Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Bubo bubo Bufo-real EG
Bufo-real Bubo bubo (® Eduardo Gameiro).
 

Uma grande diversidade de habitats, alguns escassos no contexto nacional, permitem ainda grande diversidade faunística, embora nem sempre facilmente observável. São mais de 200 as espécies de vertebrados, já identificadas: 33 de mamíferos, mais de 160 de aves, 12 de anfíbios, 20 de répteis e 9 de peixes de água doce.

A área protegida encerra ainda valores faunísticos de grande interesse de conservação, designadamente a boga-portuguesa Iberochondrostoma lusitanicum – um dos raros vertebrados endémicos do país -, a fritilária-dos-pântanos Euphydryas aurinia, a víbora-cornuda Vipera latastei e a águia de Bonelli Aquila fasciata.

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Bogas-portuguesa Iberochondrostoma lusitanicum (® Manuela Marcelino) e uma víbora-cornuda Vipera latastei (® Luís Roma Castro).
 

A presença de uma linha extensa de arribas costeiras permite a ocorrência de avifauna de nidificação ripícola, dadas as boas condições de abrigo a salvo de predadores, incluindo espécies com estatuto de ameaça em Portugal, como por exemplo o falcão-peregrino Falco peregrinus, o bufo-real Bubo bubo ou espécies pouco numerosas no nosso país, embora sem estatuto de ameaça (e.g. o corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis ou o melro-azul Monticola solitarius).

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Corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis (® Dália Lourenço) e ninho de águia de Bonelli Aquila fasciata com duas crias (® Luís Quinta). 

Das aves, 67 são nidificantes e 23 apresentam estatuto de ameaça em Portugal. O território do Parque Natural apresenta relevo para a conservação de 9 destas espécies, nomeadamente rola-comum Streptopelia turtur, andorinhão-real Apus melba, pica-pau-malhado-pequeno Dendrocopos minor, gavião da Europa Accipiter nisus, águia de Bonelli Aquila fasciata, falcão-peregrino Falco peregrinus, bufo-real Bubo bubo, tartaranhão-azulado Circus cyaneus, ferreirinha-alpina Prunella collaris e corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis.

A existência de algumas grutas e minas de água, não exploradas pelo turismo, permite a presença de espécies de morcegos cavernícolas, algumas das quais apresentam estatuto de ameaça de “Criticamente em perigo” em Portugal, como o morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus euryale e ”Vulnerável”, como o morcego-de-ferradura-pequeno Rhinolophus hipposideros. De relevar ainda a existência de um crustáceo endémico da Gruta da Assafora, Prosaellus assaforensis (Isopoda Asellidae), descrito para a ciência em data relativamente recente.

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Morcego-de-ferradura-pequeno Rhinolophus hipposideros (® Jorge Palmeirim) e vaca-loura Lucanus cervus (® Luís Roma Castro).
 

Por outro lado, o maciço eruptivo de Sintra apresenta características de ilha biogeográfica, fenómeno resultante da existência de um bioclima distinto da plataforma sedimentar enquadrante, e tal como acontece com a flora, este facto poderá explicar a grande riqueza de anfíbios e répteis, é uma área mais húmida e a poluição dos cursos de água é menor, e a presença de populações isoladas de espécies cujo ótimo ecológico se situa em regiões mais setentrionais, como é o caso, da vaca-loira Lucanus cervus, do lagarto-de-água Lacerta schreiberi, do musaranho-de-dentes-vermelhos Sorex granarius e do licranço Anguis fragilis, ocorrendo também algumas populações isoladas de passeriformes nidificantes como a estrelinha-de-poupa Regulus ignicapillus ou o pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula.

De salientar populações como o lagarto-de-água que, embora não apresente estatuto de ameaça em Portugal, poderá apresentar interesse científico a conservação de formas geneticamente diferenciadas a um nível subespecífico.

A invasão por espécies exóticas, a expansão urbana, o incremento das atividades ligadas ao turismo ou à construção de segunda habitação e a ocorrência frequente de fogos constituem atualmente os problemas mais graves para o Parque no que respeita à conservação da flora, extensíveis à fauna e de um modo geral a todos os habitats naturais.

Espécies como a geneta Genetta genetta, a raposa Vulpes vulpes, a doninha Mustela nivalis, o ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus, a salamandra Salamandra salamandra, o tritão-de-ventre-laranja Triturus boscai ou a lagartixa-do-mato Psammodromus algirus não se encontram ameaçadas.

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Gineta Genetta genetta e salamandra Salamandra salamandra (® Dália Lourenço).
 

Não se conhece qualquer registo de observação, nos últimos anos de animais como a lontra Lutra lutra, o gato-bravo Felis silvestris ou o sapo-de-unha-preta Pelobates cultripes. São exemplos de animais já extintos no Parque, o urso Ursus arctos, o veado Cervus elaphus, a lebre Lepus capensis ou o lobo Canis lupus.

Consulte aqui mais informação

1 - Fauna do litoral [PDF 603 KB]
2 - Alguns animais do Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) [PDF 864 KB]
3 - Mapa com fauna do PNSC [JPG 1,1 MB]
4 - Os répteis do PNSC [PDF 635 KB]
5 - Os mamíferos do PNSC [PDF 676 KB]
6 - Os morcegos do PNSC [PDF 807 KB]
7 - Os anfíbios do PNSC [PDF 476 KB]
8 - Principais fatores de ameaça [PDF 430 KB]
9 - Espécies de valor relevante [PDF 884 KB]
10 - As aves do PNSC [PDF 460 KB]
11 - SIC Peniche-Sta. Cruz [PDF 736 KB]
12 - SIC Sintra-Cascais [PDF 630 KB]
13 - O que fazer se um réptil se aproximar da sua casa? [PDF 457 KB]

 

A invasão por espécies exóticas, a expansão urbana, o incremento das atividades ligadas ao turismo ou à construção de segunda habitação e a ocorrência frequente de fogos constituem atualmente os problemas mais graves para o Parque Natural no que respeita à conservação da flora, extensíveis à fauna e, de um modo geral, a todos os habitats naturais.

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