PR1 (PMS) Serra da Lua

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR1 (PMS) - serra da Lua, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - serra dos Candeeiros, desenvolvendo-se para nascente, próximo da povoação do Arrimal, ao longo da serra da Lua. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

PR1 (PMS) marca Serra da Lua Esculturas - CGV
Marcação do percurso | Escultura na serra da Lua (® Cristina Girão Vieira).  

Acesso: E.N.1 por Vale de Ventos, EN362 - Porto de Mós-Alcanede, pela Mendiga e E.M. Rio Maior-Porto de Mós, passando por Alcobertas, Casais Monizes, Casal de Vale de Ventos, Arrimal.
Ponto de partida e de chegada: parque de campismo rural do Arrimal (desativado).
Extensão: 6 Km.
Duração: 3 h.
Dificuldade: baixa.
Apoios: Cafés, restaurantes, telefone, minimercado e posto médico (Arrimal).

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - serra dos Candeeiros, desenvolvendo-se para nascente, próximo da povoação do Arrimal, ao longo da serra da Lua. 

Breve descrição

Na vertente este da serra dos Candeeiros, o percurso pedestre da serra da Lua torna-se interessante, também, pela presença de uma intervenção escultórica em forma de espiral, inscrita na encosta poente da referida serra. Realizada aquando do Concurso de Escultura integrado na 1ª Semana da Pedra, atividade promovida pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e realizada no concelho de Porto de Mós, em 1988.

Da presença de água na lagoa pequena do Arrimal até à semidesértica cumeada seca da serra da Lua, as plantas marcam a sua presença mantendo precisamente uma obediência evidente à disponibilidade de água.

Nas épocas do ano sem precipitação, é possível observar um manto verde, composto por milhões de exemplares de lentilha-de-água Lemna minor, a cobrir o espelho de água da lagoa, sinal da presença excessiva de matéria orgânica nestas águas. Nas margens, a tabúa Typha latifolia, pelo porte e pelo aspeto de charuto das suas inflorescências, evidencia-se de todo um conjunto de plantas características das zonas húmidas. A rã-verde Rana perezi, a salamandra-dos-poços, a cobra-d’água-viperina Natrix maura, a galinha-de-água Gallinula chloropus [PDF 150 KB] e o mergulhão-pequeno Tachybaptus ruficollis são as espécies mais comuns nas lagoas.

Rana perezi Rã-verde - CGV Tachybaptus ruficollis Mergulhão-pequeno (4) - CGV
Rã-verde Rana perezi e mergulhão-pequeno Tachybaptus ruficollis (® Cristina Girão Vieira).  

Outrora, os campos agrícolas, por onde passa o percurso pedestre, estavam ocupados por um carvalhal do qual resta uma tira na base da serra da Lua. Merece destaque a presença de duas espécies de carvalho diferentes: o carvalho-negral (Quercus pyrenaica - este último, uma relíquia de tempos remotos em que o clima da serra era mais frio); e o carvalho-cerquinho (Quercus faginea).

Esta zona mista de carvalhal, olival abandonado e matagal possui uma diversidade de avifauna (ie. de espécies de aves) onde se destaca o torcicolo (Jynx torquilla), o vistoso papa-figos (Oriolus oriolus), o chapim-azul (Parus caeruleus), a toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), a felosa-comum (Phylloscopus collybita), a trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), o tentilhão (Fringilla coelebs), a tordoveia (Turdus viscivorus, o maior tordo do país), o gaio (Garrulus glandarius), o pica-pau-verde (Picus viridis), que parece relinchar, e a carriça (Troglodytes troglodytes), uma das aves portuguesas mais pequenas e pouco coloridas, mas com um canto potente e melodioso.

Carvalhal Sylvia atricapilla Toutinegra-de-barrete-preto macho - CGV
Carvalhal | Macho de toutinegra-de-barrete-preto Sylvia atricapilla (® Cristina Girão Vieira).  

O coberto vegetal que domina a encosta e a cumeada da serra é consequência do uso intenso a que o solo tem estado sujeito nestas paragens: arranque do mato; queimadas; e pastoreio. O coberto que permanece é uma comunidade vegetal dominada por matos baixos, organizados, esparsamente, e acompanhados por diversidade considerável de herbáceas, das quais destacamos as orquídeas.

Aqui é o reino da gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), da laverca (Alauda arvensis), da estringerna, do cartaxo (Saxicola torquata), da perdiz-vermelha (Alectoris rufa), do pintarroxo (Carduelis cannabina) e da carriça-do-mato. Esta zona é, ainda, importante como território de caça para algumas espécies de aves de rapina, como a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o búteo ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) e o peneireiro-comum ou de-dorso-malhado (Falco tinnunculus).

Pontos de interesse

 

Lagoa pequena Paisagem
Lagoa Pequena do Arrimal | Paisagem.

Lagoa Pequena do Arrimal - esta e a lagoa grande, (a cerca de 200 m para NO) constituem formas naturais de armazenamento das águas pluviais; pequenas depressões cujos fundos se encontram impermeabilizados com argilas e outros sedimentos. Tradicionalmente utilizadas pelas populações do Arrimal, Arrabal, Mendiga e Alqueidão para bebedouros do gado bovino, rega e usos domésticos, constituem pequenos oásis neste reino da pedra, onde a água é mais abundante no meio subterrâneo do que à superfície.

Poços - estes, em volta das lagoas e ao longo da rua principal, são belos exemplares arquitetónicos construídos em calcário dos quais se desconhece a idade, e de onde, não há muito tempo, se retirava água para uso doméstico.

Casas de apoio à agricultura e pastorícia - numa área onde a existência de solo agrícola se encontra confinada às depressões e o relevo determina pequenas propriedades delimitadas por muros de pedra solta - os chousos, a existência de pequenas construções em pedra, dentro da propriedade, muitas vezes apenas com uma só abertura, permitem a arrecadação de alguns utensílios agrícolas e, simultaneamente, o abrigo de alguns animais de pequeno porte, nomeadamente, ovelhas.

Dolina - uma das formas cársicas (i.e. do calcáreo) características destas paisagens são as dolinas: depressões de forma grosseiramente circular e de fundo preenchido por sedimentos, podendo ou não estar associadas a algares. Muitas vezes são pequenas depressões rodeadas de muros de pedra solta onde se pratica uma agricultura de subsistência.

Mapa

 
PNSAC - PR1 serra da lua - mapa