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Dia da Reserva Natural do Paul do Boquilobo | 24 junho

Dia da Reserva Natural do Paul do Boquilobo | 24 junho

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Quando

2018-06-24
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Sobre a Reserva 

O Paul do Boquilobo é o maior ecossistema aquático representativo de zonas húmidas interiores, outrora comuns por todo o território, mas que, principalmente devido à drenagem para a agricultura, sofreram um declínio acentuado. Sem prejuízo duma elevada biodiversidade a nível da fauna em geral, as aves constituem o seu principal valor, razão da sua classificação como Reserva Natural pelo Decreto-Lei nº 198/80, de 24 de junho. Esta Área Protegida alberga uma importante colónia de garças, de colhereiros e outras espécies vindas em parte do continente africano. Recebe significativas populações de anatídeos do norte da Europa. É ponto importante nas migrações outonais de passeriformes e outras aves e nela ocorrem ou nidificam algumas espécies raras em Portugal e na Europa.

A Reserva Natural do Paul do Boquilobo localiza-se na bacia hidrográfica do Rio Almonda, afluente da margem direita do Tejo. Ocupa uma área de 817 ha que se subdivide em 4 zonas distintas com grau de proteção diferenciado: área de proteção total (189 ha), área de proteção parcial (167 ha), área de proteção complementar (436 ha) e zona de intervenção específica (25 ha). Situa-se na transição entre os terraços fluviais plistocénicos e os aluviões holocénicos da lezíria. A propriedade do Estado ocupa uma área total de 177 ha correspondendo a 150 ha de área de proteção total, a 25,5 ha de área de proteção parcial e a 0,5 ha em zona de intervenção específica.

Na Área Protegida, a planície aluvial é recortada por galerias ripícolas em que predominam o freixo e os salgueiros, acompanhando uma complexa rede de linhas de água, valados e valas de drenagem, bem como o próprio Rio Almonda. Estas galerias delimitam várzeas, com configurações e características determinadas pelo antigo aproveitamento agrícola. Um cortejo de plantas aquáticas ocorre nas zonas permanentemente alagadas, para além de diversas espécies invasoras. Nos terraços fluviais que constituem a zona oeste da Reserva, a tradicional ocupação por montado e olival foi substituída em boa parte por povoamentos florestais e culturas arvenses de regadio.
 
O Paul do Boquilobo alberga o mais significativo garçal do território português e é importante local de concentração para espécies invernantes, nomeadamente, anatídeos (vulgo "patos"), galeirões e limícolas (i.e. espécies que se alimentam filtrando os sedimentos / limos). Único local nacional em que se reproduz o zarro-comum Aythya ferina, mantendo uma população que chega a ultrapassar 75 % do total de indivíduos invernantes em Portugal, e um dos poucos com potencial para a nidificação da gaivina-dos-pauis Chlidonias hybrida. É um dos principais refúgios da piadeira Anas penelope e do pato-trombeteiro Anas clypeata, para além das outras espécies de anatídeos que ocorrem no território nacional. É ponto de passagem de passeriformes migradores e outras aves.
 
Várias espécies de peixes utilizam o paul como maternidade, sendo de destacar o ruivaco Chondrostoma oligolepis e a boga-portuguesa Iberochondrostoma lusitanicum, ambos endemismos lusitanos.
 
O paul acolhe mais de uma vintena de espécies de anfíbios e répteis, com destaque para as duas espécies de cágados que ocorrem em Portugal.
 
Nos mamíferos destacam-se a lontra Lutra lutra, o toirão Mustela putoris ou o rato de Cabrera Microtus cabrerae.
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