PR 8 Malara

Parque Natural de Montesinho (PNM). Percurso pedestre de Pequena Rota (PR), circular, do Malara (designação que toma o rio Onor no seu troço final). Breve descrição. Mapa.

 
PNM - Baixa Lombada PNM - vale do rio Onor
Baixa Lombada e vale do rio Onor (® Telmo Afonso).

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.
 
Acesso: estrada nacional 218 a partir de Bragança.
Ponto de partida e de chegada: parque de merendas de Gimonde.
Extensão: 12 km.
Duração aproximada: 4 h.
Grau de dificuldade: médio.
Cota mínima / máxima: 510 m / 665 m.
Apoios: restaurantes em Gimonde e Bragança. Alojamento em Gimonde e Bragança, bem como nas casas do Parque ou em casas privadas de turismo.
 

Breve descrição

O percurso de Pequena Rota (PR8) insere-se nas freguesias de Gimonde e de Baçal, oferecendo uma panorâmica da paisagem da Baixa Lombada, uma microregião situada entre os 530 e os 700 m, de marcada influência mediterrânica, drenada pelos rios Igrejas e Onor e pela ribeira de Labiados, integrados na bacia hidrográfica do rio Sabor e que a ele afluem em Gimonde, oferecendo a esta povoação um estatuto ribeirinho inigualável. É um percurso circular de cerca de 12 km que se desenvolve pelos interflúvios criados por aquelas linhas de água, tendo como curso estruturante o Onor, ou Malara, designação que toma o rio no seu troço final.
 
1 - Hortas de Malara
O percurso tem início no parque de merendas de Gimonde. Avançando por entre o aglomerado, vislumbrando-se alguns exemplares mais ou menos intactos de arquitetura vernácula, ultrapassada a foz do rio Onor e cruzado o rio Igrejas, inicia-se a caminhada ao longo da margem direita do primeiro. Os terrenos profundos de aluvião no fundo do vale aparecem retalhados em inúmeras leiras, beneficiadas por regadio das quais se arranca todo o renobo (frescos da horta, essencialmente culturas de primavera) que as e os mais arreigados ao trabalho agrícola continuam a sementar, essencialmente para consumo próprio. Oliveiras e vinhas aparecem instaladas já nas encostas deste vale, voltadas a nascente, oferecendo pequenas produções de azeite e de vinho de razoável qualidade.
 
2 - Faceira
PNM - azinheira
Azinheira (® Telmo Afonso).
 
Deixando o vale do rio Onor e atingindo a cumeada do lombeiro que o separa do vale do rio Igrejas, verifica-se que a ocupação agrícola do solo se faz, essencialmente, com culturas de sequeiro extensivo para grão, correspondentes ao cereal de inverno (centeio, trigo e aveia). A seguir à segada, em pleno verão, os terrenos permanecem por um ano em pousio com o restolho (faceira). De novos usos do solo, dão conta algumas culturas perenes, nomeadamente de castanheiro e de cerdeiro (cerejeira) que ocupam contadas parcelas resgatadas ao cereal ou ao abandono. Alternam com os campos numerosos bosquetes de azinheira a que se associam outras plantas mediterrânicas, como a gilbardeira Ruscus aculeatus, o trovisco Daphne gnidium, a rosa-de-lobo ou rosa-albardeira Paeonia broteroi, o jasmim-silvestre Jasminum fruticans ou o cadorno Phillyrea angustifolia, que já se observavam nas cotas mais elevadas das encostas voltadas ao vale do Onor. A este e nordeste avistam-se as povoações de Vale de Lamas e de Sacoias e todo o mosaico agrícola que as cercam. A seguir a Sacoias, num cabeço suave ocupado por vinhedos, localiza-se o Castro de Sacoias, povoado romano importante no contexto regional, e, ao lado, a capela de Nossa Senhora da Assunção, sob a qual deve ter existido a necrópole deste povoado. No céu, poderá observar algumas aves de rapina, como o milhafre-preto Milvus migrans ou o tartaranhão-caçador Circus pygargus [PDF 165 KB].
 
3 - Lameiros de secadal
O regresso ao vale do rio Onor faz-se paralelo a uma pequena linha de água estreitamente dependente do regime da precipitação, ao longo da qual se desenvolve uma esguia mancha de lameiros, ditos de secadal (sequeiro) por se associarem a este tipo de regime hídrico. São explorados, normalmente, num regime misto de corte - no final da primavera / início do verão - e de pastoreio, sendo coutados a partir do início de março.
 
4 - Rio Onor
PNM - rio de OnorA travessia do curso do Onor terá de ser efetuada com recurso às poldras colocadas na continuação do caminho, do lado direito. Este rio nasce em Espanha, na parte ocidental da serra da Culebra, percorrendo um total de cerca de 30 km até desaguar no rio Sabor. O caudal do rio é irregular, mas alberga as espécies de peixes mais comuns na região - truta Salmo truta, boga Chondrostoma polylepis [PDF 171 KB], escalo Leuciscus carolitertii e barbo Barbus bocagei. Amieiros Alnus glutinosa, freixos Fraxinus angustifolia, salgueiros Salix spp. e choupos Populus spp. formam exuberantes cortinas em cada uma das suas margens e, por detrás delas, vislumbram-se extensos contínuos de pastagens de regadio (lameiros de feno). As margens deste rio servem também de refúgio à lontra Lutra lutra [PDF 128 KB] e ao cágado-mediterrânico Mauyremys leprosa [PDF 138 KB], cujos movimentos poderão surpreendê-lo(a) se estiver vigilante, tal como o voo do guarda-rios Alcedo atthis [PDF 228 KB].
 
5 - Incultos
Ultrapassado o rio e chegados(as) ao alto da superfície que o(a) separa do curso da ribeira de Labiados, localmente apelidada de rio Frio, o percurso começa por seguir por entre terrenos agrícolas abandonados que, paulatinamente, vão sendo ocupados por diversas espécies arbustivas, com destaque para as giestas Cytisus spp. amarela e branca, a arçã ou rosmaninho Lavandula stoechas e a esteva Cistus ladanifer. Atente-se, nesta fase de evolução do coberto vegetal, para uma etapa arbustiva que, depois do abandono agrícola, se revela fundamental para a conservação e recuperação ecológica, nomeadamente ao travar a erosão dos solos, ao produzir matéria orgânica e ao criar refúgio para diversas espécies animais, como a perdiz-vermelha Alectoris rufa, a raposa Vulpes vulpes ou o javali Sus scrofa.
 
6 - Santa Colombina e Santo António
Os templos de Santa Colombina e de Santo António têm localização sobranceira à povoação de Gimonde. As festas anuais em honra destes oragos, as principais de Gimonde, realizam-se no 3.º fim de semana de setembro, dedicando-se o sábado às festividades da santa e o domingo às do santo. A manhã é reservada à procissão e missa e a noite ao bailarico. Olhando para sul-sueste observará, rodeado pelo rio Sabor, o Arrabalde, terraço fluvial com ocupação da época romana e o Castro, povoado fortificado da Idade do Ferro, com sistema defensivo composto por uma linha de muralha, um torreão e um fosso.
 
7 - Ponte Velha
PNM - ponte medieval de Gimonde
Ponte romana de Gimonde (® Telmo Afonso).
 
Reentrando na aldeia, depara-se agora com a vetusta ponte de técnica medieval, de tabuleiro em cavalete suave, com seis arcos de meio ponto e talhamares a montante e a jusante. A sua superestrutura e guardas são construídas em pedra xistenta, assentando as suas fundações, superficialmente, no maciço rochoso de xisto. Transposto o rio, finda o percurso.
 

Mapa

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