Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural da Serra da Estrela.

Rana perezi Rã-verde Cristina Girão Vieira
Rã-verde Rana perezi na barragem do Vale Rossim (® Cristina Girão Vieira).

A fauna distribui-se pelos cinco grandes meios que são facilmente reconhecíveis na serra da Estrela:

  • o Meio Rural;
  • o Meio Florestal;
  • o Meio Arbustivo;
  • o Meio Subalpino; e
  • os Cursos de água.

 

Meio Rural

Buteo buteo voo Cristina Girão Vieira Sturnus unicolor Estorninho-preto Cristina Girão Vieira
Búteo ou águia-de asa-redonda Buteo buteo (® José Carlos Figueiredo) e estorninho-preto Sturnus unicolor (® Cristina Girão Vieira)

Envolvendo a serra, numa cintura que vai até aos 900 m de altitude, vamos encontrar uma zona onde se situam as principais povoações e se pratica uma agricultura assente na pequena propriedade. Este meio, onde os solos são mais férteis e há agua em abundância, permite que, num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha, simultaneamente, de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados).

O búteo ou águia-de-asa-redonda Buteo buteo e a raposa Vulpes vulpes refugiam-se em pequenos pinhais e caçam em áreas abertas, enquanto o sapo-comum Bufo bufo, que se esconde em muros e zonas arbustivas, alimenta-se nas hortas e vai acasalar em charcos e linhas de água. Por outro lado, a toupeira Talpa occidentallis, que apareceu à superficie da terra num lameiro, poderá constituir a próxima refeição da coruja-das-torres Tyto alba que habita o velho pombal; a lagartixa-ibérica Podarcis hispanica caça por entre as pedras do muro que limita a vinha onde saltou uma lebre Lepus capensis. Uma poupa Upupa epops que deixou a cavidade de uma velha oliveira e veio sondar com o seu bico recurvado o solo de um pousio; na orla deste, um coelho Oryctolagus cuniculus espreita de dentro do giestal.

Um prolongamento do meio Rural em altitude (900-1400 m) é o domínio das searas de centeio, implantadas nos terrenos mais amplos e de solos pobres. Elas constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido das quais se destacam o tartaranhão-caçador Circus pygargus, a codorniz Coturnix coturnix e a laverca Alauda arvensis.

Meio Florestal

Circaetus gallicus Águia-cobreira Cristina Girão Vieira Accipiter nisus Gavião da Europa Cristina Girão Vieira
Águia-cobreira Circaetus gallicus e gavião Accipiter nisus (® Cristina Girão Vieira).

Este meio abrange essencialmente os andares basal e médio, sendo constituído pelas áreas cuja vegetação tem o estrato arbóreo como dominante. Nele podem diferenciar-se por um lado, as matas de espécies autóctones – Carvalhais, Soutos / Castinçais e Azinhais – e por outras matas de espécies introduzidas – Pinhais e Matas de espécies exóticas.

As inúmeras fendas e cavidades dos troncos dos grandes castanheiros constituem ótimos locais de abrigo e reprodução para morcegos, a geneta Genetta genetta, a fuinha Martes foina, a coruja-do-mato Strix aluco, o estorninho-preto Sturnus unicolor e o pardal-francês Petronia petronia – raro nesta região (soutos, zonas agrícolaas...).

Quanto ao carvalhal, o único vertebrado que vale a pena referir é a felosa de Bonelli Phylloscopus bonelli.

Pode-se ainda observar em áreas de azinheiras, a imponente águia-cobreira Circaetus gallicus especializada na captura de ofídios como a cobra-de-ferradura Coluber hippocrepis. Será mais difícil avistar um javali Sus scrofa ou um dos vários mamíferos carnívoros que, sendo animais de atividade noturna ou crepuscular, aproveitam a impenetrabilidade do azinhal para nele se refugiarem durante o dia.

No Pinhal concentram-se a maioria das espécies típicas do meio florestal, dai a sua importância. O grupo das aves é disso um bom exemplo. Assim, rapinas como o gavião Accipiter nisus e o raro açor Accipiter gentilis, pequenos passeriformes como os chapins e a estrelinha-de-cabeça-listada Regulus ignicapillus e espécies de médio porte como o gaio Garrulus glandarius, o pombo-torcaz Columba palumbus ou os picapaus têm no pinhal o seu principal domínio de existência.

Meio Arbustivo

Erithacus rubecula Pisco-de-peito-ruivo Cristina Girão Vieira Canis lupus Lobo
Pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula (® Cristina Girão Vieira) e lobo Canis lupus.

Este meio é habitualmente muito denso e inclui zonas raramente visitadas pelas pessoas, pelo que constitui um local de refúgio para inúmeros mamíferos, como o texugo Meles meles e suporta pequenas aves insetívoras como as toutinegras, a carriça Troglodytes troglodytes e o pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula, bem como répteis e anfíbios como a sardanisca-argelina Psammodromus algirus e o sapo-parteiro Alytes obstetricans. 

Aos matos juntam-se elementos arbóreos e blocos rochosos, onde ainda se escondia num passado recente uma população de lobo Canis lupus, outrora comum na serra.

Meio Subalpino

No maciço central, acima dos 1600 m, onde os solos são praticamente inexistentes, a lagartixa-da-montanha Lacerta monticola é um animal bem adaptado à vida nas rochas, sobre as quais pode ser vista a caçar pequenos insetos. Este réptil é exclusivo da Peninsula Ibérica onde frequenta zonas de altitude sendo a serra da Estrela o único local onde ocorre em Portugal. Algumas aves utilizam o meio rochoso apenas como abrigo e área de criação. É o caso da gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax e do bufo-real Bubo bubo.

Cursos de água

Galemys pyrenaicus Toupeira-de-água Chioglossa lusitanica Salamandra-lusitânica Paulo Barros
Toupeira-de-água Galemys pyrenaicus e salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica (® Paulo Barros). 

A fauna acompanha as modificações operadas nas margens dos rios e ribeiros, o melro-de-água Cinclus cinclus, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus – um dos mamíferos mais raros de Portugal e considerado como uma relíquia biológica, a rã-ibérica Rana iberica e uma salamandra de difícil observação – a quioglossa ou salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica - frequentam preferencialmente as correntes de águas límpidas e frias. A baixa altitude aumenta a capacidade de suporte dos cursos de água induzindo um maior numero de espécies animais, podendo encontrar-se o guarda-rios Alcedo atthis, a garça-real ou cinzenta Ardea cinerea, o rouxinol Luscinia megarhynchos, a alvéola-cinzenta Motacilla cinerea, a lontra Lutra lutra, o musaranho-de-água Neomys anomalus, o lagarto-de-água Lacerta schreiberi, a cobra-de-água-viperina Natrix maura, entre outros.

(in Estrela, uma visão natural, António Pena e José Cabral)

 

Espécies de Fauna constantes do anexo B-II do Decreto-Lei nº 49/2005 de 24/02
 Codigo
Nome científico Nome vulgar
1078 Callimorpha quadripunctaria  
1088 Cerambyx cerdo  
1065 Euphydryas aurinia  
1024 Geomalacus maculosus  
1083 Lucanus cervus Cabra-loura, vaca-loura, carocha
1041 Oxygastra curtisii Libélula, libelinha
1116 Chondrostoma polylepis Boga-comum
1135 Rutilus macrolepidotus Ruivaco
1172 Chioglossa lusitanica Salamandra-lusitânica
1249 Lacerta monticola Lagartixa-da-montanha
1259 Lacerta schreiberi Lagarto-de-água
1221 Mauremys leprosa Cágado-mediterrânico
1301 Galemys pyrenaicus Toupeira-de-água
1355  Lutra lutra  Lontra 
1308  Barbastella barbastellus   Morcego-negro
1310  Miniopterus schreibersi Morcego-de-peluche 
1307 Myotis blythii   Morcego-rato-pequeno
1321  Myotis emarginatus  Morcego-lanudo 
1324  Myotis myotis  Morcego-rato-grande 
1305 Rhinolophus euryale  Morcego-de-ferradura-mediterrânico 
1304 Rhinolophus ferrumequinum  Morcego-de-ferradura-grande 
1302  Rhinolophus mehelyi  Morcego-de-ferradura-mourisco 
1303  Rhinolophus hipposideros  Morcego-de-ferradura-pequeno 

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U.A.: 2017-10-27