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Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima
Geologia, hidrologia e clima do Parque Natural de Sintra-Cascais.

PNSC - Praia do Abano MM
Praia do Abano  (® Manuela Marcelino).

Geologia

A paisagem do Parque Natural de Sintra-Cascais é marcada pelo relevo da serra de Sintra, em torno do qual se desenvolve um planalto litoral complexo que a rodeia completamente:

  • a norte, pela Plataforma de S. João das Lampas, constituída por um conjunto de plataformas regulares, com altitude entre os 100 m e os 250 m; e
  • a sul e a leste, pela Plataforma de Cascais várias dezenas de metros mais baixa do que a Plataforma de S. João das Lampas, é bastante regular inclinando suavemente para sul até ao cabo Raso e corresponde a uma superfície de abrasão marinha.

 

A serra de Sintra constitui um relevo associado à intrusão do Complexo Ígneo de Sintra de idade neo-cretácica e ao cavalgamento frontal de idade cenozóica, com vergência para norte que se estende desde as proximidades do rio Tejo, passando pela base da vertente norte da serra de Sintra, continuando mar adentro.

O maciço de Sintra evoluiu por erosão diferencial, representando na atualidade um relevo alongado com eixo maior de direção W-E e extensão aproximada de 10 km, cujos cumes se elevam a mais de 500 m de altitude, exibindo ainda formas de relativa frescura.

As formações geológicas mais antigas observáveis no Parque Natural são do Jurássico Superior e as mais recentes correspondem às areias de praia e aluviões do Quaternário, mas, a geodiversidade e a riqueza do património geológico, advém de existirem também rochas ígneas, intrusivas e extrusivas e rochas metamórficas.

A Bacia Lusitaniana é uma bacia sedimentar que se desenvolveu na Margem Ocidental da Ibéria (MOI) durante o Mesozoico, no contexto da fragmentação do supercontinente Pangea - abertura do Atlântico Norte. É durante a fase dinâmica da Bacia que se depositam as formações do Jurássico superior e Cretácico inferior, observáveis no Parque, dominantemente constituídas por calcários mais ou menos cristalinos e compactos, intercalados com calcários margosos e calcários de fácies pelágica, ricos de matéria orgânica. Na Bacia Lusitaniana, e só nesta região, é que a transição Jurássico-Cretácico é contínua e representada por sedimentação em meio marinho, embora de pouca profundidade.

A partir do Aptiano Sup. (Cretácico Inf.) a Margem Ocidental da Ibéria passa a constituir uma margem passiva, pelo menos na porção correspondente à Bacia Lusitaniana, e a transição Albiano-Cenomaniano marca o começo de importante transgressão marinha, com a deposição de camadas margosas com ostracodos que vão progressivamente passando a calcários compactos com rudistas, no Cenomaniano superior.

Segue-se importante lacuna sedimentar com a duração de cerca de 40/50 M.A.

A maioria dos depósitos litorais, areias de praia, dunas e dunas consolidadas, depósitos de vertente e aluviões, são atribuíveis ao Quaternário.

O magmatismo do Cretácico Sup. acontece após a Margem Ocidental da Ibéria se ter tornado uma margem passiva e nele se incluem o “Complexo Ígneo de Sintra” e o “Complexo Vulcânico de Lisboa”.

O “Complexo Ígneo de Sintra” intrui e deforma sedimentos do Jurássico Sup. ao Cretácico Sup. (Cenomaniano). A estrutura da intrusão magmática é complexa mas, sinteticamente, é composta por um núcleo de natureza sienítica envolvido por um largo anel granítico e por um anel gabro-diorítico descontínuo. Assim, este complexo inclui um lacólito granítico intruído pelo complexo do cabo da Roca, constituído por gabros ricos em anfíbola (mafraítos), dioritos, sienitos e brechas. Existem, também, uma série de pequenas massas gabroicas que intruem o limite norte do complexo. Todas estas unidades são cortadas por um complexo tardio de diques de natureza ácida e básica.

O “Complexo Vulcânico de Lisboa” ocupa uma posição estratigráfica entre o topo do Cenomaniano Sup. e a base do Cenozóico, agrupando rochas intrusivas e extrusivas, sendo constituído por uma série de escoadas lávicas, depósitos piroclásticos, chaminés vulcânicas, filões e soleiras cuja composição varia desde os basaltos aos riólitos, passando pelos termos intermédios.

Na região periférica ao maciço de Sintra aflora fundamentalmente a NE, sendo constituído fundamentalmente por basaltos intercalados com acumulações piroclásticas de granularidade variada. Os centros emissores mais importantes, que na generalidade correspondem a chaminés vulcânicas, ainda hoje são bem visíveis em numerosos locais.

As rochas metamórficas observáveis no PNSC correspondem a um estreito anel de corneanas calcossilicatadas, presentes sobretudo a sul e leste do maciço de Sintra, na sua estreita dependência, pois resultaram do metamorfismo de contacto desenvolvido durante a intrusão nas rochas carbonatadas do Jurássico superior que servem de encaixante magmático. São exemplos: o “Xisto do Ramalhão” e o “Cálcario de S. Pedro”.

 

Solos

A grande diversidade litológica do Parque Natural tem como consequência uma elevada complexidade dos solos, que podem ser agrupados nos seguintes tipos:

  • “Evoluídos” - Barros, Argiluviados (calcários), Podzolizados (areias e cascalheiras);
  • “Pouco evoluídos” - Calcários (rochas básicas), Litólicos (rochas ácidas); e,
  • “Não evoluídos” - Incipientes (areias) e os Halomórficos, ou solos salinos.

 

Os diversos tipos de solo têm características físicas e químicas específicas, que afetam a utilização que se lhes pode dar. Cuidadosas classificações do solo influenciam as decisões sobre a localização dos terrenos de cultivo, a adaptação do tipo de cultura, a implantação de edifícios, de forma a causar o menor impacto possível, e adequar os usos do solo às suas aptidões.

Zona da serra de Sintra - os solos litólicos ocupam quase toda a serra de Sintra, toda a mancha tem grande interesse de conservação pela sua importância como espaço de vocação e efetiva utilização florestal. Na base da serra encontram-se solos de aptidão hortícola, cuja preservação é particularmente importante pela recarga do aquífero dos calcários de São Pedro, onde é o solar do limoeiro.

Zona do vinho de Colares - as áreas ainda não construídas da região demarcada são divididas em duas zonas: a primeira nos Regossolos psamíticos, de areias assentes sobre materiais consolidados (solos argilosos), tradicionalmente designados por " chão de areia"; a segunda, nos solos calcários pardos de margas ou materiais afins, tradicionalmente designados por " chão rijo". Estas áreas devem ser cuidadosamente preservadas pelo seu interesse.

Zona hortícola de Azenhas do Mar, Pero Pinheiro e Ericeira - zona de grande interesse na produção hortícola de grande qualidade pelos seus solos (aluviões, pardos de calcário, arenossolos, vermelhos de calcário, etc.), pelo seu clima temperado e pela presença de água. Assim, estes solos devem, sempre que possível, ser salvaguardados pelo seu alto valor produtivo, resultante das características amenas do clima.
 

Hidrologia

Praia da Samarra RC
Praia e ribeira da Samarra (® Rui Cunha)
 

O Parque Natural de Sintra-Cascais é drenado por 12 bacias. Destacam-se as bacias hidrográficas das ribeiras de Colares e das Vinhas, pela dimensão, pelo importante suporte de atividades, pela magnitude dos problemas existentes, sobretudo as cheias e a poluição, e pela sua relevância ecológica.

Os cursos de água localizados no concelho de Sintra são, de uma forma geral, de fraco caudal, encaixados em vales estreitos, desembocando nas praias ou em arribas da costa em leito suspenso.

No interior da serra, a rede hidrográfica está representada por linhas de água muito entalhadas, cujos vales, muito imaturos, atestam a juventude do relevo terminando, os que se dirigem diretamente para o litoral, a oeste, por vales suspensos. Diverge destas características apenas a ribeira de Colares, que percorre em vale largo e cujo setor terminal apresenta terraços amplos.

As ribeiras, a norte da serra de Sintra, têm uma orientação predominante E-W, abordando  a costa obliquamente. As ribeiras que drenam para a costa ocidental, localizadas a SW da serra apresentam direção contrária, NE-SW, enquanto as da costa meridional se dispõem de N para S.

No concelho de Cascais, os cursos de água têm caráter intermitente, torrencial durante o inverno e sujeitos a estiagem estival. São predominantemente de reduzida extensão, drenando em vales encaixados e desaguando abruptamente nas arribas ao longo do litoral até à praia da Grota. A jusante desta praia as linhas de água desaguam numa extensa área arenosa, que potencia a ocorrência de fenómenos de infiltração e levando à desorganização da rede de drenagem.
 

Clima

Sintra com capacete de nuvens
Sintra com o habitual capacete de nuvens.
 

O Parque Natural de Sintra-Cascais possui um clima temperado mediterrâneo, de tipo oceânico, com influência atlântica.

As temperaturas mais amenas fazem-se sentir junto ao mar, devido ao seu efeito atenuador sobre temperaturas extremas. É na serra de Sintra que se verificam as temperaturas mais baixas da região.
 
O vento faz-se sentir durante todo o ano sendo a sua incidência predominantemente de norte e noroeste no verão. No inverno verifica-se um maior equilíbrio de rumos. As intensidades são mais elevadas junto ao oceano e nas terras altas.
 
Os valores de precipitação registados na serra são mais elevados do que nas áreas circundantes, enquanto no litoral se verificam os valores mínimos, sobretudo no cabo da Roca. A forma da serra de Sintra é uma barreira de condensação, mantendo sempre elevados valores de humidade, dando lugar ao característico capacete de nuvens.

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