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Itinerário Automóvel - Serras de Aire e Candeeiros

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Itinerário automóvel - serras de Aire e Candeeiros. Breve descrição. Mapa.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB]das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Extensão aproximada: 90 km.
Duração aproximada: 7 h.
Melhor época: março a setembro.

Breve descrição
Mapa

Breve descrição

1 - Circulando pela A1, saída nó "Aveiras de Cima" via E366 / E1, direção "Rio Maior" / "Leiria".

2 - Após passagem por Venda das Raparigas, virar à direita, direção "Vale de Ventos" / "Arrimal" (sinalização em madeira do Parque Natural). Como referência adicional, ter atenção à placa sinalizando "Redondas" existente neste cruzamento no lado oposto da E1.

3 -  A seguir à povoação de Covão do Milho atinge-se Casal de Vale de Ventos. Virar à direita, direção "Alcobertas" / "Casais Monizes".

4 - Prosseguir até atingir um cruzamento (parque de merendas, à esquerda, e painel de azulejos sobre a serra dos Candeeiros, em frente) onde se vira à direita por caminho de macadame, direção "Marco Geodésico de Candeeiros".

5 - Paragem "Marco Geodésico de Candeeiros". Ponto mais elevado da serra dos Candeeiros de onde se domina um amplo panorama. A oeste, as terras baixas, domínios dos antigos Coutos de Alcobaça, em que os monges-lavradores desbravaram maninhos (i.e. zonas não cultivadas), fixando a população e introduzindo novas culturas e técnicas. Para lá das várzeas, observa-se a mancha extensa dos pinhais cujo verde termina à beira do azul do oceano. No lado contrário, as cumeadas das costas e o relevo arredondado da serra de Aire.

Nos dias calmos de primavera respira-se um ar perfumado por alecrins Rosmarinus officinalis e tomilhos Thymus spp. entre os quais despontam orquídeas e campânulas. Nos céus luminosos cantam cotovias e lavercas Alauda arvensis e pairam gralhas-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax [PDF 151 KB], peneireiros Falco tinnunculus e até mesmo falcões-tagarotes ou ógeas Falco subbuteo [PDF 154 KB] e gaviões Accipiter nisus que, vindos dos pinhais, tentam a sua sorte junto dos passeriformes (i.e. dos pássaros) da serra.

Rosmarinus officinalis Alecrim - CGV Pyrrhocorax pyrrhocorax - CGV
Alecrim Rosmarinus officinalis e gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira).  

6 - Após passagem por Casais Monizes, virar à esquerda direção "Alcobertas" seguindo até a um entroncamento onde se toma a direção contrária (virar à esquerda) à indicação "Rio Maior".

7 - Após Xartinho, virar à direita direção "Alcanede".

8 - Em Alcanede, virar à esquerda após o semáforo direção "Amiais de Cima" / "Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta Algar do Pena (CISGAP)". A partir deste momento seguir sempre as placas indicadoras "Barreirinhas" e "CISGAP".

9 - Paragem "Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta Algar do Pena" (CISGAP) - visita apenas com marcação prévia (contactos). Descoberto em 1985, no decorrer dos trabalhos de desmonte de uma pedreira de calçada no lugar de Vale de Mar, o Algar do Pena oferece uma magnífica paisagem subterrânea que inclui a maior sala deste tipo conhecida em Portugal. Trata-se de um gigantesco espaço que cobre uma superfície aproximada de 1400 m2 com um desnível de cerca de 40 m e albergando uma magnífica paisagem subterrânea recheada de temas espeleológicos. Aliando a riqueza dos aspetos paisagísticos ao interesse didático e pedagógico, foi criado o Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta "Algar do Pena" cuja infraestrutura permite uma visita cuidada à cavidade (apenas com marcação prévia).

CISGAP - OM Algar do Pena - OM
Edifício do CISGAP e aspeto do interior do Algar do Pena (® Olímpio Martins).

Regresso a Barreirinhas, onde se vira à esquerda, direção "Vale da Trave", "Casal do Além" e "Cortiçal", até atingir Vale Florido.

10 - Em Vale Florido virar à direita, direção "Monsanto" / "Alcanena".

11 - Em Monsanto, virar à esquerda, direção "serra de Santo António" e, a seguir, virar à direita no cruzamento para Covão do Feto. Logo após o cruzamento, virar à direita para o "leitor de paisagem" junto ao campo de tiro.

12 - Paragem "Casais da Mureta". A vegetação dos calcários compreende, segundo a exposição e características dos solos, numerosas espécies e associações de que o "leitor de Paisagem" nos dá conta. Nas zonas mais baixas e com menores afloramentos rochosos a "terra rossa" (i.e. terra vermelha) permite uma maior exuberância dos matagais; aroeiras Pistacia lentiscus e medronheiros Arbutus unedo ganham um porte quase arbóreo (i.e. de árvores). A agricultura disputa estes terrenos, surgindo olivais e prados para os ovinos. Sobreiros Quercus suber e carvalhos-cerquinho ou portugueses Quercus faginea isolados são sobreviventes de queimadas e do pastoreio.

As encostas mais abruptas e expostas são o domínio do carrasco Quercus coccifera, arbusto xerofítico (i.e. tolerante à secura) cujas folhas brilhantes e coreáceas (i.e. duras como couro) permitem evitar a perda de água. Os brancos dos calcários misturam-se com os verdes da vegetação, o todo pintalgado pelo vermelho da terra. Grande parte do ano, os relevos desenham-se contra um céu de um azul mediterrânico. Trata-se de uma paisagem harmoniosa e diversificada de onde nos chegam os sons dos pequenos seres que vivem confinados nos matagais, tais como as notas ásperas de uma liliputiana carriça (Troglodytes troglodytes - uma das mais pequenas aves portuguesas), a restolhada provocada pela correria irrequieta de uma lagartixa-do-mato Psammodromus algirus, a melodia de um melro Turdus merula...

Regressar à estrada, virar à direita e seguir até Covão do Feto onde se vira à esquerda, direção "Serra de Santo António".

Sedentas de água que a cada passo lhe foge as populações serranas souberam encontrar soluções para esta contrariedade recolhendo a água das chuvas em cisternas talhadas na rocha calcária e observáveis em vários pontos do percurso, assumindo as mais diversas e curiosas formas com alguns exemplares de telhado coberto a laje.

13 - Ao chegar à povoação "Serra de Santo António", virar à direita, direção "Minde".

14 - Paragem "Polje de Mira-Minde". Uma das formas mais interessantes da morfologia cársica (i.e. das formas do calcário) são os poljes, depressões fechadas de apreciável dimensão, que a linguagem manteve na sua origem balcânica, pátria do karst. O polje de Mira-Minde, a "mata", como aqui é conhecida, situada na base da escarpa da costa de Minde, é um plaino a introduzir uma nota tranquila numa paisagem de movimentada morfologia. Inundado durante três a quatro meses, em anos de pluviosidade normal, forma um grande lago em que se regista a presença de espécies inusitadas num ambiente cársico. Assim, um grupo de gaivotas-de-asa-escura Larus fuscus, um pato-real Anas platyrhynchos [PDF 134 KB] ou uma garça-real Ardea cinerea [PDF 110 KB] podem surgir no espelho de água. Logo que se esgotam as águas, nele se cultivam milho e batatas a par de numerosas culturas hortícolas. Ficam apenas algumas parcas charcas, locais onde as rãs-verde Rana perezi esperam, apreensivamente, pela chegada das chuvas. Quanto ao arvoredo, nota-se apenas a presença de espécies capazes de resistir aos meses de inundação.

Polje Mira-Minde - OM Ardea cinerea Garça-real voo - CGV
Polje de Mira-Minde (® Olímpio Martins) | Garça-real em voo (® Cristina Girão Vieira).

Regresso a "Serra de Santo António" onde se vira à direita, direção "Grutas", "Porto de Mós" e "Alvados".

15 - Continuar pela mesma estrada, passando pelas grutas de Santo António e Alvados até entroncar com E243 onde se vira à esquerda, direção "Nazaré" / "Porto" / "Lisboa" até atingir Zambujal de Alcaria. No léxico regional, o termo "costa" designa uma crista rochosa estreita, retilínea e escarpada. A partir da serra de Santo António o percurso evolui entre duas destas formações, a costa de Minde e a costa de Alvados, na base da qual fica situada a depressão de Alvados, bem visível do lado esquerdo da estrada e que, do ponto de vista geológico, constitui um polje. Como é típico destas zonas, a água das chuvas, depois de se sumir entre o rendilhado das encostas, surge na depressão formando uma lagoa que aumenta à medida que o inverno vai avançando. É uma zona de grande interesse natural pela variedade do coberto vegetal, possibilitando grande diversidade faunística (i.e de animais) e também pela diversidade dos aspetos geomorfológicos que apresenta, pois toda a região é fértil em formas cársicas - dolinas, grutas, algares e lapiás.

16 - Paragem "Zambujal de Alcaria". Local onde se situa o início do percurso pedestre da Fórnea de Alvados (início do percurso assinalado junto à estrada). Percurso pedestre (extensão: 1 km; duração: 30 minutos).

Retomar a E243, direção "Porto de Mós". Imediatamente antes da entrada na vila virar à esquerda, direção "Santarém".

Porto de Mós - castelo - CGV

A vila de Porto de Mós, onde eram fabricadas as afamadas mós que equipavam os moinhos da região, dispõe-se aos pés de um cabeço coroado por curiosa fortificação, o castelo de Porto de Mós de onde se avista o belo panorama das Ventas do Diabo, delimitadas à direita pelo Serro Ventoso e, à esquerda, pela Costa de Alvados. O curioso e elegante castelo, reedificado por D. Sancho I em 1200 e, mais tarde, restaurado por D. Dinis, foi importante bastião nas lutas com a mourama.

17 - Em Serro Ventoso virar à direita, direção "Bezerra", seguindo sempre a indicação "Arrimal", até às lagoas do Arrimal. A estrada evolui através de algumas das mais interessantes paisagens do Maciço de Porto de Mós. À esquerda, irrompe abrupto o Cerro dos Casais como dorsal de um gigante soterrado; à direita, desenvolve-se o vale em que nasce o Lena, suave como a própria designação do rio, com as encostas cobertas de belos carvalhais, vestígios de uma flora antiga. A estrada vai subindo através de campos agrícolas cujo parcelamento, por muros de pedra perpendiculares à via, confere a certos trechos da paisagem um caráter geométrico. Portela do Vale de Espinho é o ponto da cabeceira de dois vales. Numa curva, contornamos a base do Cerro dos Casais com uma linha de moinhos instalada sobre a crista a lembrar-nos saberes ancestrais e soluções mais equilibradas para o quotidiano. Para baixo, a caminho do Arrimal, encontramos, aqui e além, casas dispersas numa paisagem tranquila, entre arvoredos frutícolas e velhos olivais.

18 - Paragem "Lagoas do Arrimal". Esta zona apresenta grande variedade de biótopos, sendo possível observar numerosas espécies de aves. As Lagoas - lagoa grande e lagoa pequena - são pequenas depressões cujos fundos estão impermeabilizados por argilas e outros sedimentos. Armazenam águas pluviais e servem para bebedouro de gados, rega e usos domésticos. Pequenos oásis neste universo de pedra, reúnem uma fauna particular, desde aves aquáticas até anfíbios e répteis, espécies que habitam permanentemente esta área.

Lagoas do Arrimal Arco da Memória
Lagoas do Arrimal | Arco da Memória.

Diante das lagoas ergue-se a serra da Lua, zona de altitude com vegetação rasteira. Os muros de pedra solta virados a poente formam um notável rendilhado de formas, verdadeiro memorial à labuta das populações humanas no seu afã de ganhar a terra.

Possibilidade de realizar, com partida do parque de campismo rural do Arrimal (desativado), o percurso pedestre (duração 2 h) da "PR1 (PMS) - Serra da Lua", devidamente assinalado no terreno.

A meia encosta da serra dos Candeeiros, junto ao Cabeço Gordo, situa-se o Arco da Memória (seguir pelo caminho que parte junto à lagoa do Arrimal), mandado erguer pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em cumprimento do voto de fundar um convento para os frades Bernardos, aos quais doaria todas as terras que se avistassem daquele lugar até ao mar.

Retomar a estrada, direção "E1", seguindo via "Portela do Penedo" e "Portela Nova" até E1 com possibilidades de ligação à A1 (para norte nó de Fátima, para sul nó de Aveiras). 

(adaptado de "Percursos. Paisagens & Habitats de Portugal", Edit. Assírio & Alvim, 2000)

 PNSAC - 1- itinerário auto - mapa