Flora

Flora
Flora do Parque Natural da Serra da Estrela.

PNSE - vale glaciar do Zêzere
Vegetação no vale do Zêzere.

A flora e a vegetação do Parque Natural da Serra da Estrela apresentam características únicas em Portugal, que se traduzem, por um lado, na existência de cinco espécies, duas subespécies e sete formas e variedades estritamente endémicas da serra da Estrela e, por outro, numa zonação altitudinal muito característica, que é fruto da elevada altitude da serra.

Em termos de conservação, no que diz respeito à flora, encontram-se no Parque nove espécies de plantas incluídas no anexo II, cinco espécies incluídas no anexo IV e 23 espécies incluídas no anexo V da Diretiva 92/43/CEE (“Diretiva Habitats”).

No que se refere à zonação altitudinal, a vegetação da serra da Estrela encontra-se diferenciada em três andares, cujos limites podem oscilar, sensivelmente, de acordo com o local considerado:

  • andar basal (até 800-900 m);
  • andar intermédio (de 800 a 1600 m); e
  • andar superior (acima dos 1600 m).

 PNSE - vegetação 1
Vegetação no andar basal.

O andar basal, de acentuada influência mediterrânica, está sujeito a um aproveitamento cultural intenso por parte das populações, pelo que a vegetação natural é praticamente inexistente. Contudo, subsistem ainda alguns vestígios da vegetação natural, nomeadamente os azinhais e as comunidades de azereiro Prunus lusitanica. Nos vários tipos de aproveitamento agrícola existentes no andar inferior salientam-se a cultura do milho, da vinha e da oliveira. O aproveitamento florestal baseia-se principalmente na plantação de pinheiro-bravo Pinus pinaster, que atinge, em vários locais, o andar intermédio.

O andar intermédio corresponde ao domínio climácico do carvalho-negral Quercus pyrenaica. Os principais tipos de vegetação natural e seminatural que se encontram neste andar são os carvalhais, os castinçais e matos de vários tipos. Nas zonas onde o coberto arbóreo se apresenta degradado encontram-se os matos. Os principais são os giestais de giesteira-brava Cytisus multiflorus, em que também ocorre o rosmaninho Lavandula stoechas ssp. sampaioana, os urgeirais de Erica australis ssp. aragonensis (Urgeira), que se associa ao zimbro Juniperus communis ssp. alpina e os piornais de piorno-dos-tintureiros Genista florida ssp. polygaliphylla, associado à giesteira-das-serras Cytisus striatus.

Quercus pyrenaica Carvalho-negral Cristina Girão Vieira Juniperus communis ssp alpina Zimbro Cristina Girão Vieira
O Carvalho-negral ou pardo da Beira Quercus pyrenaica e o zimbro Juniperus communis ssp. alpina (® Cristina Girão Vieira)
 

O andar superior corresponde, na atualidade, ao domínio do zimbro Juniperus communis ssp. alpina. É admitido que, no passado, o pinheiro-silvestre ou de casquinha Pinus sylvestris, o bidoeiro ou vidoeiro Betula pubescens e o teixo Taxus baccata tenham ocupado a parte superior da serra, após o recuo dos glaciares wurmianos. Em resultado da desflorestação e, possivelmente, por influência de alterações climáticas posteriores, esta área encontra-se totalmente desprovida do coberto arbóreo primitivo. Atualmente, a vegetação da parte superior da serra é constituída por um mosaico que inclui zimbrais, cervunais, arrelvados, comunidades rupícolas e comunidades lacustres.

Pinus sylvestris Pinheiro-de-casquinha Cristina Girão Vieira Taxus baccata Teixo Cristina Girão Vieira
Ramos de pinheiro-silvestre ou de casquinha Pinus sylvestris e o tóxico teixo Taxus baccata (® Cristina Girão Vieira). 

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