Habitats

Habitats
Habitats do Parque Natural do Litoral Norte.
PNLN - litoral
Litoral (®Artur Viana).

O Parque Natural do Litoral Norte é constituido, principalmente, por um cordão de praias e dunas a que se associam recifes e restante habitats marinhos. Os estuários dos rios Cávado e Neiva, manchas de pinhal, campos agrícolas, alguns pequenos bosques de folhosas e um caniçal de razoáveis dimensões permitem que a diversidade florística e de habitats representada seja de elevada importância.

 

A nível do património florístico, no Litoral Norte foram inventariadas 240 espécies de plantas, repartidas por 15 habitats descritos na Diretiva Habitats, dos quais 4 (assinalados com asterisco*) são considerados prioritários: 

1 Habitats costeiros e vegetação halófila
1150 Lagunas costeiras [PDF 208 KB]

2 Dunas marítimas e interiores
2130 Dunas fixas com vegetação herbácea ("dunas cinzentas") [PDF 361 KB] 
2270 Dunas com florestas de Pinus pinea ou Pinus pinaster ssp. atlantica * [PDF 220 KB] - ver Anexo [PDF 300 KB]

9 Florestas
91 Florestas da Europa temperada
91E0 Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-PadionAlnion incanae, Salicion albae) [PDF 368 KB]

Mar

PNLN - cavalos de Fão - Vasco Ferreira
(®Artur Viana).

O domínio marinho do Parque Natural é caracterizado por um substrato rochoso com afloramentos que podem ultrapassar os 18 m de altura, formando uma vasta área de baixios que caracteriza a zona marinha. Nas primeiras 2,5 milhas marítimas deste segmento costeiro as profundidades não ultrapassam os 50 m. A primeira milha marítima é caracterizada pela ocorrência de numerosos baixios, como os Cavalos de Fão e a Pena.

As águas frias e ricas em nutrientes suportam uma miríade de organismos, podendo observar-se representantes de todos os grupos taxonómicos que aqui encontram alimento e proteção.

Os bosques de laminárias e a rica fauna de espongiários e cnidários, bem como diversas espécies de peixes, que se encontram, em regra, em costas varridas pelas ondas, caracterizam a zona permanentemente submersa do litoral norte.

Recifes

PNLN - recifes
(®Artur Viana).

Os recifes são substratos rochosos submarinos ou expostos durante a maré baixa que emergem do fundo marinho na zona sublitoral, mas que, por vezes, se estendem à zona litoral. Esta zona restrita de transição, onde os limites do mar e da terra se confundem ao ritmo das marés, suporta comunidades bênticas (i.e. fixas ao substrato) de enorme biodiversidade e bem adaptadas às condições ambientais extremas.

Este habitat pode ser observado ao longo da costa, destacando-se em especial os recifes de Apúlia e Fão de que são exemplo os denominados Cavalos de Fão, bem como na parte norte deste Parque Natural (freguesias de Mar e Belinho) onde existem extensos afloramentos rochosos, onde se torna bem visível o fenómeno da zonação de seres vivos que, superiormente, forma «cinturas» de cracas e lapas, seguidas de mexilhões e ouriços-do-mar, recifes de barroeira e, por fim, autênticos bosques de laminárias.

Dunas

PNLN - dunas
Duna branca (®Artur Viana).

Os sistemas dunares do segmento costeiro de Esposende, gerados durante a Pequena Idade do Gelo, que ocorreu entre os séculos XV-XVI, resultam da diminuição da capacidade de transporte das areias pelo vento devido a obstáculos que encontram no seu trajeto. Forma-se assim uma plataforma arenosa dominada pelo feno-das-areias Elymus farctus, designada por duna embrionária. Na sua retaguarda encontra-se a duna primária ou branca, dominada pelo estorno Ammophila arenaria. Para o interior e ao abrigo desta, surge a duna secundária ou cinzenta povoada por espécies diversas.

As dunas constituem abrigo para espécies animais e vegetais e também um importante elemento de proteção de habitats interiores, bem como dos campos agrícolas.

A importância da vegetação dunar deve ser realçada pelo seu papel estabilizador das areias litorais, que se torna cada vez mais importante devido ao défice de sedimentos que se têm verificado no litoral do concelho de Esposende.

Estuários

PNLN - estuário do Cávado - Artur Viana
Estuário do Cávado (®Artur Viana)

Os estuários do rio Cávado e o pequeno estuário do rio Neiva constituem um recurso natural de notável importância. Para além do corpo central das águas estuarinas, permanentemente submerso, são as zonas entre marés, com as suas áreas de vasa, sapais e bancos de areia que albergam alguns dos habitats mais significativos do Parque.

Os prados salgados e os matos halófitos são os habitats que ocorrem em maior abundância, em especial no rio Cávado, onde surgem espécies como o junco Juncus acutus e a arméria Armeria maritima.

A zona estuarina é utilizada principalmente por espécies no período migratório e de invernada. Diversas espécies como patos e pilritos utilizam este habitat, principalmente como local de refúgio no inverno. Espécies como a lontra Lutra lutra utilizam este biótopo durante todo o ano.

Os estuários fornecem, também, alimento e habitat a uma gama variada de fauna ictiológica. As vastas zonas de baixa profundidade, localizadas no seu interior, oferecem proteção à ictiofauna juvenil. Pela sua importância podemos destacar espécies como a lampreia  Petromyzon marinus e a enguia Anguilla anguilla. No estuário foram detetadas, com alguma regularidade, 53 espécies de fauna vertebrada. Este foi o habitat onde foram detetadas mais espécies consideradas prioritárias para a Conservação da Natureza:16.

Lagoa costeira / caniçal

PNLN - caniçal
Caniçal (®Artur Viana).

Esta lagoa é uma zona húmida que apresenta uma grande variedade de salinidade e volume de água, separada do mar pelo sistema dunar, existindo, no entanto, uma ligação a este por intermédio de um canal subterrâneo.

A sua vegetação é constituída principalmente por caniço Phragmites australis, rodeado por uma floresta de salgueiros Salix atrocinerea, o que constitui um local com características raras em todo o litoral norte.

Um vasto conjunto de espécies de avifauna utiliza este local para repousar e para se alimentar durante o período migratório, enquanto que outras o utilizam para se reproduzirem ou como local de invernada.

Este habitat é considerado prioritário pela Diretiva Habitats.

Floresta

PNLN - floresta
Floresta (®Artur Viana).

As maiores manchas florestais do Parque são caracterizadas por povoamentos de pinheiro (Pinheiro-manso Pinus pinea e pinheiro-bravo Pinus pinaster) sobre antigas dunas. Estas plantações de pinheiro-bravo terão ocorrido há várias décadas, estabelecendo um biótopo agora muito estável. As maiores manchas de pinhal no sistema dunar podem ser observadas na zona da Apúlia e Fão, predominando, quase exclusivamente, o pinheiro-bravo Pinus pinaster.

Florestas ripícolas de amieiro Alnus glutinosa e salgueiro Salix atrocinerea pertencentes, na Península Ibérica, à aliança Osmundo-Alnion, podem ser encontradas em pequenas manchas na região de Apúlia. Periodicamente, estas áreas podem ser inundadas.

Carvalhais galaico-portugueses onde predomina o carvalho-roble Quercus robur, entre outras como o sobreiro Quercus suber, amieiro Alnus glutinosa, salgueiro Salix atrocinerea, loureiro Laurus nobilis e o pilriteiro Crataegus monogyna.

Este biótopo pode ser detetado no limite da freguesia da Apúlia com Fão.