Classificação | Caracterização

Classificação | Caracterização
Porque foi classificada a Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Caracterização e mapa.

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Vista sobre o paul (® Fernando Canais). 

Classificação

O Paul do Boquilobo é o maior ecossistema aquático representativo de zonas húmidas interiores, outrora comuns por todo o território, mas que, principalmente devido à drenagem para a agricultura, sofreram um declínio acentuado. Sem prejuízo duma elevada biodiversidade a nível da fauna em geral, as aves constituem o seu principal valor, razão da sua classificação como Reserva Natural pelo Decreto-Lei nº 198/80, de 24 de junho. Esta Área Protegida alberga uma importante colónia de garças, de colhereiros e outras espécies vindas em parte do continente africano. Recebe significativas populações de anatídeos do norte da Europa. É ponto importante nas migrações outonais de passeriformes e outras aves e nela ocorrem ou nidificam algumas espécies raras em Portugal e na Europa.

O reconhecimento desta Área Protegida pelo Governo Português permitiu travar a drenagem e o aproveitamento agrícola da área central mais sensivel que se verificavam aquando da sua criação. O Decreto Regulamentar nº 2/2005, de 23 de março, alarga os limites da Reserva Natural para uma área total de 817 hectares.

A Resolução de Conselho de Ministros nº 50/2008, de 18 de março, veio definir o Plano de Ordenamento.

O reconhecimento internacional desta Área Protegida é confirmado pela sua classificação, em 1981, como Reserva da Biosfera, sendo a primeira Área Protegida portuguesa a que foi concedida esta importante distinção. Em 1996, foi também considerada uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar. Desde 1999, devido à sua importância para a avifauna, está também classificada como uma Zona de Proteção Especial de acordo com a Diretiva n.º 2009/147/CE.

Caracterização

A Reserva Natural do Paul do Boquilobo localiza-se na bacia hidrográfica do Rio Almonda, afluente da margem direita do Tejo. Ocupa uma área de 817 ha que se subdivide em 4 zonas distintas com grau de proteção diferenciado: área de proteção total (189 ha), área de proteção parcial (167 ha), área de proteção complementar (436 ha) e zona de intervenção específica (25 ha). Situa-se na transição entre os terraços fluviais plistocénicos e os aluviões holocénicos da lezíria. A propriedade do Estado ocupa uma área total de 177 ha correspondendo a 150 ha de área de proteção total, a 25,5 ha de área de proteção parcial e a 0,5 ha em zona de intervenção específica.

Na Área Protegida, a planície aluvial é recortada por galerias ripícolas em que predominam o freixo e os salgueiros, acompanhando uma complexa rede de linhas de água, valados e valas de drenagem, bem como o próprio Rio Almonda. Estas galerias delimitam várzeas, com configurações e características determinadas pelo antigo aproveitamento agrícola. Um cortejo de plantas aquáticas ocorre nas zonas permanentemente alagadas, para além de diversas espécies invasoras. Nos terraços fluviais que constituem a zona oeste da Reserva, a tradicional ocupação por montado e olival foi substituída em boa parte por povoamentos florestais e culturas arvenses de regadio.

O Paul do Boquilobo alberga o mais significativo garçal do território português e é importante local de concentração para espécies invernantes, nomeadamente, anatídeos (vulgo "patos"), galeirões e limícolas (i.e. espécies que se alimentam filtrando os sedimentos / limos). Único local nacional em que se reproduz o zarro-comum Aythya ferina, mantendo uma população que chega a ultrapassar 75 % do total de indivíduos invernantes em Portugal, e um dos poucos com potencial para a nidificação da gaivina-dos-pauis Chlidonias hybrida. É um dos principais refúgios da piadeira Anas penelope e do pato-trombeteiro Anas clypeata, para além das outras espécies de anatídeos que ocorrem no território nacional. É ponto de passagem de passeriformes migradores e outras aves.

Anas penelope Piadeira macho (1) CGV Anas clypeata Pato-trombeteiro macho Cristina Girão Vieira
Machos de piadeira Anas penelope e de pato-trombeteiro Anas clypeata em plumagem nupcial (® Cristina Girão Vieira).

Várias espécies de peixes utilizam o paul como maternidade, sendo de destacar o ruivaco Chondrostoma oligolepis e a boga-portuguesa Iberochondrostoma lusitanicum, ambos endemismos lusitanos.

O paul acolhe mais de uma vintena de espécies de anfíbios e répteis, com destaque para as duas espécies de cágados que ocorrem em Portugal.

Nos mamíferos destacam-se a lontra Lutra lutra, o toirão Mustela putoris ou o rato de Cabrera Microtus cabrerae.
 

Mapa

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O símbolo desta Reserva Natural é a estilização de uma garça, numa alusão ao fato de o Paul de Boquilobo albergar uma das mais importantes colónias de garças da Península Ibérica.

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