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História | Cultura

História | Cultura
Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural do Litoral Norte.
PNLN - Castro de S Lourenço
Castro de S. Lourenço.

 

Paisagem

PNLN - Restinga do Cávado PNLN - cavalos de Fão Vasco Ferreira
Restinga do Cávado | Cavalos de Fão (® Vasco Ferreira).

Do monte de São Lourenço domina-se a faixa costeira entre a foz do Cávado e a Apúlia, um horizonte raso onde, durante muito, as fainas do mar se confundiram com o trabalhar da terra. Parte destes areais do litoral minhoto foram colonizados graças ao sargaço colhido no mar e empregue como fertilizante do solo.

Escavando as areias e recolhendo algas, gerações de camponeses-recolectores trouxeram à cultura terrenos dantes tidos por estéreis. Talhados "em masseira" ou "gamela" e descendo até bem próximo da toalha freática, neles se pratica, ainda hoje, a cultura de primores.

Na vizinhança destes campos, a linha de costa é feita de praias de mar e de rio bem como cordões dunares e nela se inserem os pequenos estuários do Cávado e Neiva, ponto de passagem para peixes migradores, caso da lampreia e da enguia, e local de guarida de numerosas aves.

Por outro lado, esta orla litoral, de feição baixa e arenosa, é palco de intensa atividade e objeto de crescente procura turística sofrendo, simultaneamente, de um lento mas progressivo processo de erosão costeira. A defesa do sistema dunar é pois um dos objetivos centrais deste Parque Natural.

A faixa marítima contígua à Área Protegida, e numa profundidade de 2,5 milhas marítimas, também foi classificada a fim de preservar a diversidade marinha tanto mais por se tratar de uma zona em que a pesca artesanal tem uma expressão evidente.

Arqueologia

Cemitério medieval das Barreiras - Fão PNLN - Castro de São Lourenço
Cemitério medieval das Barreiras - Fão | Castro de S. Lourenço.

A povoação desta zona remonta à pré-história, quando o nomadismo dos povoamentos impediu um registo mais vincado do modo de vida realizado; apesar disso o Parque Natural do Litoral Norte (PNLN) oferece, a nível patrimonial, um apreciável número de indícios culturais e arqueológicos.

Pode afirmar-se que a população de Esposende esteve desde sempre ligada à pesca e agricultura. É de referir, no entanto, que na Apúlia, a menos de uma légua do mar, fica situada a Lagoa Negra, que tem características evidentes de ter sido local de exploração mineral e, ainda, na zona de São Bartolomeu do Mar e Foz do Neiva foram encontrados vestígios de salinas medievais.

Fão, sendo de origem Céltica, só durante o período de domínio romano se tornou uma urbe e um porto importante. No entanto, é da Idade Média que nos é trazido o mais significativo achado arqueológico, nomeadamente um cemitério medieval, cujos estudos indicam a ocorrência de enterramentos contemporâneos da célebre Peste Negra que grassou em toda a Europa nos finais do século XIV.

Existe ainda a zona da Apúlia, suposta Vila Menendi, onde foram encontrados, com abundância, elementos de cerâmica romana, evidenciando assim a romanização desta área.

A poucos quilómetros dos limites do PNLN é possível encontrar outros registos históricos, como antas, mamoas e o Castro de São Lourenço que é um povoado da Idade do Ferro.


Etnografia

O património etnográfico reflete os modos de vida tradicionais da população residente na área do Parque e envolvente, apresentando, por isso, uma forte conotação com as atividades agromarítimas.

Neste sentido, destacam-se as vivências e tradições ligadas à pesca, atividade que apresenta ainda uma expressão considerável no litoral do concelho de Esposende, devendo a sua coexistência com o recreio balnear (mais expressiva na Apúlia) ser entendida numa perspetiva de unicidade da paisagem e valorização turística.

A apanha do sargaço (e do pilado - um pequeno caranguejo), que, atualmente, apresenta uma expressão meramente residual, constituiu, no passado, a base económica familiar de um importante setor da população. Podem assim, ser identificadas, principalmente freguesias de Belinho, Mar e Fão, jazigas algológicas e indícios dessas práticas agromarítimas. A apanha do sargaço transcreve-se como um dos principais elementos de valor cultural / etnográfico do concelho, tendo associada um conjunto de utensílios tradicionais associados – gravetas, ganchorras, croques, ganchos, roda-foles, arrastões, galritos e foçinhões – e trajes típicos, como os utilizados pelo Grupo de Sargaceiros da Apúlia.

O fim principal desse sargaço era a fertilização dos campos de masseiras (ou gamelas), surgidos no final do século XIX, os quais integram também o património cultural e etnográfico do Parque, funcionando, em si mesmos, como elemento de valorização paisagística.

O artesanato desenvolvido no concelho é também testemunho de tradições e costumes, destacando-se os trabalhos em cestaria e vários artefactos ligados ao mar, tais como os artigos relacionados com a apanha do sargaço, em Apúlia, os trabalhos em conchas, em Fão, e a construção de barcos (catraias) e redes de pesca, em Esposende.

São igualmente diversas as festividades identificadas na área do Parque, principalmente de cariz religioso. Destacam-se, pela sua maior visibilidade, a festa da Nossa Senhora da Bonança, em Ofir e, particularmente, o “Banho santo” em São Bartolomeu do Mar (24 de agosto), romaria acompanhada de feira, espetáculos e arraiais populares, enquadrando, assim, as potencialidades de complementaridade entre o Turismo de Natureza e o Turismo Religioso.

Outro elemento que deve ser apresentado no âmbito do património cultural / etnográfico é a gastronomia, com fortes influências marinhas. Destaca-se a iniciativa “março com sabores de Mar”, onde participam vários restaurantes espalhados pelo concelho, promovendo a gastronomia tradicional, de que são exemplo o Arroz de Lampreia e as Clarinhas.

Concluindo, o mar marca a riqueza do património etnográfico do Parque, nas suas várias vertentes, modos de vida, artesanato, gastronomia, festividades, etc., e até no imaginário coletivo, de que constitui exemplo principal, a Lenda dos Cavalos de Ofir.
 

Património construído

Moinhos de vento da Apúlia
Moinhos de vento na Apúlia.

No que respeita o património arquitetónico, encontram-se identificados, no âmbito do PDM de Esposende oito imóveis, estando dois classificados e um em vias de classificação:

  • Forte de Esposende também designado Castelo de São João Batista, exemplo de arquitetura militar situado na foz do Cávado, classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 28/82; e
  • Ponte metálica de Fão, sobre o rio Cávado, entre Fão e Esposende, sendo datada de finais do século XIX, e tendo sido classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto do Governo n.º 1/86,.
  • Casa Dr. Fernando Ribeiro da Silva, classificada pelo Despacho n.º 50/2004-PRES, de 23 de abril.


Com existência na Apúlia, disseminados no areal e sobranceiros ao mar, podemos encontrar os moinhos de vento, fazendo parte integrante da Área Protegida. Representam uma das paisagens e arquitetura mais características do concelho, sendo hoje em dia considerados uma parte primacial do património construído a ser preservado. Outrora seriam utilizados para fins agrícolas (moagem do milho) mas com a mudança de atividades económicas do concelho adaptaram-se aos tempos que correm sendo hoje essencialmente utilizados como habitações de veraneio.

Atividades

PNLN -  apanha de sargaço
Mulheres recolhendo o sargaço.

A pesca artesanal local, a apanha do sargaço, a agricultura e o turismo são atividades que têm sido acompanhadas pelo Parque Natural do Litoral Norte, numa perspetiva de compatibilização entre a conservação da natureza e a melhoria da qualidade de vida da população residente.  

Há ainda a referir o tipo de agricultura praticada, as “masseiras” como exemplo genuíno do concelho. Estas são campos agrícolas localizados logo após a duna cinzenta, sendo o campo de areias escavado até aproximadamente 1 m do lençol freático, para as plantas poderem ter melhor acesso à água. Depois da plantação o campo é fertilizado com o sargaço (algas marinhas essencialmente rodófitas) e o pilado (pequeno caranguejo).

Nos tempos que correm, Esposende, devido à sua posição geográfica e a tudo com que a natureza tão prodigamente a dotou - o rio e o mar, o vale e a colina e ainda as fabulosas praias - voltou-se essencialmente para o turismo, sendo hoje um dos locais mais procurados do norte de Portugal. 

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