PR1 (ACN) Olhos de Água do Alviela

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota (PR) no concelho de Alcanena. PR1 (ACN) - Olhos de Água do Alviela. Enquadramento: sul do planalto de Santo António. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.
Nascente dos Olhos de Água - OM
Nascente dos Olhos de Água do Alviela (® Olímpio Martins).
 

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada que liga Alcanena a Amiais de Baixo (acesso da A1 na saída de Torres Novas).
Ponto de partida e de chegada: Olhos d'Água do Alviela, junto ao edifício da EPAL.
Extensão: 2 km.
Duração: 1 h.
Dificuldade: baixa.
Apoios: parque de campismo dos Olhos d´Água do Alviela, restaurante, café e Centro de Interpretação dos Olhos d'Água do Alviela.

Breve descrição 
Pontos de interesse 
Mapa

Breve descrição

O percurso pedestre dos Olhos d'Água do Alviela é uma das estruturas que integram o Complexo das Nascentes do Alviela.

A nascente dos Olhos de Água do Alviela constitui a mais importante nascente do nosso país e situa-se, tal como outras da região, na orla do Maciço Calcário Estremenho.

A água que brota da nascente é originária da chuva que se precipita e se infiltra no Planalto de Santo António e é conduzida até este local por uma complexa rede de galerias subterrâneas que constituem centenas de grutas existentes na região.

Com uma envolvente de grande beleza paisagística, o Alviela nasce na base de uma escarpa, local conhecido por Olhos de Água, onde é feito o abastecimento de água para consumo público a Lisboa, desde 1880.

Olhos d’Água do Alviela OM PNSAC - Canhão flúvio-cársico dos Amiais
Nascente dos Olhos d'Água do Alviela (® Olímpio Martins) | Canhão fluvio-cársico dos Amiais.

 

Outro curso de água partilha este local: a ribeira dos Amiais. Pequeno afluente do Alviela que, ao atravessar calcários no seu percurso, é responsável por um dos mais interessantes fenómenos flúvio-cársicos do nosso país, dando origem a um sistema de perdas e ressurgências em conjunto com o Alviela. Ao deparar-se com um pequeno afloramento calcário, a ribeira dos Amiais desaparece no interior da rocha através de uma gruta – Perda – construída à custa da erosão provocada pela passagem de água ao longo de milhares de anos, percorrendo atualmente cerca de 250 m de leito subterrâneo.

Caminhando para jusante, encontra-se uma depressão de abatimento – janela cársica – onde, para além de se poder observar, na sua base, o leito subterrâneo da ribeira, são igualmente evidentes antigas galerias há muito abandonadas pela água e que atualmente constituem local de abrigo de importantes colónias de morcegos (por este motivo desaconselha-se a visita às grutas). Seguindo o percurso, desce-se até ao local onde a ribeira dos Amiais reaparece à luz do dia, constituindo o que é conhecido por Ressurgência.

É neste local, na margem esquerda da ribeira, que podemos observar as águas do Alviela subterrâneo. Esta “saída de nível” da nascente dos Olhos de Água, caso não estivesse separada por um dique, constituiria, simultaneamente, uma Perda / Exsurgência, dependendo da quantidade de chuva precipitada na região. Normalmente, é emissiva em invernos particularmente pluviosos, dando origem a caudais torrenciais.

Quanto ao dique, a sua construção no início do séc. XX, foi sugerida pelo hidrogeólogo suíço Ernest Fleury, um dos percursores da espeleologia em Portugal e responsável por um estudo encomendado pela então Companhia das Águas de Lisboa, sobre a nascente do Alviela. A ribeira dos Amiais percorre os restantes 200 m que a separam da foz, por um leito de margens escarpadas que constitui o terço final do canhão flúvio-cársico do mesmo nome.

Este interessante complexo de grutas tem uma envolvente composta por vegetação de características mediterrânicas de que se destaca o sobreiro Quercus suber, o pinheiro-manso Pinus pinea, o medronheiro Arbutus unedo, a aroeira Pistacia lentiscus entre outras. O hipericão Hypericum spp., planta medicinal, é uma das muitas espécies favorecidas pelas características ecológicas diversificadas dos Olhos de Água do Alviela.

Relativamente à fauna, estas grutas assumem um papel importante como locais de abrigo de cerca de 11 espécies de morcegos. Estes são animais muito sensíveis a todo o tipo de perturbação e verdadeiramente importantes do ponto de vista ecológico, dado que fazem um controlo eficaz das populações de insetos (cada animal ingere por noite, cerca de metade do seu próprio peso em insetos), pelo que está interdito o acesso às grutas.

Pontos de interesse

Nascente - vista geral sobre a nascente dos Olhos de Água e a foz da ribeira dos Amiais.

Canhão - vista geral do “Canhão flúvio-cársico dos Amiais”. Vale muito cavado, de vertentes estreitas e abruptas.

Janela cársica - depressão por abatimento do teto da gruta, sobre o leito da ribeira subterrânea dos Amiais. Observa-se também, ao nível da “estação”, orifícios de acesso a grutas, que correspondem a antigos leitos da ribeira subterrânea, atualmente abandonados.

Ribeira de Amiais PNSAC - Perda
Ribeira de Amiais | Perda (passagem da ribeira dos Amiais de curso de água de superfície a subterrâneo).

Perda - passagem da ribeira dos Amiais de curso de água de superfície a subterrâneo.

Poço Escuro - vista sobre a “saída de nível” do Poço Escuro. Trata-se de uma nascente temporária do Alviela, que, por se encontrar a um nível superior ao da permanente, apenas expele água quando existem precipitações muito elevadas. O nível, “construído” no início do século XX, evita que as águas da ribeira dos Amiais se misturem com as do Alviela, a montante da captação.

Ressurgência - passagem da ribeira dos Amiais de curso de água subterrâneo a subaéreo (de superfície).

Olhos de Água - na base da escarpa situada na margem direita da ribeira dos Amiais observa-se uma pequena represa alimentada pela nascente e que serve a captação de água para distribuição pública. Por cima desta, pode-se observar, ainda, a entrada da gruta com o mesmo nome, e que dá acesso ao coletor do Alviela, que é alimentado, principalmente, pela água das chuvas que se precipitam sobre o planalto de Santo António.

Mapa

PR1 ACN - Olhos de Água do Alviela - mapa