PR1 (ACB) Vale de Ventos

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota (PR), no concelho de Alcobaça. PR1 (ACB) - Vale de Ventos. Enquadramento - serra dos Candeeiros, próximo da povoação de Casal de Vale de Ventos, com possibilidade de observação da costa litoral, em dias límpidos. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.
Berlengas vistas de Vale de Ventos - CGV

Berlengas vistas de Vale de Ventos (® Cristina Girão Vieira).

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB]das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: E.N.1, E.N.362 Porto de Mós-Alcanede, pela Mendiga e E.M. Rio Maior-Porto de Mós, passando por Alcobertas, Casais Monizes, Casal de Vale de Ventos, Bezerra, Portela de Vale Espinho, Porto de Mós.
Ponto de partida e de chegada: casas de Vale de Ventos (antigas casas florestais).
Extensão: 2,5 Km.
Duração: 1h:30min.
Dificuldade: baixa.
Apoios: café e telefone público.
 

Breve descrição 
Pontos de interesse 
Mapa

Enquadramento - serra dos Candeeiros, próximo da povoação de Casal de Vale de Ventos, com possibilidade de observação da costa litoral, em dias límpidos.

Breve descrição

Este pequeno circuito desenvolve-se pela cumeada da serra dos Candeeiros, na envolvente da povoação de Vale de Ventos, onde domina a vegetação rasteira de altitude e a agricultura de sequeiro, para além do pinhal e alguns núcleos de matos desenvolvidos, o que permite a observação de um número significativo de espécies faunísticas (i.e. animais).

Nos anos 40, a serra dos Candeeiros foi submetida ao Regime Florestal, nos baldios do território da serra foram criados vários Perímetros Florestais, consequência da aplicação de uma política que procurou rentabilizar ao máximo os solos de Portugal e, simultaneamente, combater a erosão causada pelo seu uso intenso. As ações de arborização realizaram-se aqui, a partir dos anos sessenta, sendo utilizadas diferentes espécies de pinheiros. Durante este percurso poderá observar núcleos formados por pinheiros-de-alepo Pinus halepensis e pinheiros-insígne Pinus radiata que restam desse esforço de arborização. Associados a estes pinhais surge uma fauna variada onde se destaca a cobra-lisa-meridional Coronella girondica, a cobra-de-escada Elaphe scalaris, o pombo-torcaz Columba palumbus, o pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula, o chapim-real Parus major, o chapim-carvoeiro Parus ater, a trepadeira-comum Certhia brachydactyla, o musaranho e o rato-do-campo.

Casal de Vale de Ventos Saxicola torquata Cartaxo macho - CGV
Casal de Vale de Ventos | Macho de cartaxo-comum Saxicola torquata (® Cristina Girão Vieira).
 

No percurso ocorrem ainda, pontualmente, bosquetes de carvalho-português ou cerquinho Quercus faginea, onde poderão ser observados o cartaxo-comum Saxicola torquata, a toutinegra-de-barrete-preto Sylvia atricapilla, o pica-pau-verde Picus viridis, o gaio Garrulus glandarius, o verdilhão Carduelis chloris e a carriça Troglodytes troglodytes.

As manchas de matos são dominadas por uma comunidade composta de alecrim Rosmarinus officinalis, pimenteira, tojo Ulex spp. e carrasco Quercus coccifera, às quais está associada uma diversidade de fauna onde se destaca o sardão Lacerta lepida e a cobra-de-pernas-tridáctila Chalcides striatus, ou algumas aves como a laverca Alauda arvensis, a petinha-dos-campos Anthus campestris e a carriça-do-mato.

Pontos de interesse

Casas de Vale de Ventos - antigas casas dos Guardas Florestais, foram cedidas ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) em 1987, sendo, posteriormente, recuperadas para alojamento. Este núcleo, constituído por duas casas com capacidade para 8 e 6 pessoas, respetivamente Casa Grande e Casa Pequena, podem ser alugadas mediante marcação prévia para o Parque. Atualmente, a Casa Pequena encontra-se fechada para obras.

Vale - com um desenvolvimento para oeste, situa-se um vale suspenso no qual se instalou uma grande extensão de matos que descem até ao sopé da serra nos quais se destaca a aroeira Pistacia lentiscus e o tojo Ulex spp.; aí, com sorte, podem ser observadas algumas espécies de aves de rapina a caçar, sobretudo búteos ou águias-de-asa-redonda (Buteo buteo). Saindo do percurso, em direção à cabeceira do vale, uma escarpa exposta também a oeste, tem sido ocupada por rabirruivo-preto Phoenicurus ochruros e coruja-das-torres Tyto alba.

Arquitetura tradicional - a povoação de Vale de Ventos, no seu conjunto de casas e muros de pedra, assume e documenta as características essenciais de subsistência da população num meio que lhe é adverso, onde poderão ser observados exemplares de casas rurais, em calcário, que são verdadeiros documentos vivos da forma tradicional da construção serrana.

Vale de Ventos Vale de Ventos - casas
Paisagem | Casas em Vale de Ventos.

Lagoa do Casal de Vale de Ventos - lagoa seminatural, tradicionalmente designada por barreiro. É uma das muitas formas de retenção de água, que se podem observar nesta região. A grande permeabilidade da rocha calcária conduz à inexistência de cursos de água superficiais, pelo que estes pontos de retenção de água assumem, nesta região, uma importância decisiva no dia a dia destas populações: reservas de água para o gado, rega e alguns usos domésticos. A acumulação de água em depressões deste tipo apenas se verifica na estação chuvosa, estando relacionada com o facto dos fundos se encontrarem impermeabilizados com argilas e outros sedimentos. Pequenos oásis numa paisagem agreste onde domina a pedra, estes pontos de água são ainda essenciais para a reprodução de algumas espécies de anfíbios e igualmente importantes como bebedouros para uma fauna diversificada.

Pedreira de calçada - à ilharga do percurso, uma pedreira sublinha de forma evidente os efeitos de uma das atividades económicas mais importantes do Maciço Calcário Estremenho. No primeiro plano, pedreiras de calçada branca, produzem a matéria-prima dos mais belos passeios das nossas ruas, depois de um duro trabalho manual, em que das pancadas certeiras de um martelo nascem os cubos que todos conhecemos. Mais ao fundo, pedreiras de blocos e lancil, extraem os calcários utilizados na construção civil. A recuperação paisagística, obrigatória no Parque, irá proporcionar novas paisagens, socialmente úteis, que possam fazer esquecer as feridas na paisagem que agora se veem.

Cisterna - na ausência de água à superfície, as cisternas são uma forma tradicional de armazenamento de água. Talhadas na rocha calcária, de formas diversas, ainda hoje se podem observar junto às casas mais antigas, cumprindo a sua função.

Mapa

PNSAC - Vale de Ventos mapa