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Classificação | Caracterização

Classificação | Caracterização
Porque foi classificado o Parque Natural da Serra da Estrela. Caracterização e mapa.
 
PNSE - Vale do Rossim barragem António Correia 710-150 pxl
Vale do Rossim (® António Correia).

 

Classificação

O Decreto-Lei n.º 557/76 de 16 de julho, classificou o maciço da Estrela como Parque Natural, referindo tratar-se de "uma região de característica economia de montanha" onde subsistem "refúgios de vida selvagem e formações vegetais endémicas de importância nacional".

Acrescente-se que à classificação não foi alheio o valor paisagístico do conjunto, "uma personalidade" no dizer de Torga, nem as ameaças em termos de ocupação do espaço.

Caracterização

PNSE - serra
Serra da Estrela.

No Parque Natural da Serra da Estrela, acidente orográfico que em conjunto com as serras do Açor e da Lousã forma o extremo ocidental da Cordilheira Central, podem distinguir-se cinco principais unidades paisagísticas:

  • o planalto central;
  • os picos e algumas cristas que se estendem a partir destes;
  • os planaltos a menor altitude;
  • as encostas; e
  • os vales percorridos por linhas de água.

 

Aqui, encontra-se o ponto mais alto de Portugal continental e parte importante de três bacias hidrográficas (Douro, Tejo e Mondego). A paisagem superior da serra, por ter sofrido uma forte influência da glaciação quaternária, possui uma morfologia peculiar.

O Parque Natural apresenta um variado mosaico de habitats, conjugando elementos representativos de diversas regiões biogeográficas. É, como expectável, a área mais emblemática de Portugal continental para valores naturais associados à altitude, muito deles com caráter exclusivo. Merecem especial referência os cervunais (6230), habitat prioritário constituído por arrelvados de Cervum Nardus stricta, onde ocorre uma importante flora endémica (e.g. Festuca henriquesii, Leontodon pyrenaicus subsp. herminicus e Ranunculus abnormis) ou rara (e.g. Alchemilla transiens e Gentiana lutea), os zimbrais-anões de Juniperus communis (4060), comunidade arbustiva exclusiva da serra da Estrela com uma pequena área de ocupação acima dos 1700 m de altitude, e as charcas e lagoas permanentes orotemperadas (3130), igualmente exclusivas, onde se pode observar flora de distribuição restrita, caso da relíquia glaciar Sparganium angustifolium.

De grande importância são também as turfeiras (7140), outro habitat exclusivo, os sensíveis urzais turfófilos (4010), instalados sobre mouchões ou tapetes muscinais, o habitat prioritário de urzais-tojais meso-higrófilos e higrófilos (4020) e os prados dominados por Minuartia recurva subsp. juressi e Festuca summilusitana (6160), exclusivos dos afloramentos graníticos convexos do planalto estrelense.

De mencionar ainda as comunidades exclusivamente estrelenses de Sedum anglicum subsp. pyrenaicum (8230), acantonadas às cotas superiores da serra, as comunidades de montanha de Caldoneira (4090) Echinospartum ibericum, que atingem o seu ótimo no Sítio "Serra da Estrela", os matos de piorno-serrano (5120) (Cytisus oromediterraneus, syn. C. purgans), praticamente confinados às vertentes orientais, acima dos 1400 m, onde atingem um elevado grau de cobertura, as cascalheiras graníticas de corologia estrelense (8130), onde vegeta flora que, em Portugal, é exclusiva do Parque, e os bosquetes de teixo Taxus baccata que, para além da serra da Estrela, se encontram somente assinalados para o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

É um Parque Natural muito importante para diversas espécies do género Festuca, caso das F. summilusitana, F. elegans e F. henriquesii, sendo o único local conhecido para esta última. Aqui ocorrem também os briófitos Bruchia vogesiaca e Marsupella profunda e as compostas Centaurea rothmalerana, um endemismo estrelense, e C. micrantha subsp. herminii. É ainda o Parque Natural onde se observa o maior número de efetivos de Narcissus asturiensis.

Narcissus asturiensis - Paulo Barros
Narcissus asturiensis (® Paulo Barrros).
 

A região do Planalto Central da Serra da Estrela é o único local de ocorrência em Portugal da lagartixa-de-montanha Lacerta monticola, espécie endémica da Península Ibérica.

Este Parque Natural inclui linhas de água bem conservadas, de grande importância para a lontra Lutra lutra, o lagarto-de-água Lacerta schreiberi e particularmente para a salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica, atendendo a que se trata de uma área de elevada diversidade genética e de maior vulnerabilidade para a espécie. Engloba também locais importantes para a conservação da toupeira-de-água Galemys pyrenaicus, coincidindo com o limite sul da sua área de distribuição e integrando populações que se consideram reduzidas e ameaçadas.

Ocorrem ainda invertebrados de distribuição reduzida, nomeadamente a cabra-loura, vaca-loura ou carocha Lucanus cervusGeomalacus maculosusCallimorpha quadripunctaria e a libélula Oxygastra curtisii.
 

Mapa

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PNSE - mapa com legenda

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A imagem estilizada de um cristal de gelo alude ao papel da água no modelar do perfil da Serra da Estrela, nomeadamente aquando da última glaciação.

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