Flora

Flora
Flora do Parque Natural da Serra de São Mamede.

PNSSM - vegetação e rocha Carlos Franco
Vegetação (® Carlos Franco).

Devido à sua localização geográfica (centro e interior do país) e à presença da serra, que irrompe subitamente destacando-se da planície alentejana, o Parque Natural da Serra de S. Mamede apresenta um conjunto de características geológicas, e por consequência edáficas e climáticas, que lhe conferem um caráter peculiar e que se refletem na flora, coberto vegetal e na fauna. Assim, os fatores naturais, bem como a ancestral e contínua presença humana que tem vindo a exercer significativas modificações, contribuíram, em sinergia, para uma notável diversidade das espécies e comunidades naturais e seminaturais.

No Parque existe uma diversidade florística considerável, com cerca de 800 espécies que aqui encontraram condições ideais para o seu crescimento e desenvolvimento, apresentando características de índole centro-europeia e mediterrânica e características de índole atlântica.

As áreas com coberto arbóreo de sobreiro Quercus suber são predominantes, estando ainda bem representado o coberto de carvalho-negral Quercus pyrenaica. A azinheira Quercus rotundifolia, que ocupava uma vasta área nas orlas da serra, ocorre pontualmente na serra, encontrando-se restringida a locais em que as condições edafo-xerófitas o permitem.

Podem ainda identificar-se outros habitats, como os matos arborescentes, matos de leguminosas áfilas, brejos e estevais, vegetação ripícola, meios húmidos e herbáceas anuais e vivazes, vegetação rupícola nos frequentes afloramentos rochosos (graníticos, quartzíticos), manchas seminaturais e explorações abandonadas e diversas zonas antropogénicas, tais como como olivais, castinçais e soutos, pastagens, pinhais e eucaliptais. De salientar, também, a presença de habitats de caráter reliquial e residual, nomeadamente pequenas turfeiras meridionais, que ocupam espaços em plataformas húmidas, fundos de vales e orlas de cursos de água em gargantas.

No referente às zonas cultivadas, enquanto nas encostas a sul predominam as culturas de caráter mediterrâneo, como o olival, vinha e figueiral, nas encostas expostas a norte e em zonas de altitude cultiva-se a cerejeira, o castanheiro Castanea sativ), sendo frequentes os castinçais entre os 500 e 700 m, a aveleira Corylus avellana e a nogueira Juglans regia.

Castanea sativa Castanheiro ouriços Cristina Girão Vieira Corylus avellana Aveleira fêmea Cristina Girao Vieira
Ouriços de castanheiro Castanea sativa e aveleira Corylus avellana fêmea com avelãs (® Cristina Girão Vieira)  

As zonas artificializadas compreendem uma enorme área de pinhal de Pinus pinaster, que ocupa a maior parte do maciço central da serra, e eucaliptal, bastante fragmentado e não ultrapassando as maiores manchas os 350 ha.

Ocupando pequenos espaços em plataformas húmidas, fundos de vales e orlas de cursos de água em gargantas, há ainda pequenas turfeiras meridionais com Sphagnum auricolata e espécies associadas.

Destacam-se algumas espécies silvestres raras, como o Lamium bifidum e o Trisetum scabrisculum, e algumas curiosas, como a erva-pinheira-orvalhada Drosophyllum lusitanicum.

Nalguns vales existe uma boa integração entre as culturas agrícolas e os espaços naturais, adquirindo a paisagem um caráter harmonioso e com valor paisagístico.