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Banco de sementes do Jardim Botânico da UL

Banco de sementes do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa. Protocolo de colaboração entre o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e o (atual) ICNF.
O Banco de Germoplasma do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa integra uma coleção de sementes conservadas a longo prazo (Banco de Sementes António Luís Belo Correia) com 3242 espécimes de 1049 taxa, uma coleção de ADN dedicado à Flora Portuguesa ameaçada, com 556 espécimes de 33 taxa, uma coleção de referência de sementes e de frutos (Espermateca e Carpoteca) e uma coleção de sementes do Jardim Botânico para troca com instituições congéneres (Index Seminum).
 
Foi celebrado em 2008, entre o então ICNB (atual ICNF) e o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, um Protocolo de colaboração para o desenvolvimento de medidas de conservação ex situ, nomeadamente recolha e conservação de sementes, orientadas para a conservação de espécies da flora endémicas, raras, vulneráveis, ameaçadas ou em perigo de extinção, ou legalmente protegidas.
 
O Banco de Sementes A. L. Belo Correia providenciará, assim, um repositório do património genético de espécies com maiores necessidades de conservação, ao qual será possível recorrer sempre que se justifique proceder a ações de repovoamento ou de reforço populacional.
 
Numa primeira fase, estão a ser direcionados esforços para espécies constantes dos Anexos da Diretiva Habitats, aliando desta forma os interesses ao nível da investigação às prioridades nacionais definidas no âmbito da conservação da natureza.
 
No final do primeiro triénio (2009-2011) deste Protocolo foi elaborado um relatório que enquadra e resume o trabalho efetuado. Importa destacar que as atividades realizadas contribuíram para a conservação ex situ de 26 taxa endémicos, raros, ameaçados ou legalmente protegidos da flora portuguesa continental, incrementando a percentagem de taxa incluídos na Diretiva Habitats conservados a longo prazo no Banco de Sementes A. L. Belo Correia, que passou de 27% para 46%.
 
 
As atividades realizadas contribuíram ainda para fomentar o conhecimento da biologia destas espécies
O Protocolo celebrado enquadra-se no Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de julho), que prevê, no seu art.º 34.º, a cooperação com Jardins Botânicos tendo em vista o desenvolvimento de programas de propagação fora do respetivo habitat, bem como a colaboração na criação de Bancos de Germoplasma, com o objetivo de garantir uma reserva de recursos genéticos de espécies selvagens.

Do mesmo modo, o Plano Setorial da Rede Natura 2000 assinala a necessidade de implementar medidas de conservação ex situ, tais como a criação de estruturas de receção ou reprodução para espécies da fauna ou estabelecimento de bancos de germoplasma para espécies da flora.

Este Protocolo contribui ainda para a implementação nacional da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (definida no âmbito da Convenção sobre a Diversidade Biológica) que tem, como uma das suas metas, reunir 75% das plantas ameaçadas em coleções ex situ acessíveis, de preferência no país de origem.

Conservação ex situ de flora
 
Os bancos de germoplasma constituem infraestruturas que visam a conservação de recursos genéticos vegetais. Atualmente, para além da tradicional conservação de sementes, os bancos de germoplasma englobam também as coleções de campo (field gene bank), a conservação de tecidos vegetais (in vitro), a crioconservação e a conservação de ADN (Barata et al., 2009). A conservação de sementes é encarada como o método mais fácil e menos dispendioso para preservar os recursos genéticos vegetais (Smith et al., 2003) sendo a opção comum para as espécies que possuem sementes ortodoxas1, as quais podem ser conservadas a longo prazo por esta via. Outros métodos são necessários no caso de espécies com sementes recalcitrantes2, espécies perenes que produzem poucas sementes, grupos taxonómicos que apresentam outras dificuldades derivadas das suas características biológicas (e.g. orquídeas) ou espécies não produtoras de sementes (briófitos, pteridófitos), entre outras.
1 sementes ortodoxas toleram a desidratação necessária ao armazenamento de sementes a longo prazo a temperaturas negativas (ca. -18ºC).
2sementes recalcitrantes não suportam determinados níveis de desidratação nem conservação em temperaturas negativas.
 
A conservação ex situ da flora selvagem em Bancos de Germoplasma constitui uma ferramenta de conservação cuja relevância tem vindo a ser reconhecida face ao aumento verificado de espécies ameaçadas, parte das quais requer medidas imediatas de conservação (Bacchetta et al., 2008).

Por outro lado, os bancos de germoplasma podem constituir igualmente uma medida de conservação preventiva, funcionando como um seguro contra ameaças futuras, situação particularmente importante em espécies com populações pequenas ou localizadas, que apresentam maior probabilidade de extinção face a fenómenos estocásticos.

Efetivamente, este recurso pode permitir a reintrodução ou o reforço populacional, sendo por essa razão tão importante assegurar a adequada representação genética das espécies conservadas ex situ.

Refira-se, contudo, que a conservação ex situ deve ser considerada como um método complementar, e deverão sempre ser procuradas vias para recuperar as espécies nos seus habitats naturais. Como tal, é essencial que a conservação ex situ não seja isolada da in situ e que seja adotada uma estratégia integrada (Prance, 2004). Esta abordagem é suportada pela Convenção sobre a Diversidade Biológica, cujo art.º 9.º determina que as técnicas ex situ devem ser adotadas "na medida do possível e conforme o apropriado, e principalmente a fim de complementar as medidas in situ".
 
Bibliografia 
  • Bacchetta G, Bueno Sánchez A, Fenu G, Jiménez-Alfaro B, Mattana E, Piotto B & Virevaire M (eds). 2008. Conservación ex situ de plantas silvestres. Principado de Asturias / La Caixa. 378 pp.
  • Barata AM, Lopes V, Reis A & Farias R .(2008/2009). Bancos de germoplasma de espécies pratenses e forrageiras – a estratégia europeia da conservação de plantas. Pastagens e Forragens 29/30: 3-14.
  • Prance GT in: Guerrant Jr EO, Havens K & Maunder M (eds.) 2004. Ex situ Plant Conservation. Supporting species survival in the wild. Society for Ecological Restoration International – Center for Plant Conservation. Whashington. Island Press. 504 pp.
  • Keller T, Korn H, Schmid H & Weisser CF. 2002. Chances and Limitations of ex-situ Conservation of Species and Genetic Diversity on a Global Perspective. Federal Agency for Nature Conservation. Germany. Bonn. 176 pp.
  • Smith RD, Dickie JB, Linington SH, Pritchard HW, Probert RJ. 2003. Seed Conservation: turning science into practice. Royal Botanic Gardens, Kew.

 

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