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Cartografia de ocupação do solo (COS2010)

Cartografia de ocupação do solo (COS2010)

A DGT apresentou no dia 30 de maio o resultado da última cartografia de ocupação do solo (COS2010), a qual está já disponível no portal respetivo para visualização, mas também para descarregamento, sem custos para o utilizador.

Com a cartografia é apresentado um estudo das “Estatísticas e dinâmicas territoriais multiescala de Portugal Continental 1995-2007-2010 com base na Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS)”.
Conforme consta deste estudo, alerta-se que não é possível a comparação de informação derivada de diferentes programas de cartografia de ocupação/uso do solo, nomeadamente a COS, a cartografia CORINE Land Cover (CLC) ou de processos estatísticos como o Inventário Florestal Nacional (IFN), pois têm objetivos, especificações técnicas, base metodológica, nomenclatura e conceitos substancialmente diferentes.

No estudo são evidenciadas as principais diferenças metodológicas que levam aos resultados diferentes e que o utilizador da informação deve ter bem presente e conclui-se que “não há, evidentemente, um produto melhor do que outro, apenas produtos que representam, com pressupostos diferentes, formas de interpretar a realidade do país e que são complementares.

Estatísticas e dinâmicas territoriais multiescala de Portugal Continental 1995-2007-2010 com base na Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) [PDF 12MB]

A COS2010 e os documentos metodológicos que foram referidos no workshop estão no link: http://mapas.dgterritorio.pt/geoportal/catalogo.html

 

Notas sobre diferenças entre COS, IFN e CLC
 
A comparação de informação derivada de diferentes programas de cartografia de ocupação/uso do solo, nomeadamente a COS, a cartografia CORINE Land Cover (CLC) ou de processos estatísticos como o Inventário Florestal Nacional (IFN), não deverá ser feita, pois nem sempre é possível, requerendo um conhecimento profundo das especificações técnicas dos produtos.
 
Tanto a COS como o CLC são cartografias de polígonos mas têm unidades mínimas cartográficas diferentes, 1 ha na COS e 25 ha no CLC. Assim, unidades de paisagem com áreas superiores a 1 ha e inferiores a 25 ha são representadas individualmente na COS mas no CLC não o são. Com efeito, no CLC todas as unidades de paisagem inferiores a 25 ha são sujeitas a processos mais ou menos complexos de generalização cartográfica, enquanto que na COS a generalização cartográfica é usada apenas nas unidades de paisagem inferior a 1 ha. Consequentemente, a comparação direta da área ocupada por uma determinada classe na COS e no CLC não é possível, ainda que estes produtos tenham as mesmas classes no nível 3 da nomenclatura.
 
A comparação das estatísticas da COS, e também do CLC, com as do Inventário Florestal Nacional (IFN) deve ter ainda maior cuidado, pois os objetivos dos dois programas, as especificações técnicas, a base metodológica, a nomenclatura e os conceitos utilizados são substancialmente diferentes. É pois compreensível que as áreas dos usos dos solos e das espécies florestais derivadas destes processos sejam diferentes.
 
Se, conforme referido, as unidades mínimas cartográficas da COS e do CLC são, respetivamente, 1 ha e 25 ha, no IFN a área mínima para a definição das classes de uso é de 0,5 ha. A COS tem como principal objetivo a caracterização detalhada de todos os tipos de uso e ocupação do solo e o IFN a caracterização da abundância, estrutura, produção e condição dos recursos florestais. A COS é uma cartografia de polígonos que delimitam unidades de paisagem de ocupação e uso do solo homogéneas e as estatísticas de uma determinada classe assentam na soma da área de polígonos. No IFN, as estatísticas de uso e ocupação das espécies florestais são derivadas a partir de uma amostra constituída por fotopontos (cerca de 360 mil pontos) e baseiam-se na proporção dos fotopontos de cada classe em relação ao número total de fotopontos e à área do país. Enquanto na COS se caracteriza o uso e a ocupação e do solo de todo o território nacional (continental) por interpretação visual de ortofotos, no IFN caracterizam-se as manchas onde se integram os fotopontos, permitindo avaliação de áreas e monitorização de alterações do uso/ocupação do solo.
 
As diferenças metodológicas entre o IFN e a COS explicam as diferenças nas áreas das diferentes classes de uso (e.g. floresta, matos, pastagens) na COS2010 e no 6º Inventário Florestal Nacional para o ano de referência de 2010 (IFN6). Por exemplo, as áreas com sobreiro e azinheira na COS são significativamente superiores, pois estas espécies existem muitas vezes em povoamentos abertos que na COS são integrados em sistemas agro-florestais de baixa densidade, sendo a delimitação do polígono determinada pela combinação das componentes agrícola e florestal na paisagem. O IFN não contempla a identificação dos sistemas agro-florestais, sendo estas espécies integradas nos usos floresta ou agricultura, conforme cumpram os critérios de afetação a estas classes de uso. Assim, há muitas situações em que o fotoponto do IFN se localiza numa mancha de agricultura, pastagem ou matos e em que o grau de coberto arbóreo é de facto inferior a 10%, mas que pelos critérios da COS está no interior de um sistema-agro-florestal ou de uma floresta. Para o IFN6 o fotoponto é classificado como agricultura, pastagem ou matos, mas para a COS2010 toda a mancha é classificada como sistema agro-florestal ou floresta aberta, pois, caso a área seja inferior à UMC (1 ha), a mancha é generalizada para a área envolvente. Ambas as interpretações estão corretas mas as diferenças tem consequências grandes na contabilização de áreas de diferentes classes de uso.
 
O rationale acima exposto para as áreas de sobreiro e azinheira explica também grande parte das diferenças de área de pinheiro bravo na COS2010 e no IFN6, nomeadamente porque muita da floresta desta espécie tem um grau de coberto entre 10% e 30% (i.e. floresta aberta). Consequentemente, existem muitos fotopontos classificados como matos no IFN mas que estão incluídos, pela COS, em áreas de floresta aberta de pinheiro bravo por se entender que respeitam a uma unidade de paisagem deste tipo.
 
Outra parte das diferenças na quantificação da área de floresta de pinheiro bravo relaciona-se com a ocorrência de incêndios e cortes. Importa referir que, com exceção da dimensão mínima, a definição de floresta é igual na COS2010 e no IFN6, citando-se aqui a definição do IFN6: “Floresta –Terreno, com área maior ou igual a 0,5 hectares onde se verifica a presença de árvores florestais que tenham atingido ou que pelas suas características ou forma de exploração venham a atingir, uma altura superior a 5 m, e cujo grau de coberto (definido pela razão entre a área da projeção horizontal das copas das árvores e a área total da superfície de terreno) seja maior ou igual a 10%.”. Por definição, tanto no caso da COS2010 como do IFN6, a floresta inclui superfícies temporariamente desarborizadas, nomeadamente devido a incêndios ou cortes, e para as quais é razoável considerar que estarão regeneradas dentro de 5 anos. Inclui também os povoamentos jovens que atingirão um percentagem de pelo menos 10% de coberto. Assim, a classificação de áreas que no passado foram floresta de pinheiro bravo mas que no momento da fotointerpretação estão desarborizadas devido a incêndios florestais é particularmente difícil e não pode ser feita exclusivamente com base em interpretação de fotografia aérea, devendo também recorrer-se a uma análise do historial de incêndios no passado recente. A classificação destas áreas supõe uma avaliação da sua evolução previsível e consequentemente é possível que em alguns casos haja abordagens diferentes nos dois processos.
 

 

Em síntese, os produtos CLC, COS e IFN assentam em metodologias e conceitos estabelecidos em função dos objetivos definidos para cada processo, diferentes e técnica e cientificamente válidos, e que levam a resultados também diferentes. Não há, evidentemente, um produto melhor do que outro, apenas produtos que representam, com pressupostos diferentes, formas de interpretar a realidade do país e que são complementares. Caberá ao utilizador da informação tomar a decisão de quando deve usar um ou outro produto, interessando sempre conhecer os detalhes das especificações técnicas, das bases metodológicas e dos conceitos utilizados e aos objetivos para os quais se pretende utilizar a informação.

 

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