Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural do Vale do Guadiana.


Falco naumanii Francelho - CC
Casal de francelhos Falco naumanni, com o macho à esquerda (® Carlos Carrapato).

Peixes
Anaecypris hispanica Saramugo - CC PNVG - Controlo de peixes invasores  - CC
Saramugo Anaecypris hispanica e controlo de peixes invasores que predam o saramugo (® Carlos Carrapato)

O rio Guadiana e seus afluentes apresentam uma fauna piscícola extremamente variada, existindo 16 espécies de peixes dulçaquicolas autóctones e migradores, dos quais 10 são endemismos ibéricos, estando, em Portugal, 4 restringidos à bacia hidrográfica do Guadiana. É o caso do saramugo Anaecypris hispanica (consulte o Plano de Ação do Saramugo), da boga do Guadiana Chondrostoma willkommii, do barbo-de-cabeça-pequena Barbus microcephalus e do caboz-de-água-doce Salaria fluviatilis.

Barbo-de-cabeça-pequena Barbus microcephalus - CC PNVG - Boga do Guadiana Chondrostoma willkommii- CC
Barbo-de-cabeça-pequena Barbus microcephalus e boga-do-guadiana Pseudochondrostoma willkommii (® Carlos Carrapato).
 

O Guadiana foi também o último rio português onde o solho ou esturjão Acipenser sturio se fez representar, tendo os últimos exemplares sido capturados nos finais dos anos setenta do séc. XX. O solho, de tão notável, chegou a ser retratado nas moedas cunhadas em Mértola no século I a.C.

Entre outros peixes migradores, ainda se pode encontrar a lampreia Petromyzum marinus e a saboga Alosa fallax, enquanto que o sável Alosa alosa está em perigo de extinção. Todos estes aspetos contribuem para que a bacia hidrográfica do Guadiana seja considerada a mais importante em Portugal para a conservação da ictiofauna (i.e. de espécies de peixes) de águas interiores.

Invertebrados
Sendo o grupo com maior número de espécies em todo o planeta, não é de estranhar a presença de elevada diversidade neste Parque Natural, sobretudo para espécies ainda não descritas. Apenas como introdução a este vasto grupo de realçar as espécies de amêijoas de água-doce, aranhas e filópodes.

Sítio com grande diversidade de bivalves, com quatro espécies nativas, nomeadamente almeijão-comum Anodonta anatina, mexilhão-de-rio-negro Potomida littoralis, mexilhão-de-rio-comum Unio pictorum e mexilhão-de-rio Unio crassus e, ainda, a espécie exótica a amêijoa-asiática Corbicula fluminea. O mexilhão-de-rio é a única espécie protegida, estando incluída no Anexo II da Diretiva Habitats, no entanto, todas as restantes espécies nativas estão ameaçadas, principalmente devido à perda e/ou fragmentação de habitat.

De momento são já conhecidas cerca de 300 espécies de aranhas apenas na área do Parque Natural. Uma grande parte destas espécies é endémica da Península Ibérica, incluindo 2 endemismos recentemente descritos cuja distribuição a nível mundial está restringida a esta área protegida: Amphiledorus ungoliantae; e Zodarion guadianense. Mais de uma dezena de novas espécies para a ciência aguarda no entanto, descrição.

O conjunto de charcos temporários estudados no Parque Natural é particularmente rico em espécies de filópodes, entre as quais encontram-se por exemplo Triops cancriformis, Streptocephalus torvicornis ou Cyzicus grubei. De destacar duas espécies de anostraca, ambas não descritas: Tanymastix spp. que, para além da zona de Mértola, foi descoberta numa área restrita do interior do Algarve; e Tanymastigites, este género foi apenas referenciado para o norte de África e para a península da Arábia.;

Potomida littoralis Mexilhão-de-rio Emys orbicularis Cágado-de-carapaça-estriada
Mexilhão-de-rio Potomida littoralis (® Carlos Carrapato) e cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis (® Fernando F. Pereira).

Anfíbios e répteis
Dentro do grupo dos anfíbios, das 17 espécies que ocorrem em Portugal, pelo menos 13 podem aqui ser observadas, destacando-se pela sua raridade e/ou importância das populações rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galganoi, o sapo-parteiro-ibérico Alytes cisternasii e o tritão-de-ventre-laranja Triturus boscai.

Nas primeiras chuvas após o verão, podem-se observar grandes quantidades de anfíbios, nas suas migrações para os locais de reprodução, que, muitas vezes, correspondem a “charcos temporários”.

No grupo dos répteis, estão referenciadas pelo menos 20 espécies, sendo de evidenciar a cobra-de-pernas-pentadáctila Chalcides bedriagai, espécie rara e que se restringe à Península Ibérica e a cobra-de-água-de-colar Natrix natrix, de hábitos crepusculares e ainda pouco conhecida.

Na região pode-se ainda observar duas espécies de cágados, uma delas bastante raras num contexto nacional – o cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis. De registar ainda a ocorrência de uma espécie de osga invulgar, a osga-turca Hemidactylus turcicus.

Aves

Bubo bubo Bufo-real CGV Aquila chrisaetos Águia-real - CC
Os imponentes bufo-real Bubo bubo (® Cristina Girão Vieira) e águia-real Aquila chrysaetos (® Carlos Carrapato).

A avifauna constitui um dos grupos mais visíveis do Parque. As aves de presa criam nas escarpas que ladeiam os cursos de água, como é o caso da águia de Bonelli Hieraaetus fasciatus (syn Aquila fasciata), da águia-real Aquila chrysaetos e do bufo-real Bubo bubo, a maior espécie de mocho da Europa. Neste tipo de biótopo ocorre também a cegonha-preta Ciconia nigra que, ao contrário da sua parente branca, tem hábitos secretivos, procurando sempre as zonas menos perturbadas para criar.

Ciconia nigra Cegonha-preta - CCAquila fasciata Águia de Bonelli - CC
Cegonha-preta Ciconia nigra e águia-de-bonelli Aquila fasciata (® Carlos Carrapato).

Na vila de Mértola ocorre a última colónia urbana e uma das mais importantes a nível nacional, de uma espécie bastante rara e ameaçada – o francelho ou peneireiro-das-torres Falco naumanni.

Coracias garrulus Rolieiro - CGV Falco naumanii Francelho CGV
Rolieiro Coracias garrulus e o francelho ou peneireiro-das-torres Falco naumanni ambos migradores (® Carlos Carrapato).

Nas zonas de planície, onde se desenvolve a agropastorícia em sistema extensivo e de rotações longas de 4 a 5 anos, é ainda possível encontrar aves de estepe como é o caso da abetarda Otis tarda, a maior ave terrestre voadora da Europa, do sisão Tetrax tetrax, do cortiçol-de-barriga-negra Pterocles orientalis, que transporta água para as crias graças às penas da barriga, da calhandra-real Melanocorypha calandra ou do alcaravão Burhinus oedicnemus.

 
Tetrax tetrax Sisão Luís Venâncio Pterocles orientalis Corticol-barriga-negra
Sisão Tetrax tetrax macho (® Luís Venâncio) e fêmea de cortiçol-de-barriga-preta Pterocles orientalis (® Carlos Carrapato).
 
Cercotrichas galactotes Rouxinol-do-mato - CC Asio otus Bufo-pequeno ou de-orelhas - CC
Rouxinol-do-mato Cercotrichas galactotes e bufo-pequeno ou de-orelhas Asio otus (® Carlos Carrapato).
 
Mamíferos
Estão inventariadas 35 espécies de mamíferos. Pelo seu estatuto de conservação destacam-se, a esquiva lontra Lutra lutra, o gato bravo Felis silvestris, várias espécies de morcegos e o leirão Elyomis quercinus. Existem ainda condições para promover a ocorrência de lince-ibérico Lynx pardinus ou permitir a sua reintrodução a médio/longo prazo, num programa integrado com as áreas dos sítios de interesse comunitário circundantes.
 

Lutra lutra Lontra Elyomis quercinus Leirão - SV
Lontra (® C. Carrapato) e um leirão capturado e depois libertado durante uma ação de monitorização (® Sara Valente).

O gato-bravo Felis silvestris apresenta, atualmente, uma distribuição muito localizada e restringida à região centro-oeste da área protegida apresentando um nível de abundância diretamente associado à presença de núcleos relativamente estáveis de coelho, com a densidade de orlas de matos e matagais e com a ausência de fatores de perturbação humanos.

Felis silvestris gato-bravo - CC Genetta genetta Gineta - CC
Gato-bravo Felis silvestris e gineta Genetta Genetta (® Carlos Carrapato).

No grupo dos morcegos destacam-se o morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus euryale, morcego-de-ferradura-mourisco Rhinolophus mehelyi , morcego-de-peluche Miniopterus schreibersi, morcego-rato-grande Myotis myotis, morcego-de-ferradura-grande Rhinolophus ferrumequinum, morcego-de-ferradura-pequena Rhinolophus hipposideros. Estes morcegos habitam em fendas rochosas ou em antigas cavidades mineiras.

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