que atestam a contínua e organizada utilização deste espaço.

Paleolítico
A cordilheira da Arrábida foi ocupada por pequenos grupos de Homo erectus que se estabeleceram no litoral, principalmente entre o cabo Espichel e Sesimbra, onde instalaram pequenos habitats de curta duração. Nestas praias, ricas em calhaus rolados, terão sido produzidos os primeiros artefactos humanos utilizados na região. As grutas escavadas pelo mar foram igualmente ocupadas por grupos paleolíticos, havendo a assinalar a lapa de Santa Margarida e a gruta da Figueira Brava, localizadas a oeste do Portinho da Arrábida, ambas com vestígios do Paleolítico Inferior (400.000 a 200.000 a.C.).


Neolítico
A necrópole de hipogeus da Quinta do Anjo representa uma sepultura coletiva característica do Neolítico Final e Calcolítico da Estremadura. A necrópole de hipogeus da Quinta do Anjo é constituída por quatro sepulturas de idêntica tipologia escavadas em afloramento calcário localizado no sopé da Pré-Arrábida. Monumento nacional desde 1934, este arqueossítio revela uma configuração que se integra na família das necrópoles escavadas na rocha que se estende do Atlântico ao Mediterrâneo Oriental.

Idade do Cobre
O desenvolvimento da agropastorícia e do comércio foram acompanhados pelo aparecimento das primeiras formas de tecelagem e de metalurgia do cobre, verificando-se paralelamente as primeiras divisões sociais do trabalho e a generalização da guerra. No Parque Natural da Arrábida existe um número significativo de jazidas do Calcolítico, todas em locais elevados, estendendo-se desde Sesimbra, pelos montes de Azeitão, serras de S. Francisco e do Louro, até à serra de S. Luís.


Idade do Bronze
Situada nas terras do Risco, Concelho de Sesimbra, a Roça do Casal do Meio é uma sepultura que testemunha bem o grau de diferenciação social atingido pelas comunidades do Bronze Final. Trata-se de um monumento funerário de planta circular constituído por muro perimetral exterior, e por câmara central, de cúpula, na qual foram sepultados dois indivíduos adultos. A jazida revelou um estrato muito rico em cerâmica de ornatos brunidos, característica do Bronze final, e a qual foi a primeira, à época (1934), a ser divulgada em Portugal de forma sistemática e aprofundada.


Idade do Ferro
Nesta época, a desembocadura do Sado foi um ponto de atração, dadas as boas condições naturais para a implantação de um entreposto comercial, surgindo vestígios de feitorias fenícias não só em Setúbal, mas também em Abul, local mais a montante, na margem norte do Sado.

Nas serras do Louro e de S. Luís surgem dois povoados fortificados, nos lugares de Chibanes e Pedrão respetivamente. No Pedrão são ainda visíveis a muralha e os muros das casas do séc. I a.C.


Ocupação Romana
A colonização romana estabilizada por volta do ano 25 a.C., incidiu essencialmente na exploração e transformação dos recursos marinhos. Nas praias da foz do Sado e também no Creiro, perto do Portinho da Arrábida, foram instalados centros fabris de salga de peixe e preparação de garum (composto de restos de peixe, ovas, sangue, mariscos e moluscos macerados em sal, a que se adicionavam molhos), que depois de embalados em ânforas eram exportados para os centros de consumo do império.

O controlo militar, político, administrativo e económico era servido por uma via que assegurava a ligação a Lisboa, Setúbal (Cetóbriga), Alcácer do Sal (Salácia), Évora (Èbora), e Mérida (Emerita), capital da província da Lusitânia. Vestígios desta importante via existem ainda no Viso, em Setúbal, onde se encontra um troço com cerca de 1400 m da antiga calçada, ladeada por grandes blocos com afastamentos de 7 m.


Ocupação Árabe
A presença árabe instalou-se no séc. VIII e ficou fundamentalmente marcada na toponímia. Esta presença ficou também documentada pelos vestígios das suas praças fortificadas de Sesimbra e Palmela, no local onde se erguem os castelos medievais. É atribuída aos muçulmanos a plantação dos espessos olivais existentes na região de Azeitão, cujas oliveiras são consideradas as mais antigas de Portugal.

Arquitetura militar

PNArr - museu oceanográfico
Museu oceanográfico, fortaleza de Sta. Maria da Arrábida, no Portinho.
 

Praças-fortes muçulmanas e castelos medievais
Localizados na periferia oriental e ocidental do Parque, os castelos de Palmela e Sesimbra são as fortificações mais antigas da região da Arrábida.

Vestígios de uma outra fortificação medieval, designada por castelo de Coina-a-Velha, podem ser encontrados no sítio do Casal do Bispo, em Azeitão.


Fortalezas Quinhentistas
Nos finais do séc. XIV foi construída a primeira cintura de muralhas de Setúbal, para proteção da comunidade contra os ataques de piratas norte-africanos, da qual subsistem ainda alguns troços. Data desta época a construção da torre de vigilância do Outão e das primeiras estruturas fortificadas construídas. Esta fortaleza foi posteriormente reestruturada e ampliada por volta de 1572. No séc. XIX foi transformada em prisão, mais tarde em residência de férias do rei D. Carlos, e no início do século XX, foi ali instalado um hospital ortopédico que se mantém até hoje.

No final do séc. XVI, durante a ocupação Espanhola, Filipe II mandou construir a fortaleza de S. Filipe, em Setúbal, com o objetivo de defender a vila e o seu porto e manter uma guarnição que assegurasse o controlo sobre aquela localidade, hostil ao domínio castelhano.

Fortalezas Seiscentistas
Na segunda metade do séc. XVII, após a restauração da nacionalidade, é construída uma nova muralha em torno de Setúbal, e também, uma série de pequenos fortes ao longo da costa da Arrábida. Datam deste período o forte de Albarquel em Setúbal, os fortes de Sant'Iago e da Ponta do Cavalo em Sesimbra, o forte do Cozinhador no Risco e a fortaleza de Sta. Maria da Arrábida no Portinho, restaurada no final da década de 1980, sendo atualmente um Museu Oceanográfico.


Arquitetura religiosa

PNArr - Convento velho PNArr - Convento novo Céu Santos
Convento Velho e Convento Novo (® Céu Santos).

Convento da Arrábida
Talvez o mais significativo de todos os conjuntos religiosos da região da Arrábida, pela sua exemplar integração na meia encosta sul da serra sobre a zona de Alportuche, seja o Convento da Arrábida. Este conjunto divide-se em duas partes: o Convento Velho e o Convento Novo.

O Convento Velho foi fundado nas primeiras décadas do séc. XVI por frades Franciscanos, a partir de uma antiga ermida existente no local desde o séc. XIII, a Ermida da Memória, construída por Hildebrando na sequência do milagre narrado na lenda de Santa Maria da Arrábida. Para além desta ermida, o Convento Velho incluía um conjunto de seis celas e um refeitório, estruturas bastante precárias e seminaturais onde se abrigavam estes primeiros frades franciscanos.

O Convento Novo começou a ser construído em meados do séc. XVI e incluía inicialmente uma igreja e o mosteiro com parte de cozinha e oficinas. Em 1863 a Casa de Palmela adquiriu o Convento e em 1990 o convento e a área envolvente foram adquiridos pela Fundação Oriente.

Santuário do Cabo Espichel
Erguendo-se em local grandioso no esporão do cabo Espichel, o atual conjunto do santuário da Senhora do Cabo integra a pequena ermida da Memória, de construção medieval, e a igreja da Senhora do Cabo Espichel, as hospedarias, a Casa da Ópera, o aqueduto e a Casa da Água (objeto de referência em capítulo posterior), edificados ao longo do séc. XVIII. Organizando-se em torno da extensa esplanada central (o arraial), constitui um raro exemplo de santuário monumental de peregrinação religiosa planificado de raiz e um conjunto arquitetónico civil e religioso único em Portugal, em que o decorativismo barroco do templo se alia ao caráter popular das hospedarias. No local podem também ser observados os escassos vestígios do forte de Nossa Senhora do Cabo, implantado a ocidente da ermida da Memória.

Arquitetura rural
A arquitetura rural é uma presença constante nos vários aglomerados da região, sendo o resultado dos modos de vida ligados às atividades agrícolas tradicionais, destacando-se a quinta do Anjo e Azeitão. De referir, também, alguns edifícios considerados de elevado valor histórico e patrimonial que tiveram a sua origem na fixação da nobreza portuguesa nesta região, em períodos de férias.

Deste conjunto de edifícios destacam-se o palácio da Bacalhoa em Vila Fresca de Azeitão, o palácio da Quinta das Torres e o palácio dos Duques de Aveiro em Vila Nogueira de Azeitão e o palácio do Calhariz em Maçã/Sesimbra, assim como os núcleos urbanos de elevado valor histórico de Azeitão.


Moinhos de vento
Os moinhos de vento são elementos importantes do património construído tradicional que podemos encontrar com frequência nas paisagens da região da Arrábida, localizados nos cumes das pequenas serras e montes, próximos dos principais aglomerados populacionais, nomeadamente Setúbal, Palmela, Azeitão e Sesimbra.

PNArr - Moinhos na serra do Louro PNArr - fonte de Oleiros Cristina Girão Vieira
Moinhos na serra do Louro (ilustração de Nuno David) e fonte de Oleiros - azulejos de 1767 (® Cristina Girão Vieira). 

Fontes e obras de água
A região da Arrábida foi rica em obras de água compostas por extensas galerias aquedutos e depósitos de grande capacidade, que se podem ainda observar em diversas locais.

O mais significativo é o aqueduto da Arca d'Água, cujas estruturas iniciais foram construídas no séc. XV e que fornecia água a Setúbal. O aqueduto é ainda hoje visível, desde o sítio de Alferrara, na Quinta da Arca d'Água, terminando em Setúbal, no Campo dos Arcos.

Durante séculos, as aldeias de Azeitão abasteceram-se em fontes, a mais antiga que existe é a Fonte do Concelho, em Vila Nogueira de Azeitão, na Praça 5 de Outubro datada do séc. XVII. Na segunda metade do séc. XVIII são construídas novas fontes, nomeadamente a Fonte dos Pasmados, a Fonte da Aldeia Rica e a Fonte de Oleiros.

Outras obras, que ainda subsistem nos nossos dias em várias aldeias de Azeitão, são os lavadouros públicos.

 

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