Flora

Flora
Flora do Parque Natural do Litoral Norte.
PNLN - Cardo-marítimo Erygium maritimum
Cardo-marítimo ou rolador Eryngium maritimum (® Artur Viana).


A flora é a base de qualquer ecossistema, constituindo dessa forma um elemento essencial na manutenção da homeostasia (i.e. equilíbrio) nas relações entre os seres vivos. O seu conhecimento permite prever o tipo de organismos que utilizam o estrato vegetativo nas suas atividades vitais, e dessa forma, proteger biótopos e espécies de maior interesse conservacionista.

A nível do património florístico, no Litoral Norte foram inventariadas 240 espécies de plantas, repartidas por 15 habitats descritos na Diretiva Habitats, dos quais 4 são considerados prioritários: 

  • Lagunas costeiras;
  • Dunas fixas com vegetação herbácea;
  • Florestas dunares de pinheiro-manso Pinus pinea e/ou pinheiro-bravo Pinus pinaster; e
  • Florestas aluviais residuais de amieiro Alnus glutinosa e freixo-de-folha-estreita Fraxinus excelsior (Alnion glutinoso-incanae).


Verifica-se ainda a existência de 12 espécies exóticas invasoras de que são exemplo a acácia-de-espigas Acacia longifolia e o chorão-das-praias Carpobrotus edulis.

Acacia longifolia Acácia-de-espigas 257-180 pxl Carpobrotus edulis Chorão-das-praias flor Cristina Girão Vieira 257-180 pxl
Acácia-de-espigas Acacia longifolia | Chorão-das-praias Carpobrotus edulis (® Cristina Girão Vieira).

O litoral
A vegetação dunar apresenta características únicas, em virtude das condições extremamente difíceis e agrestes onde ocorre. Assim, esta é muito singular devido às adaptações que ocorreram ao longo da evolução para ser possível suportar essas mesmas condições. A vegetação natural é de extrema importância na fixação de areias durante o processo de formação dunar. Na zona pré-dunar encontramos a eruca-marítima Cakile maritimum e o cardo-marítimo Eryngium maritimum. Na zona dunar, propriamente dita, encontra-se de novo o cardo-marítimo, o feno-das-areias Elymus farctus, o estorno Ammophila arenaria, uma das espécies mais emblemáticas a nível da estabilização dunar, e ainda os cordeirinhos-da-praia Otanthus maritimus. Na zona de transição para o mato pode observar-se o desenvolvimento do Cistus salvifolius. Observam-se também várias espécies exóticas invasoras, como o chorão-das-praias Carpobrotus edulis e a acácia-de-espigas Acacia longifolia, que foram introduzidas com o objetivo de fixar as areias dunares. Porém, a sua expansão monopolizou a flora existente, empobrecendo assim a biodiversidade. Em muitas áreas teve como consequência a eliminação total ou parcial da vegetação natural.

Para melhor identificar as plantas das dunas consulte o livro "Sistemas dunares do litoral de Esposende", de Pedro T. Gomes, Ana C. Botelho e Gaspar S. Carvalho, editado em 2002 pela Universidade do Minho.

Ammophila arenaria estorno 257-180 pxl Otanthus maritimus Cordeiros-da-praia Cristina Girão Vieira
Estorno Ammophila arenaria (®Artur Viana) | Cordeiros-da-praia Otanthus maritimus (® Cristina Girão Vieira).

Linaria polygalifolia Ansarina Anagallis monelli Morrião-perene 257-180 pxl
Ansarina Linaria polygalifolia e morrião-perene Anagallis monelli (®Artur Viana).

Os pinhais
Mais para o interior, surgem os povoamentos de pinheiro (pinheiro-manso Pinus pinea e/ou pinheiro-bravo Pinus pinaster) que, devido ao avanço do mar, se encontram com graves problemas relacionados com a salinização dos lençóis freáticos. As maiores manchas de pinhal no sistema dunar podem ser observadas na zona da Apúlia e Fão, predominando, quase exclusivamente, o pinheiro-bravo Pinus pinaster.

Nas zonas de pinhal surgem áreas de florestas ripícolas de amieiro Alnus glutinosa e carvalhal onde podemos encontrar espécies como o carvalho-roble Quercus robur, sobreiro Quercus suber, loureiro Laurus nobilis, amieiro Alnus glutinosa ou pilriteiro Crataegus monogyna

Alnus glutinosa Amieiro 257-180 pxl Pinhal 257-180 pxl
Amieiro Alnus glutinosa e pinhal (®Artur Viana).

Os estuários
Nos estuários, a mistura de água doce do rio e com a água salgada do oceano provoca a deposição de sedimentos que permite o desenvolvimento de vegetação aquática específica.

Nas zonas húmidas ribeirinhas de sapais e salgados, onde as marés e os níveis de salinidade são determinantes, verifica-se a predominância de espécies adaptadas ao sal, chamadas halófitas. No “alto sapal”, mais longe da linha de água ou nos taludes das marinhas, domina a salgadeira Atriplex halimus; mais abaixo surgem as gramatas Salicornea europaea, Sarcocornia ramosissima e Halimione portulacoides e finalmente pode surgir, na zona que fica submersa com as marés, a Spartina maritima.

Os prados salgados e os matos halófitos são os biótopos que ocorrem em maior abundância, em especial no rio Cávado, onde surgem espécies como o junco Juncus acutus e a arméria Armeria maritima.

Salicornia europaea Halimione portucaloides 257-180 pxl
Gramata Salicornea europaea e Halimione portulacoides (®Artur Viana).

Armeria maritima Juncus acutus
Arméria ou estancadeira Armeria maritima e junco Juncus acutus (®Artur Viana).