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Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Palácio da Vila MM
As chaminés do Palácio da Vila, presentes no símbolo do Parque Natural de Sintra-Cascais (® Manuela Marcelino).

Paisagem

Paisagem LM
Vista da Pedra Amarela (® Lia Mergulhão)
 

O Parque Natural de Sintra-Cascais é uma zona privilegiada de turismo e lazer, pela amenidade do clima, diversidade e beleza da paisagem. Para a área do Parque foram definidos quatro grupos de unidades de paisagem:

  • Terra Saloia ou área agrícola;
  • serra de Sintra – cabo da Roca;
  • Abano-Penha Longa; e
  • Costa do Sol.


A paisagem da Terra Saloia é composta por um mosaico rico e diversificado de aglomerados urbanos, pinhais, pomares, hortas, searas e prados. Apresenta ainda uma unidade estética e visual de qualidade, marcada pela presença da Serra, onde se inclui a sua encosta mais rica em vegetação, e ainda valores patrimoniais.

A serra de Sintra apresenta-se como um elemento estruturante, mas que paradoxalmente funciona como barreira. Na vertente norte, o efeito das “chuvas orográficas” é determinante para a forma de apropriação pelos humanos que aí ocorreu.

A unidade de paisagem Abano – Penha Longa que representa a transição entre a serra e a costa de Cascais apresenta-se bastante heterogénea, com um relevo ondulado expressivo a nascente que se vai expandindo em direção a poente. Neste ondulado, surgem vales, mais ou menos abertos, de declives moderados e onde correm os cursos de água provenientes da serra.

O caráter e a riqueza da Costa do Sol são a forte presença do oceano. A proximidade do mar, as dunas e um clima solarengo conferem a esta paisagem uma luminosidade distinta. Esta área apresenta uma forte identidade ligada à ocorrência de fenómenos geológicos naturais raros, à presença de aglomerados urbanos circunscritos e à possibilidade de praticar desportos aquáticos, como o surf e windsurf na praia do Guincho. É na faixa litoral que a vegetação é mais diversificada e bela. É aqui que encontramos a maior parte das plantas endémicas e ameaçadas.

Na Resolução da UNESCO, 19ª Sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, em Berlim a 6 de dezembro de 1995, Sintra foi classificada como Património Mundial, no âmbito da categoria “Paisagem Cultural da Vila e Serra de Sintra”, por ser um conjunto em que elementos culturais e naturais são indissociáveis, articulando-se de uma forma harmoniosa. 

Atividades

PNSC - agriculturaCampos agrícolas.

Múltiplos vestígios arqueológicos sugerem uma presença humana desde a pré-história. Os primeiros povoadores instalaram-se na orla marítima e nos locais elevados de fácil defesa, desenvolveram a agricultura, que a arqueologia mostra ter sido intensa, concentrada nas faldas norte e marítima da serra, onde hoje está implantada a maior área social. O povo Muçulmano desenvolveu a agricultura nestas paragens, introduzindo novas técnicas, como a rega, produzindo essencialmente fruta e hortícolas, que ainda hoje persistem como principais culturas.

A vila de Sintra, a partir do fim do séc. XIV, tornou-se lugar de veraneio da corte portuguesa, tornando-se um dos locais mais cosmopolitas de Portugal e mesmo da Europa. Palácios quintas e chalets revelam a atração exercida por Sintra sobre as classes nobres ou abastadas desde o Renascimento. A vertente da arquitetura militar manifesta-se também nas antigas fortificações da linha de defesa da costa.

A região saloia foi o principal centro abastecedor de Lisboa, assume hoje menos importância. A pastorícia ainda se praticou até meados do séc. XX.

Maçã-reineta de Colares MM Vinha de Colares
Macã-reineta | Vinha de Colares (® Manuela Marcelino).

Realce ainda para um importante património literário em Sintra - a comunicação escrita.

Cascais foi até ao início do século XX, uma localidade de pescadores, beneficiando das excelentes condições da baia enquanto porto de abrigo e da riqueza do oceano.

No início do séc. XX, com o desenvolvimento do turismo de sol e de mar, Cascais, beneficiando de excelentes condições atmosféricas, converteu-se num destino turístico de excelência.

Hoje as atividades económicas principais mantêm a agricultura tradicional - fruticultura, vitivinicultura, horticultura - e a exploração florestal. A norte da serra são produzidas quatro variedades de frutos próprios da região – maçã-reineta de Colares, pêssego-rosa, limão de casca grossa e pera-pérola - e mantém-se o renome internacional do vinho de Colares.

Dada a proximidade da capital, a facilidade de circulação, a amenidade do clima, o Parque tem-se afirmando nas últimas décadas, como um espaço residencial, de lazer, de turismo de habitação, de animação ambiental, de desporto, que integra o comércio e os serviços.
 

População residente

Situado na Área Metropolitana de Lisboa onde a realidade do povoamento é muito diversificada, o Parque Natural de Sintra-Cascais apresenta um povoamento rural com tendência para se organizar de um modo ordenado ao longo das vias de comunicação ou em pequenas concentrações com tendência para a dispersão.

As freguesias de S. João das Lampas e Colares (única totalmente incluída no Parque), a norte da serra de Sintra, são as que têm um maior número de habitantes, logo seguidas da freguesia de Alcabideche, localizada na vertente sul e ocupando boa parte da plataforma de Cascais, que é a mais populosa do concelho de Cascais, as de menor número de habitantes são aquelas que incluem as maiores extensões de serra, a área menos povoada do Parque.

O Parque Natural está envolvido por áreas fortemente povoadas, apresentando as freguesias vizinhas uma densidade aproximada de 500 hab./km2 e o nível envolvente de concelhos valores superiores (cerca de 1300 hab./km2), como a sub-região da Grande Lisboa onde está localizada (mais de 1700 hab./km2).

Se considerarmos a totalidade dos aglomerados, (localidades com mais de 10 fogos) e a sua distribuição geográfica concluímos que, a grande maioria, se localiza no concelho de Sintra e também que a maior parte tem menos de 200 habitantes.

Os aglomerados do Parque apresentam características essencialmente rurais vivendo apenas cerca 6200 habitantes em aglomerados urbanos, Alcabideche no concelho de Cascais com pouco mais de 3800 habitantes, e Lourel no concelho de Sintra com cerca de 2400 habitantes. De salientar que estes dois aglomerados ficam junto do limite nascente da Área Protegida, perto das principais vias de comunicação e para além da Várzea de Sintra e Cabriz, são aglomerados que apenas têm uma pequena parte no Parque Natural.

Património etnológico

Capela de S. Mamede de Janas MM Peninha MM
A ermida ou capela de S. Mamede de Janas  | Santuário da Peninha (® Manuela Marcelino).
 

A arquitetura religiosa, forma de manifestação cultural e artística, de expressão erudita ou popular, caracteriza e identifica uma região no que tem de mais simbólico, se considerarmos as lendas que se associam aos locais, às festas e aos cultos.

Na Ermida de São Mamede é importante de um ponto de vista antropológico, uma vez que, entre 15 e 17 de agosto, aqui se realiza uma curiosa romaria de pendor rural, que consiste na condução de gado em volta do templo. A tradição impõe que se façam três voltas rituais no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio e, muitas vezes, os seus donos depositam ex-votos no interior, acompanhados de ofertas, tais como trigo, cevada ou azeite (recebendo os animais, em troca, fitas de cores que conservam durante o ano). Esta "troca" devocional continua ainda a verificar-se nos dias de hoje, embora já sem a amplitude de outros tempos, em que chegou a verificar-se a afluência de manadas vindas de uma vasta região que ia de Cascais a Torres Vedras.

O Santuário da Peninha, situado num dos cumes mais elevados da serra de Sintra, sobre o cabo da Roca, insere-se num conjunto arquitetónico formado pelos vestígios da antiga ermida de São Saturnino (fundada por D. Pero Pais na época da formação do reino de Portugal), pela atual ermida de São Saturnino e pelo palacete romântico de estilo revivalista, que se assemelha a uma fortificação, construída no ano de 1918. A longa tradição mágico-religiosa deste local, a que se associa a existência de uma imagem milagrosa de Nossa Senhora, bem como a sua localização privilegiada em plena serra, fazem desta ermida de reduzidas dimensões uma verdadeira igreja de peregrinação. A dificuldade do acesso, considerado lugar e forma de penitência, era recompensada pelo esplendor do interior, revestido por azulejos azuis e brancos e mármores embutidos, que contrastava fortemente com o despojamento arquitetónico exterior.

As origens da ermida de Nossa Senhora de Milides – e sequentemente da necrópole que lhe está anexa – mergulham profundamente nas brumas da lenda. Segundo a narrativa, “vinte Portugueses meditavam uma empresa de guerra contra os Mouros (…); começavam contudo a vacilar à vista de um desproporcionado número de inimigos, e o seu ânimo varonil começava a afrouxar à vista do perigo inevitável. À moda dos tempos antigos alentavam-se com a oração neste retiro, eis senão quando ouvem uma voz que dizia – “Ide que mil ides”: despertados e eletrizados por esta voz mágica, saem resolutos, e aos gritos repetidos de Milides dão sobre os mouros, e apesar de tão desproporcionado número os desbaratam, e vêm dar graças de tão portentosa vitória à Senhora que ora em diante apelidam de Milides” (Juromenha, 1838: 157 – 158).

A Feira de São Pedro de Sintra (2º e 4º domingos de cada mês), onde são comercializados diversos produtos, é uma das mais populares do concelho de Sintra.
Na região de Sintra o artesanato é bastante vasto e diversificado, salientando-se a cerâmica, a cestaria, a tecelagem, os bordados, a olaria, a joalharia, a escultura, o azulejo, o mármore, a bijuteria e o metal.

Realizam-se algumas festas como a Procissão da Nossa Senhora dos Navegantes (15 de agosto) e a Procissão de Santo António (13 de junho) em Cascais.

No artesanato destaca-se a cerâmica artística, usando esmalte e barro.

O concelho de Sintra acolhe, no mês de agosto, diversas Festas Religiosas populares. Nas vilas e aldeias, o povo mobiliza-se na promoção de festividades em honra dos patronos das suas terras e comunidades, que num misto de profano e de sagrado expressam a sua cultura e a sua religiosidade.

As tradições e os costumes populares estão bem patentes nas danças e cantares de grupos etnográficos. As bandas filarmónicas sempre constituíram um meio privilegiado de fazer chegar a música às populações, saindo à rua e dando a conhecer o seu trabalho.

 

Património cultural

Na Resolução da UNESCO, 19ª Sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, em Berlim a 6 de dezembro de 1995, Sintra foi classificada como Património Mundial, no âmbito da categoria “Paisagem Cultural da Vila e Serra de Sintra”, por ser um conjunto em que elementos culturais e naturais são indissociáveis, articulando-se de uma forma harmoniosa.

O património edificado e natural são o ex-libris de Sintra, tal como o património literário quase lendário.

O vocábulo Sintra tem a sua mais antiga forma medieval conhecida, Suntria - astro luminoso, Sol.

Os vestígios mais antigos da ocupação humana estão na Vila de Sintra, pois em doze séculos, romanos, visigodos e árabes legaram a sua presença no “modus vivendi “ das populações. Durante a ocupação romana, César atribui a Sintra o estatuto de Municipium Civium Romanorum, havendo naquela vila vestígios da presença humana entre os séc. II-I a.C. e séc. V d.C.. Os muçulmanos deixaram as primeiras referências à vila de Sintra (Xíntara árabe), nomeadamente o geógrafo Al-Bacr (séc. X) descreve-a como “uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar”. Sintra é devolvida à coroa portuguesa em 1147, por D. Afonso Henriques que, em 1154, lhe outorga Carta de Foral. Nesta data, surgem nela vestígios da presença de uma comunidade judaica - a sinagoga e o seu bairro – a Judiaria. Nos séc. XII e XIII, fruto da fertilidade das terras, fizeram-se doações régias a conventos, mosteiros e ordens militares. Na 2ª metade do séc. XVI, Sintra foi eleita pela aristocracia que se instalou nos solares, quintas e palacetes. Após o séc. XIX parte dos terrenos férteis agrícolas dos solares transformaram-se em locais de lazer e recreio.

O auge do desenvolvimento de Sintra surge com D. Fernando II, ao introduzir o romantismo na paisagem natural e arquitetónica, adquirindo o Convento da Pena, em 1838, e transformando-o num palácio sumptuoso e mágico; na envolvência criou um parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, construiu fontes, lagos, capelas e chalets. Adquiriu o Castelo dos Mouros, recuperou florestas e plantou milhares de árvores de várias espécies.

Em 2014, o Parque da Pena recebeu a distinção de “Jardim de Camélias de Excelência” pela International Camellia Society (ICS).

O clima, os solos férteis, a proximidade do Tejo e de Lisboa tornaram Sintra um local com uma ocupação humana intensa e antiga, apresentando marcas na paisagem cultural de quase todas as épocas da História de Portugal. Situada junto à costa, a ocidente do estuário do Tejo, é a quinta vila mais populosa de Portugal.

Pensa-se que Cascais advém da palavra “cascal” (monte de cascas), por ser abundante em moluscos marinhos. A sua ocupação remonta ao Paleolítico Inferior. No Neolítico surgem os primeiros povoados. Do período romano há registo de ruínas romanas e visigóticas (vilas e necrópoles). Restaram palavras de origem latina como Caparide. A influência árabe regista-se em nomes de localidades - Alcoitão, Alcabideche.

No séc. XII, Cascais é uma aldeia de pescadores e lavradores. No interior desenvolveu-se a agricultura e a vinha (Carcavelos). Foi um importante porto de pesca e de desembarque das armadas nos Descobrimentos. Após o séc. XVI construíram-se as primeiras fortificações no litoral e, após 1640, foi edificada uma dezena de baluartes defensivos importantes na defesa de Lisboa.

Em meados do séc. XIX, Cascais torna-se no ex-libris das praias portuguesas e o turismo surge já como uma importante atividade económica. É um destino turístico apreciado internacionalmente - clima ameno, boas praias, belas paisagens e boa oferta hoteleira e gastronómica.

O séc. XX foi o período de grande construção de casas nos antigos terrenos de lavoura; inicia-se a construção do Casino (1916). Durante e após a II Guerra Mundial, Cascais é já um centro turístico de referência internacional, tendo acolhido grande número de exilados e refugiados de guerra, bem como várias personalidades na área desportiva e cultural. Ainda hoje, Cascais é um espaço de acolhimento pautado por critérios de qualidade turística e cultural.

 

Património arqueológico

Anta de Adrenunes
Conjunto de pequenos penedos que poderá ter sido utilizada como necrópole coletiva durante o longo período megalítico português, sem aparente modelação humana a essa finalidade, uma das razões pelas quais não deverá ser entendida como “Anta”/”Dolmen”.

Calçada e ponte romanas e azenha na Catribana
Integraria uma via secundária destinada a unir duas uillae suficientemente importantes para a requererem, através da qual se acederia a uma via principal, numa confirmação da importância económica assumida pela região de Sintra durante o período de ocupação romana do atual território português. A estação arqueológica é de igual modo constituída por uma ponte sobre a ribeira de Bolelas, de arco único e parapeito, entretanto restaurada em períodos mais recentes.

Conjunto de Silos Medievais de Colares
Escavados no solo e implantados junto à Igreja Matriz de N. Sra. da Assunção. Foram exumados, nestes silos, bastos artefactos arqueológicos medievais e de cronologias posteriores.

Depósitos da idade do bronze do Monte do Sereno
Integram-se cronologicamente no Bronze final.

Estação lusitana-romana dos Casais Velhos
Localizada num outeiro sobranceiro às dunas do Guincho, salienta-se a existência de vestígios de um muralhado e de um torreão, a testemunhar a fortificação do sítio na Antiguidade. Tal como sucedia nas demais uillae possuía uma necrópole. Um vasto espólio associado constituído por recipientes cerâmicos, joias, armas e moedas sugerem uma ocupação mais duradoura do arqueossítio já no fim do Império Romano do Ocidente.

Monumento pré-histórico da praia das Maçãs
Escavado na rocha durante o Calcolítico, este monumento megalítico apresenta uma estrutura bastante complexa.

Necrópole da Capela de São Mamede de Janas - cripta implantada sob o vão principal da ermida circular. Com cronologia dos séculos XVI a XVIII, embora algumas das estruturas patentes remontem a períodos medievos anteriores. Capela quinhentista dedicada ao protetor dos animais.

Necrópole pré-histórica do Vale de São Martinho
O conjunto funerário é constituído por dois tholoi de aparente configuração semicircular, com corredor orientado a este. Datáveis do terceiro milénio a.C..

Sítio Calcolítico da Penha Verde
O povoado situa-se no cabeço da Penha Verde entre um caos de blocos graníticos. Contrastando com o ambiente geológico em que se implanta o povoado, todas as estruturas até agora postas a descoberto encontram-se construídas com lajes de calcário.

Sítio de Santa Eufémia da Serra e Ermida
Um dos mais antigos locais de povoamento humano da serra de Sintra. Aqui existiu um aglomerado neolítico, datado de c. 4000 a. C., posteriormente utilizado durante a proto-história e o período romano. As privilegiadas condições de defesa do local terão determinado uma tão ancestral ocupação humana, que continuou pelos séculos mais recentes.

Sítio Romano da “Vila velha” de Sintra
A vila e Necrópole Romanas da Rua da Ferraria situam-se dentro da malha urbana da Vila de Sintra e do Arrabalde. A Necrópole Medieval de Nossa Senhora de Milides, próximo da Abreja. Em redor da ermida subsiste uma necrópole medieval parcialmente aberta sobre um campo de silos alto-medievais.

Tholos do Monge
Monumento funerário de falsa cúpula, datado do Calcolítico e erguido num dos pontos altos da serra de Sintra. Foi moldado na rocha local sendo um dos monumentos, do seu género, mais bem conservados do país.

Villa romana de Santo André de Almoçageme
Villa edificada durante o período mais tardio da ocupação romana do atual território português, ocorrido entre os séculos III e V d. C., com especial destaque para os vestígios de uma residência. O espólio recolhido encontra-se patente ao público no Museu Regional de Sintra.

 

Património arquitetónico

Como referido atrás, por todo o Parque Natural abundam vestígios da ancestral humanização da paisagem, remontando os mais antigos ao Paleolítico. Romanos, visigodos e árabes, deixaram marcas profundas no modus vivendi das populações. Alguns dos seus traços são ainda observáveis em estruturas rurais, tais como o casal saloio, os sistemas de moagem tradicional (moinhos de vento e azenhas), os sistemas de captação de água, fontes e fontanários, refletindo uma estrutura social suportada por uma economia rural, baseando a sua interação com o meio envolvente em premissas de singeleza e de respeito pela natureza.

Paralelamente a uma sociedade rural que ocupou os solos mais férteis e planos, a nobreza descobre os encantos deste território. Sobretudo a partir do séc. XIX, transforma parte da valência agrícola que as suas quintas e palácios representavam, em espaços de ócio e intensas vivências culturais e artísticas, características que se mantêm até hoje.
Destes, destacam-se seguidamente alguns deles, estando listados por ordem alfabética.

Quintas e Palácios

Palácio da Pena Seteais MM
Palécio da Pena (® Eduardo Gameiro) | Palácio de Seteais (® Manuela Marcelino).
 
 
Chalet da Condessa de Edla ou Chalet da Condessa
Cantora alemã agraciada com o título de Condessa de Edla, chegou a Portugal em 1860. O chalet é uma típica moradia romântica, obra ímpar da nossa arquitetura oitocentista.
 
Conjunto formado pela casa dos Lafetás ou Vila Cosme
Foi edificada em 1556 por Cosme de Lafetá, filho de um mercador milanês residente em Lisboa. Capitão-mor da Armada portuguesa, o fidalgo participou na defesa da praça-forte de Chaúl, na Índia.
 
Palácio de Seteais
Concluído em 1787, o primitivo Palácio de Seteais conheceu uma importante campanha de obras neoclássica, patrocinada pelo 5º Marquês de Marialva. Adquirido pelo Estado, foi inaugurado, como hotel, em 1954.
 

Palácio do Conde de Castro Guimarães ou Torre de São Sebastião
Palacete de veraneio constitui um exemplo de ecletismo, ao mesmo tempo unificador de várias linguagens arquitetónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade.

Palácio Nacional de Sintra
O Palácio Nacional de Sintra é o único sobrevivente íntegro dos paços reais medievais em Portugal. Muito provavelmente foi construído sobre a residência dos wallis muçulmanos e, desde o início da monarquia, os monarcas portugueses aqui tiveram um Paço. As principais campanhas de obras que lhe conferiram o aspeto atual devem-se a D. João I, que o reconstruiu, e a D. Manuel I, que acrescentou a hoje denominada ala manuelina. Afetado pelo grande terramoto de 1755, foi logo reconstruído "à maneira antiga", e durante os séc. XIX e XX sofreu ainda outras obras que transformaram irremediavelmente algumas partes. A partir de 1940, foi convertido em museu. A capela, reformulada na campanha de D. Manuel I, filia-se no estilo mudéjar, pelo tapete de azulejos hispano-mouriscos das paredes, de que subsistem muito poucos testemunhos em Portugal. Desses dois primeiros períodos, o principal destaque vai para a cozinha, com as suas duas chaminés de 33 m de altura, a Sala Árabe, parcialmente revestida com azulejos de matriz geométrica, ou o magnífico pátio central, com os seus arcos geminados cairelados.

Parque e Palácio da Pena
De características marcadamente românticas, foram construídos por ordem do Rei D. Fernando II (1816-1885). Recusando a rigidez formal dos jardins clássicos o parque foi planeado de modo a se aparentar com uma ideia de naturalidade quase perfeita.

Parque e Palácio de Monserrate
Devem o seu nome à suposta construção na Quinta da Boa Vista de uma pequena capela votiva a Nossa Senhora de Monserrate, venerada no Eremitério Beneditino de Monserrat, na Catalunha. Em 1856, Monserrate é adquirida pelo inglês Francis Cook, que transforma a quinta num dos principais jardins exóticos da era vitoriana, com coleções de plantas de espécies oriundas dos cinco continentes.

Quinta da Charneca
Quinta na freguesia de Cascais com fundação setecentista, hoje bastante alterada, mas conservando ainda uma extensa área envolvente. 
 
Quintas em Alcabideche
Esta freguesia concentra, em Cascais, o maior número de quintas, algumas delas em ruínas, nomeadamente as Quintas de Vale de Cavalos, do Marquês de Angeja, de Santa Rita e do Casal de Assamassa. Nesta freguesia, assumem maior relevância: 
  • Casal de Porto Covo, no Pisão de Cima - imóvel em vias de classificação, cuja propriedade agrícola com raiz medieval se manteve ocupada até ao final do séc. XIX. Hoje, ainda existem um forno de cal, ruínas de uma azenha, larga extensão de aquedutos, e uma capela datada de 1766; e
  • Quinta do Pisão de Baixo - integra o Casal da Cartaxa, ao longo da ribeira das Vinhas possui  azenhas, aquedutos e pontes.


Quinta da Regaleira
Originalmente conhecida por quinta da Torre remonta a 1697. A maior parte das construções hoje existentes devem-se a António Augusto Carvalho Monteiro, proprietário a partir de 1892, homem de vasta cultura e riqueza. À profusa decoração de todo o palacete, anexos e jardins, pode apontar-se uma linha orientativa de cariz esotérico, conjugada com a simbólica nacionalista dos estilos arquitetónicos neo aqui utilizados. As origens da quinta hoje denominada da Regaleira, então conhecida por quinta da Torre, parecem remontar ao ano de 1697. Os símbolos nacionalistas que encontramos na Regaleira, bem como o gosto revivalista no qual tão bem se inserem, resultam da conjugação do seu gosto e sensibilidade com o projeto do arquiteto e cenógrafo Luigi Manini. Foi adquirida pela Câmara Municipal de Sintra resultando daqui o seu restauro progressivo e a sua abertura ao público. A quinta integra um magnífico jardim, que compõe um curioso percurso de características marcadamente cenográficas. Para este percurso, bem como para o imenso acervo iconográfico que compõe a profusa decoração de todo o palacete, anexos e jardins, pode apontar-se uma orientação de cariz esotérico, conjugada com a simbólica nacionalista dos estilos arquitetónicos neo aqui utilizados. Particularmente impressionante, neste contexto, é o grande poço, conduzindo progressivamente a e o visitante até ao fundo, decorado com uma cruz templária e uma rosa dos ventos, através de uma descida espiralada.

Quinta de São Sebastião
Começou a adquirir parte do seu atual aspeto no séc. XVIII, altura a que se atribui a construção do grandioso edifício civil habitacional, em torno do qual se organizam as restantes partes constituintes da propriedade.

Quinta de Vale de Marinha
Considerada como exemplo quer de um complexo agrícola da região, com casa de habitação e edifícios de apoio, quer de um sistema hidráulico de recuperação e distribuição da água, da qual restam poucos exemplos na região de Almoçageme.
 
Quinta do Relógio
Antes do atual palacete neoárabe, que domina a propriedade, existiram outras formas de aproveitamento desta quinta.
 
Quinta dos Ribafrias
O morgado da Torre de Ribafria foi instituído em 1536 por Gaspar Gonçalves, porteiro-mor da Câmara Real, na sua herdade das Laranjeiras, em Sintra, que lhe havia sido doada por D. Manuel I, em 1515. O palacete, de erudita linguagem renascentista, integra um torreão de inspiração medieval.
 

Igrejas, conventos e ermidas

Convento dos Capuchos CGV Peninha romaria MM
Convento dos Capuchos (® Cristina Girão Vieira) | Romaria à Peninha (® João Luís Dória).
 

Capela da Misericórdia de Colares
A Misericórdia de Colares foi fundada em 1623 por D. Dinis de Melo e Castro. A capela possui uma estrutura marcada pela sobriedade.

Capela de São Mamede de Janas
O sítio de São Mamede de Janas tem uma longa história de sacralidade, remontando as suas origens, pelo menos, ao período de domínio romano, altura em que aqui se terá edificado um primitivo templo.

Convento de Sant’Ana da Ordem do Carmo e Quinta
O edifício que hoje conhecemos resulta da campanha mecenática de D. Dinis de Melo e Castro, a que se vieram reunir intervenções de cariz barroco. Com a extinção das Ordens Religiosas, o convento foi adquirido por particulares, transformando-se em quinta.

Convento dos Capuchos ou convento de Santa Cruz dos Capuchos
Implantado na serra de Sintra, foi instituído em 1560 por D. Álvaro de Castro, cumprindo o voto de seu pai, D. João de Castro, Vice-Rei da Índia. Os primeiros franciscanos capuchos que aqui habitaram privilegiavam a pobreza e a ascese, que se traduziu na arquitetura.

Ermida de São Mamede
A atual configuração data da época moderna. O caráter erudito da sua estrutura central, circular, sugere tratar-se de uma obra devida a Francisco d'Ollanda.

Igreja da Penha Longa
A fundação do mosteiro jerónimo da Penha Longa, a primeira casa da Ordem Jerónima em Portugal, data dos últimos anos do século XIV.

Igreja de Santa Maria (Sintra)
A principal construção religiosa gótica da vila. A construção inicial deve remontar à segunda metade do séc. XII. Pelos finais do séc. XIII ou nos meados do séc. XIV, deu-se uma total reforma do edifício, responsável pelo atual aspeto do templo.

Igreja matriz de São João das Lampas
O testamento de Martim Soudo, datado de 1421, constitui a mais antiga referência à atual igreja matriz, templo que, pouco ou nada conserva do seu passado tardo-gótico.

Santuário da Peninha
Situado num dos cumes mais elevados da serra de Sintra, insere-se num conjunto arquitetónico formado pelos vestígios da antiga ermida de São Saturnino, pelo palacete romântico de estilo revivalista, a capela remonta ao séc. XVII. A campanha decorativa da capela ter-se-á prolongado, pelo menos, até 1711.

 

Estruturas militares
Castelo dos Mouros MM Forte da Crismina MM
Castelo dos Mouros | Forte da Crismina (® Manuela Marcelino).
 
Castelo dos Mouros e cisterna
O castelo dos Mouros é um dos mais emblemáticos espaços que o Romantismo da serra de Sintra cristalizou. A sua configuração atual é o resultado de três grandes etapas construtivas. A cisterna, localizada no centro do reduto defensivo, fazia parte do projeto islâmico e destinava-se a abastecer uma população considerável. Com a Reconquista do território, os novos poderes cristãos renovaram os privilégios e as condições de evolução da vila. É à segunda metade do séc. XII que se atribui a igreja de São Pedro de Canaferrim, uma das mais importantes capelas românicas. Só no séc. XIX, com o intenso movimento de redescoberta e de recuperação da Idade Média idealizada, o velho castelo voltou a ser alvo de atenções.
 
Forte da Roca
Localizado a sul do cabo da Roca, é um dos mais desconhecidos monumentos militares da região de Sintra, mas, durante a Idade Moderna, desempenhou um importante papel na defesa e vigia da entrada de Lisboa.
 
Fortificações de defesa da costa no concelho de Cascais
Após a Restauração, foi delineada uma estratégia defensiva da barra do Tejo. Ao longo da costa, desde a ponta do Espinhaço até Lisboa, foram construídas pequenas fortificações que cruzavam fogo entre si, defendendo os areais, possíveis focos de desembarques das armadas inimigas, nomeadamente:
  • Forte do Guincho ou das Velas;
  • Forte da Galé;
  • Bateria Alta da praia da Água Doce;
  • Forte da Crismina;
  • Forte de S. Brás de Sanxete;
  • Forte de S. Jorge de Oitavos ou Cabeça de Oito Ovos;
  • Forte da Lagem do Ramil / Romel ou de N. Sra.da Guia,
  • Baluarte do Rio do Bode ou Bateria de N. Sra. da Luz ou forte de Santa Marta;
  • Cidadela de Cascais, formando conjunto com a Fortaleza de N. Sra. da Luz;
  • Forte Novo; e
  • Vigia do Facho. 


Cartaz sobre fortificações de defesa da costa [PDF 496 KB]

 

Outras estruturas

Antigo repuxo da vila de Sintra
Em pleno Jardim da Preta, associado ao Paço da Vila de Sintra, o que resta do antigo repuxo da Vila corresponde a uma obra manuelina de assinalável qualidade, edificada nas primeiras décadas do século XVI.

Marégrafo de Cascais
Localizado à entrada da baía de Cascais, junto à cidadela, o Marégrafo, um dos primeiros a ser construídos em território nacional, é o "zero de referência" altimétrica para toda a cartografia nacional.

Pelourinho de Colares
Na Baixa Idade Média, Colares foi uma das mais importantes povoações do termo de Sintra. Recebeu foral de D. Afonso III, em 1255.

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