Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural do Litoral Norte.
Charadrius spp Borrelhos Cristina Girão Vieira
Borrelhos-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus e borrelhos-grande-de-coleira Charadrius hiaticula (® Cristina Girão Vieira). 
 
No Parque Natural do Litoral Norte foram inventariadas 220 espécies de vertebrados, representativas de uma elevada biodiversidade faunística. Os estudos de inventariação e distribuição efetuados permitiram determinar que dentro dos limites atuais do Parque ocorrem espécies com bastante interesse ecológico. Foram consideradas 211 espécies de vertebrados, repartidas por 117 de aves, 10 de mamíferos, 6 de répteis, 6 de anfíbios e 72 de peixes.

 

Anfíbios e répteis

No Parque estão referenciadas 9 espécies de anfíbios. Destas algumas constam do Anexo II da Convenção de Berna, nomeadamente a rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galganoi, o sapo-de-unha-negra Pelobates cultripes, o sapo-corredor Bufo calamita e a rela-comum Hyla arborea.

A rã-de-focinho-pontiagudo, provavelmente com distribuição localizada neste Parque Natural, é um endemismo ibérico e consta do Anexo II da Diretiva Habitats. Foi encontrada em depressões húmidas intradunares (charcos temporários) onde se confirmou a sua reprodução.

As restantes espécies em geral são espécies comuns no Parque, estando presentes sobretudo nos charcos, zonas alagadiças e linhas de água/valas, ou seja, locais importantes para a sua reprodução, havendo casos como o sapo-comum Bufo bufo e o sapo-corredor que, fora da época reprodutora, ocorrem um pouco por todos os biótopos do Parque Natural, incluindo os mais afastados dos corpos de água.

Em relação aos répteis, estão referenciadas 7 espécies. No entanto, é provável a ocorrência de pelo menos mais uma, a lagartixa-ibérica Podarcis hispanica.

Do conjunto de espécies de ocorrência confirmada, duas constam do Anexo II da Convenção de Berna, nomeadamente o sardão Lacerta lepida e o lagarto-de-água Lacerta schreiberi. Este último é um endemismo ibérico protegido ao abrigo da Convenção de Berna, que consta também do Anexo II da Diretiva Habitats, e a lagartixa-de-bocage Podarcis bocagei (endemismo ibérico).

Peixes

A orla costeira do Parque apresenta uma grande diversidade ictiológica sendo rica em espécies de elevado valor comercial.

Dentro dos limites desta área existem 93 espécies de peixes, estando 4 incluídas como espécies ameaçadas no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e 3 na Diretiva Habitats.

Na zona estuarina as espécies piscícolas são várias, das quais se destacam a enguia Anguilla anguilla, a lampreia Petromyzon marinus, a savelha Alosa fallax, o sável Alosa alosa e as tainhas Liza ramada e L. aurata.

Na área marinha a biodiversidade de espécies piscícolas é elevada, apresentando-se aqui as mais relevantes para a conservação no Parque Natural, quer pelo seu estatuto de proteção, representatividade das populações nesta área ou pela pressão antropogénica de que são alvo, nomeadamente da pesca, como o robalo Dicentrarchus labrax, o sargo Diplodus sargus, o congro Conger conger, a solha Pleuronectes platessa e a faneca Trisopterus luscus.

Aves

Para a área terrestre estão referenciadas 142 espécies de aves, sendo que o número total de espécies observadas com regularidade é de 115. 

Esta diferença de valores deve-se ao facto de muitas das espécies referenciadas apenas ocorrerem no Parque de forma muito ocasional, nomeadamente em épocas de migração e em números muito reduzidos (um ou dois indivíduos) pelo que este Parque Natural não é importante para a conservação das suas populações. Entre elas contam-se a garça-vermelha ou imperial Ardea purpurea, o colhereiro Platalea leucorodia, o ostraceiro Haematopus ostralegus, o ganso-bravo Anser anser, o alfaiate Recurvirostra avosetta e o milhafre-preto Milvus migrans.

Recurvirostra avosetta Alfaiates em voo - Cristina Girão Vieira Milhafre-preto Milvus migrans Cristina Girão Vieira 257-180 pxl
Alfaiate Recurvirostra avosetta em voo com o seu bico recurvado para cima (daí o seu nome científico "Recurvirostra") e um juvenil de milhafre-preto Milvus migrans (® Cristina Girão Vieira).

Embora a diversidade avifaunística existente no Parque não seja de todo excecional, ocorrem aqui 14 espécies (12% do total) com estatuto de ameaça, i.e. o mergulhão-de-pescoço-preto Podiceps nigricollis, corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis, açor Accipiter gentillis, tartaranhão-ruivo-dos-pauis Circus aeruginosus, águia-pesqueira Pandion haliaetus, seixoeira Calidris canutus, perna-verde Tringa nebularia, maçarico-das-rochas Actitis hypoleucos, garajau Sterna sandvicensis, andorinha-do-mar-comum Sterna hirundo, bufo-pequeno Asio otus, noitibó-da-europa Caprimulgus europaeus, rouxinol-pequeno-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus  e escrevedeira-dos-caniços Emberiza schoeniclus. Destas, seis encontram aqui condições favoráveis à sua nidificação. São elas o tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou águia-sapeira e o bufo-pequeno com nidificação possível, o rouxinol-pequeno-dos-caniços e o açor com nidificação provável, e o noitibó e a escrevedeira-dos-caniços com nidificação confirmada.

As restantes são espécies invernantes na área. Além deste conjunto de espécies, o Parque apresenta ainda uma interessante comunidade de aves limícolas invernantes, as quais estão, sobretudo, associadas à foz do rio Cávado e orla costeira. Entre elas, destaca-se a presença regular de borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula, borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus (símbolo do Parque), tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola, seixoeira Calidris canutus, pilrito-das-praias ou pilrito-d’areia Calidris alba, pilrito-comum ou de peito-preto Calidris alpina, maçarico-de-bico-direito Limosa limosa e maçarico-galego Numenius phaeopus.

Charadrius alexandrinus Borrelho-de-coleira-interrompida 257-180 pxlCalidris alpina Pilrito-de-peito-preto Cristina Girão Vieira 257-180 pxl 
Borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus ((® Antonio Coelho e Enri Sastre) e pilrito-de-peito-preto ou pilrito-comum Calidris alpina (® Cristina Girão Vieira), em plumagem de verão, 

Ao estuário está também associada a presença, sobretudo no período invernal, de várias espécies de anatídeos, nomeadamente piadeira Anas penelope, marrequinha Anas crecca, pato-real Anas platyrhynchos e pato-trombeteiro Anas clypeata.

Assim, no Parque, e em particular na área estuarina, tal como acontece na generalidade das áreas húmidas do litoral, assiste-se a uma acentuada variação sazonal das espécies sendo evidente um empobrecimento de diversidade e abundância de aves no período reprodutor, uma vez que as limícolas e anatídeos, presentes durante o período de invernada, procuram outros locais para se reproduzirem. A zona do Estuário surge assim como uma importante área para alimentação e descanso durante a época das migrações e no inverno.

Desta forma, o estuário assume uma maior importância para as espécies migradoras de passagem e invernantes e não propriamente como local de nidificação sendo que, a este nível, do conjunto de aves limícolas aqui presentes apenas o borrelho-de-coleira-interrompida nidifica no Parque.

Mamíferos

Estão referenciadas 11 espécies de mamíferos, sendo aqui notória a falta de trabalho de campo a nível do recenseamento deste grupo. Assim, poderá ocorrer um conjunto mais diversificado de espécies, nomeadamente a nível dos micromamíferos. Assim, considera-se como de ocorrência potencial na área um conjunto adicional de 8 espécies. No total, estima-se que ocorram pelo menos 19 espécies de mamíferos, das quais 8 são potenciais.

Relativamente ao interesse conservacionista deste grupo destaca-se a presença confirmada de lontra Lutra lutra, a qual consta do Anexo II da Diretiva Habitats e ocorre nas principais linhas de água do Parque - rio Neiva, estuário do Cavado e ribeiro do Peralta.

De referir ainda a presença confirmada do toirão Mustela putorius, e a presença potencial do musaranho-anão-de-dentes-vermelhos Sorex minutus, musaranho-de dentes-vermelhos Sorex granarius, e musaranho-de-dentes-brancos Crocidura russula todos com estatuto de “Insuficientemente Conhecido”.