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História | Cultura

História | Cultura
Património histórico-cultural do Parque Natural do Vale do Guadiana.

Castelo de Mértola CGV
Castelo de Mértola (® Cristina Girão Vieira)

Paisagem

Podemos dividir a paisagem existente no Parque Natural do Vale do Guadiana em 3 grupos:

  • as planícies ondulantes dominam em área e nelas se encontram as culturas extensivas de sequeiro, as áreas de esteval e os montados de azinho;
  • as elevações quartzíticas das serras de S. Barão e Alcaria.  Nesta última encontra-se o ponto mais alto do Parque Natural, com apenas 370 m. Dali consegue-se desfrutar de uma magnifica panorâmica sobre o relevo suave da planície alentejana e o enrugado resultante da influência próxima da serra algarvia; e
  • os imponentes vales encaixados do rio Guadiana e seus afluentes, marginados por escarpas e fantásticos matagais mediterrânicos - a formação que mais se aproxima da vegetação original da região, hoje restringida às zonas mais inacessíveis, onde a intervenção humana pouco se faz sentir.

 

Atividades

PNVG - Mel AM PNVG - Rebanho CC PNVG - Pesca CC PNVG - Tecelagem CC
Apicultura (® Ana Martins), pastorícia, pesca e tecelagem (® Carlos Carrapato)

Atualmente, o setor com maior expressão na zona do Parque Natural do Vale do Guadiana é o terciário, devido ao decréscimo do peso relativo dos setores primário e secundário, sobretudo pelo abandono da atividade agrícola. A atividade industrial e agroindustrial está ligada, sobretudo, aos setores da panificação, pastelaria, queijaria e carpintaria.

A comercialização da carne de borrego é, no entanto, uma atividade intrinsecamente relacionada com a conservação da atividade agropastoril, base dos ecossistemas mediterrâneos que se pretendem conservar.

Outras atividades com peso socioeconómico e com elevada influência na gestão desta área são a caça e a pesca. Ao longo dos últimos anos, a atividade cinegética tem tido uma importância económica crescente dentro da área do Parque, existindo atualmente cerca de 30 zonas de caça turística, 30 de caça associativa e seis de caça municipal, parcial ou totalmente incluídas nos limites do Parque Natural. Por sua vez, a pesca só constitui um recurso económico com alguma expressão, devido à pesca desportiva. Em termos de pesca profissional trata-se de uma atividade com fraca expressão, tendo apenas significado no percurso do rio Guadiana onde a influência da maré se faz sentir (entre Mértola e Vila Real de Santo António).

Valores culturais

No espaço vital de cada pessoa, a sua memória de grupo, tanto na ritualidade dos seus gestos como no conhecimento do seu meio, é muitas vezes condição primeira da sua sobrevivência. De uma memória que, afinal, é o cimento que distingue e robustece a coesão social, permitindo a cada indivíduo não só reconhecer-se como, mas, sobretudo, identificar-se com os seus, com o sítio, com a terra e com o espaço cultural que o define.

Palácios e castelos, antes olhados apenas como símbolos de velhos e hostis poderes senhoriais, são hoje elementos singulares da paisagem, pólos positivos de agregação e identificação local ou regional. Ruínas, sítios arqueológicos e mesmo artefactos do efémero lúdico recuperam outra dignidade, servindo muitas vezes de bandeira na resistência a uma indesejada massificação cultural.

Mértola é, historicamente, o centro agregador de todo um vasto território em que está incluído o Parque Natural. A partir do porto de Mértola, uma rede convergente de antigos caminhos ligava algumas dezenas de pequenos povoados, muitos deles hoje abandonados. Ao longo dos séculos, uma população de pastores(as), artesãos(ãs) e almocreves articulou e urdiu uma linguagem de gestos e motivos ornamentais, aprendeu a construir com terra crua e cozida... Em suma, juntou saberes que hoje identificam a sua memória e fazem parte do seu património.
 

PNVG - escavação arqueológica PNVG - moinho dos Canais CGV
Escavação arqueológica de um local de enterramento (® Carlos Carrapato) e o moinho dos Canais (® Ana Cristina Cardoso). 

Património arqueológico

Na área abrangida pelo Parque Natural existem cerca de uma centena de estações arqueológicas repartidas pelos mais diversificados períodos históricos e arqueológicos, desde os primeiros caçadores recolectores do Paleolítico Superior, marco que inicia a ocupação humana ininterrupta deste território. Como consequência desta presença estão identificados os vários tipos de estações arqueológicas, que vão desde os mais rudimentares acampamentos da pré-história até aos povoados fortificados, passando pelos locais de culto e enterramento.;

Em torno do rio Guadiana desenvolveu-se um importante conjunto de povoados que, por um lado, serviam de controlo desta importante estrada fluvial e, por outro dele retiravam também o alimento. O Guadiana servia, assim como linha estruturadora de um vasto território por onde se escoavam os mais diversos produtos, que o ligavam aos movimentos económicos e culturais de todo o Mediterrâneo.

Património construído

A herança cultural de um dado território, em particular no que toca ao património construído, entendendo este nas suas múltiplas vertentes, do espaço urbano às manifestações que nele se destacam ou que com ele interagem, é indissociável das vicissitudes históricas que moldaram esse mesmo território, das multifacetadas relações que as populações, ao longo dos tempos com ele estabeleceram. Essas relações, que remetem para fenómenos de longa duração, como a estrutura e dinâmica do povoamento, modos de produção, estruturas económicas, sociais e mentais, definem uma matriz compreensiva, à qual deve obrigatoriamente atender-se quando se pretende avaliar e estudar as manifestações tangíveis de base patrimonial que uma região, mais ou menos ampla, oferece.

Apesar de extenso, o termo de Mértola, no qual se inscreve a área que define o Parque Natural, nunca conheceu uma densa ocupação humana, mesmo em contexto de apogeu civilizacional, nomeadamente durante o domínio romano e islâmico. Nesses períodos, a lógica de ocupação do espaço não estava, aliás, dirigida para a exploração da terra, o que não equivale a dizer que, em torno das bolsas de terreno de melhor aptidão agrícola e nas encostas serranas propícias à pastorícia, não se tenha organizado uma malha de pequenos povoados. Estes, contudo, como o comprova a arqueologia, não eram ciclicamente recompostos ou abandonados, ou seja, existia uma assinalável mobilidade de povoamento e uma notória fraca capacidade das comunidades em promover o seu crescimento.

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