Flora

Flora
Flora do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Quercus faginea Carvalho-cerquinho cercal Sintra Manuela Marcelino 710-150 pxl
Cercal, i.e. zona de carvalho-cerquinho Quercus faginea, em Sintra (® Manuela Marcelino).
 

A diversidade climática, de composição geológica e consequente riqueza dos solos permitem grande diversidade de flora, de características essencialmente mediterrânicas, ocidental-mediterrânicas, atlânticas e macaronésicas.

O litoral do Parque e a serra de Sintra estão incluídos no “Sítio Sintra-Cascais”, inserido na Rede Natura 2000, rede europeia de espaços naturais e espécies da fauna e da flora protegidos para conservar a biodiversidade europeia. O Sítio apresenta uma significativa diversidade de habitats e de endemismos.


Para a serra de Sintra, estão assinaladas cerca de 900 espécies de flora autóctone, metade das quais são mediterrânicas ou oeste-mediterrânicas. Cerca de 10 % das espécies autóctones são endemismos (a nível mundial só se encontram em determinada área). Encontram-se cerca de 150 espécies introduzidas de outras partes do planeta, sendo algumas invasoras.

A floresta de carvalhos, que se implantou na serra de Sintra após a última glaciação, foi progressivamente reduzida pela intervenção humana, tal como aconteceu em toda a região mediterrânica, até lhe restarem apenas matos, ficando reduzida a vestígios nas zonas mais inacessíveis. Atingiu-se, em meados do séc. XVIII, a mais profunda desarborização na serra.

No séc. XIX, sob inspiração do gosto pelo exotismo característico do romantismo, foram construídos, na encosta norte da Serra, sumptuosos palacetes rodeados por flora arbórea vinda das mais diversas partes do mundo. Este tipo de paisagem, artificial, ainda que muito importante do ponto de vista cultural significa uma diminuição do valor natural dos ecossistemas.

No séc. XX,  zonas de matos foram florestadas com pinheiro-bravo Pinus pinaster, cedro-do-buçaco Cupressus lusitanica (espécie não autóctone de Portugal, apesar dos seus nomes científico e comum) e eucalipto-glóbulo Eucaliptus globulus. A não substituição por matas fundadas na vegetação natural e a transformação das propriedades agrícolas da encosta norte da serra contribuíram para um dos problemas mais graves do Parque, nomeadamente, após o grande incêndio de 1966 criaram-se condições para algumas das espécies exóticas se revelarem invasoras, como foi o caso das espécies do género Acacia, mas também a árvore-do-incenso Pittosporum undullatum, a háquia-de-folhas-de-salgueiro Hakea salicifolia e a háquia-picante Hakea sericea e o ailanto Aillanthus altissima.

Hoje, ainda é possível aqui encontrar espécies ameaçadas como o azevinho Ilex aquifolium ou espécies-relíquia da vegetação e que continuam a encontrar, na serra de Sintra, condições para sobreviver, nomeadamente o feto-dos carvalhos Davallia canariensis, o feto-de-folha-de-hera Asplenium hemionitis ou o samouco Myrica faia. Ainda aqui se encontram representadas quase todas as espécies de Quercus existentes em Portugal. Próximo das linhas de água vivem freixos, amieiros, aveleiras, salgueiros e mesmo ulmeiros. Musgos, líquenes e cogumelos encontram aqui habitat privilegiado.

A serra de Sintra assume valor máximo do ponto de vista da conservação devido à presença de populações de Asplenium hemionitis, trovisco-lauréola Daphne laureola, cocleária-menor Jonopsidium acaule e azevinho Ilex aquifolium

Daphne laureola Trovisco-lauréola MM Jonopsidium acaule Cocleária-menor - MM
Trovisco-lauréola Daphne laureola e cocleária-menor Jonopsidium acaule (® Manuela Marcelino).
 

O elenco florístico da faixa costeira é muito variado e reúne grande diversidade de habitats. A vegetação dunar apresenta adaptações especiais, dados os fatores fortemente seletivos a que se encontra sujeita. São consideradas áreas de valor máximo, do ponto de vista da conservação, aquelas onde se encontra o miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae.

Omphalodes kuzinskyanae miosótis-das-praias MM Ilex aquifolium Azevinho JLD 350-180 pxl
Miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae (® Manuela Marcelino) e azevinho Ilex aquifolium (® João Luís Dória)
 

No cabo da Roca ocorrem alguns dos maiores núcleos de cravo-romano Armeria pseudarmeria, de cravo-de-sintra Dianthus cintranus cintranus e de saramago-de-sintra Coyncia cintrana sendo, por isso, considerada área de elevado interesse de conservação.

Armeria pseudarmeria cravo-romano MM Dianthus cintrana cravo de Sintra MM
Cravo-romano Armeria pseudarmeria e cravo-de-sintra Dianthus cintranus (® Manuela Marcelino).
 

As zonas do litoral no cabo Raso e a norte do Magoito apresentam também a mesma classificação por aí se verificarem alguns núcleos de Herniaria maritima, Limonium dodartii ssp lusitanicum e uma grande área de ocorrência de verbasco-de-flores-grossas Verbascum litigiosum

O Juncus valvatus, endemismo de Portugal, é abundante na zona norte do parque.

Nas áreas do litoral, sobretudo na zona sul do Parque, o chorão-das-praias Carboprotus edulis, oriundo da África do Sul, é a espécie invasora mais espalhada.

 

Acacial no Guincho MM Cortaderia selloana Penachos MM
Acacial na serra e erva-das-pampas ou penachos Cortaderia selloana, plantas invasoras (® Manuela Marcelino).
 

O “Sítio Sintra-Cascais” prolonga-se a norte para fora dos limites do Parque- Entre os habitats identificados, alguns são considerados prioritários, nomeadamente as dunas fixas com vegetação herbácea, as dunas litorais de zimbros; os pinhais dunares de pinheiro-bravo e pinheiro-manso; as florestas aluviais residuais e os matagais de loureiro.

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