História | Cultura

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Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural da Serra de São Mamede.

PNSSM - vista do miradouro da Sra da Penha frente a C Vide
Vista do miradouro da Sra. da Penha frente a Castelo de Vide (® Carlos Franco).

Paisagem

Segundo a Carta das Regiões Naturais, a área coberta pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede divide-se em quatro grupos de paisagens. As unidades de paisagem resultam da desagregação dos níveis de informação daquela Carta, dividindo o território em áreas homogéneas do ponto de vista natural, tendo em conta características geológicas, orográficas, climáticas entre outras.

No caso do Parque, constata-se que a litologia e a altimetria são determinantes na definição e na distribuição das unidades de paisagem.

No território do Parque existem as seguintes unidades de paisagem, com as seguintes características:

  • Montanha: pastagens, relevo acidentado, solos de fraca retenção hídrica, forte pluviosidade, vegetação esparsa e forte amplitude térmica;
  • Regadio dominado: relevo acidentado, agricultura intensiva, pequena propriedade e solos de boa qualidade;
  • Montado: predomínio das culturas de sobro e de azinho, sistemas arvenses extensivos, média propriedade; e
  • Rios e albufeiras.
     

Património cultural

PNSSM - rua em Marvão - Carlos Franco PNSSM - Castelo de Vide - Fonte da Vila
Marvão (® Carlos Franco) e Castelo de Vide - Fonte da Vila (® Cristina Girão Vieira)

A região do Parque Natural da Serra de São Mamede caracteriza-se por uma secular intervenção humana dominada pelo pastoreio, agricultura e produção de carvão que foram provocando várias transformações no coberto vegetal, corrigindo, por vezes, e destruindo, por outras, sempre contribuindo para a mudança da paisagem e dos habitats.

São Mamede apresenta vestígios de presença humana desde o Paleolítico. Encontraram-se vestigios nos vales drenados pelas principais linhas de água, caso do rio Sever e da ribeira de Nisa e, fruto de uma atitude defensiva, em locais mais elevados como o Castelo da Crença ou o Cabeço de Mouro. 

Num período mais recente, o domínio romano deixou marcas bem visíveis nas várzeas do Caia e do Sever, sendo realçadas as ruínas do que foi a cidade de Aramenha.

A própria toponímia, Marvão é palavra de origem árabe, demonstra a presença moura, enquanto os inúmeros eventos que retratam o período de reconquista, o consolidar do poder real e as guerras com o reino de Castela assistiram ao reconstruir e reforçar de espaços fortificados, como são os casos de Marvão Castelo de Vide, Portalegre e Alegrete.

A serra de S. Mamede, por ser de uma grande beleza paisagística, apresenta uma quantidade de exemplos de "cooperação" harmoniosa entre as populações humanas e a Natureza, que pode admirar nos Percursos Pedestres existentes neste Parque Natural, que pretendem dar a conhecer os aspetos gerais da geologia, do clima, do relevo, dos solos e da ocupação humana ao longo dos tempos em toda esta área.

Ponte da Portagem Cristina Girão Vieira
Ponte da Portagem (® Cristina Girão Vieira)

Pinturas Rupestres Lapa dos Gaivões
No limite sul do Parque, na freguesia de Esperança, concelho de Arronches, localiza-se o mais importante conjunto de pinturas rupestres de ar livre de Portugal. 

No exterior ou sob os abrigos, maioritariamente naturais, que se abrem nas cristas quartzíticas, vários painéis de pinturas parecem revelar a consagração deste espaço por comunidades do Neolítico, Calcolítico e Idade do Bronze. Abrigos virados à incidência solar serviram de suporte a diferentes expressões artísticas onde a conjugação de cores como o vermelho, o laranja e o preto, associados à rugosidade natural e às tonalidades da oxidação da pedra plasmaram, através de diferentes técnicas, representações humanas, animais, astrais e geométricas. Merece especial referência um painel de teto onde figuras humanas acompanhadas de um provável canídeo parecem perseguir vários cervídeos. Na extremidade poente, o movimento de um animal, provavelmente um cervídeo, foi obtido através da pintura de múltiplos membros. Na extremidade nascente do abrigo, um pequeno painel mostra uma representação humana heroificada, com capacetes de cornos, ladeada por duas figuras antropomorfas acéfalas.

 

PNSSM - Ruínas romanas PNSSM - Chafurdões
Ruínas romanas e chafurdões (® Carlos Franco).

Chafurdões
Estas enigmáticas edificações marcam indelevelmente a paisagem da zona norte do Parque.Os mais comuns, de planta circular, apresentam diâmetros que variam entre os 3,5 m e os 7 m. Uma estrutura exterior cilíndrica, que pode ultrapassar os 3m de altura é sobrepujada por uma cobertura em forma de calote de esfera.

Estas formas resultam de uma técnica de construção que recorrendo a lages de granito ou xisto dispostas horizontalmente e de forma imbricada se constituem numa falsa cúpula. Uma porta, e por vezes uma pequena fresta que sobre ela se abre, são as únicas comunicações com o exterior.

No exterior a cobertura é completada por terra batida, desempenhando multíplas funções. Para além de conferir a toda a construção uma maior estabilidade ao preencher pequenos vãos ainda existentes, isola em termos de humidade e temperatura o seu interior. Nalguns chafurdões encontram-se, no interior, pequenos nichos, abertos na parede.

Raras são as construções deste tipo que não apresentam a porta virada a nascente. Apesar de bastantes robustas, começam já a mostrar vestígios de degradação. Esta situação acelerou-se, principalmente, com o gradual abandono dos campos a que temos assistido nos últimos anos. Na agricultura e no pastoreio ao servirem-se dos chafurdões para os mais diversos fins contribuíram para a sua manutenção. recolocando pedras caídas, repondo terra na cobertura, cortando arbustos a crescer por entre a estrutura, os chafurdões conseguiram, assim, chegar aos nossos dias.

Choças
Quem percorrer a serra de S. Mamede encontra em vários locais, mas sobretudo junto à fronteira, testemunhos das tradicionais construções, popularmente conhecidas por choças. Nas zonas mais raianas, certamente por influência da língua castelhana, são também conhecidas por sochas. Com uma técnica de construção rudimentar, mas muito eficiente, estas choças utilizam no seu fabrico unicamente matéria prima local. Cortam-se as giestas Cytisus spp. que, entrelaçadas e por vezes atadas, cobrem completamente a estrutura de madeira previamente montada. Uma porta, por norma de castanho Castanea sativa, possibilita o acesso ao interior formado por um só espaço. Na parte superior da porta abre-se geralmente um pequeno postigo ferrado. Na zona sul do Parque, onde a giesta não é tão abundante, outras soluções foram adotadas no revestimento destas construções. Fiadas de palha sobrepostas e entrelaçadas entre si substituem as vulgares coberturas de giesta. As choças, construções intemporais desde sempre presentes na paisagem humanizada da serra de S. Mamede, parecem ser testemunhos vivos das habitações pré-romanas.

Ermida de Nossa Senhora da Penha
Erguida a 704 m de altitude sobre um dos afloramentos da crista quartzítica da serra da Penha, foi construída no séc. XVI. Dela se observa um panorama vasto, donde, para além da vista "aérea" de singular beleza sobre a vila de Castelo de Vide, se avistam trechos da serra de S. Mamede a sul, território da vizinha Extremadura a este e, nos dias de luminosidade favorável, a serra da Estrela a norte.

Menir da Meada
Monólito granítico com configuração cilindriforme-fálica, tem 7 m de altura e um diâmetro máximo de 1,25 m. Em 1993, foi sujeito a uma intervenção de restauro e consolidação que permitiu a união das duas partes fragmentadas. Das diversas interpretações para a prática de se erguerem ortostatos na paisagem pré-histórica assume particular realce a explicação que admite que os menires são testemunhos de ancestrais cultos da fertilidade da terra. Esta ideia sustenta-se, sobretudo, no facto de, no período correspondente à cultura megalítica, as primitivas comunidades caçadoras e recoletoras terem desaparecido para dar lugar a novas sociedades agropastoris, onde, consequentemente, a terra passou a ter uma importância vital e preponderante para a subsistência e economia dos povos. Em 1997 foi classificado como Monumento Nacional.

Atividades humanasPNSSM- Castanheiros


A região onde se situa o Parque tem dado um grande contributo para o desenvolvimento sócio-económico do país, principalmente através dos produtos gerados pela atividade agrícola, artesanato e, mais recentemente, pelo turismo.

Analisando as atividades existentes em cada um dos setores produtivos, podemos retirar algumas ilações. Assim, a agricultura é, tradicionalmente, o setor mais enraizado na região, o que se manifesta, não só no tecido produtivo, mas também na organização social e económica, na estrutura territorial dos lugares e nos valores culturais da população. No entanto, tem-se verificado uma transferência de ativos primários para outros setores de atividade.

O setor secundário é evidenciado pelo emprego na construção civil e obras públicas e indústria transformadora.

O setor terciário ganhou, nas duas últimas décadas, um reforço bastante significativo, o que, de certa forma, está relacionado com o alargamento da oferta de serviços e, particularmente, pelo aumento do peso empregador da administração pública local.

A atividade turística é, de igual modo, fonte de recursos económicos na região, tendo-se verificado um desenvolvimento substancial nos últimos anos. O turismo, enquanto meio de desenvolvimento local, é, atualmente, um dos setores importantes da economia, caracterizando-se por um efetivo potencial de atração e de desenvolvimento de novas atividades económicas, tais como o artesanato, a gastronomia e os serviços. Porém, é essencial perspetivar o desenvolvimento turístico da região através de um processo de valorização dos seus recursos endógenos.

A grande diversidade de produtos típicos existentes é, também, uma aposta da atividade turística e comercial, principalmente divulgando os produtos certificados.

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