PR1 (TNV) Grutas do Almonda

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR1 (TNV) - Grutas do Almonda, no concelho de Torres Novas. Enquadramento - ao longo do bordo nordeste da serra de Aire na proximidade do arrife. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

CISGAlmonda edifício
Edifício do Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada municipal entre Pedrógão e Vale da Serra
Ponto de partida: Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda (CISGA).
Ponto de chegada: Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire.
Extensão: 10 km.
Duração: 5 h.
Dificuldade: baixa.
Apoios: Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda, Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém/Torres Novas, parques de merendas e café (Casal do João Dias).

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - ao longo do bordo nordeste da serra de Aire na proximidade do arrife.

Breve descrição

Este percurso inicia-se no Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda (CISGA) e termina no Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire.

Marcador [kmz 1 KB] - para visualização do CISGA no google maps.

O caminho alonga-se entre o arrife e a serra de Aire. Alterna zonas florestadas com pinhal bravo ou eucaliptal e extensas zonas de matos. Na sua parte final atravessa campos agrícolas com olival. As vistas para a serra ou para a lezíria, o corte vigoroso do arrife e as delicadas esculturas que formam os lapiás são motivos diversificados que valorizam o trilho com atrativos inesperados.

A vegetação é diversificada, especialmente a nível dos matos, sendo fácil encontrar alecrim (Rosmarinus officinalis), roselha (Cistus albidus), tojo, aroeira (Pistacia lentiscus), trovisco (Daphne gnidium) e carrasco (Quercus coccifera).

Rosmarinus officinalis Alecrim - CGV Cistus albidus Roselha - CGV
Alecrim Rosmarinus officinalis e Roselha Cistus albidus (® Cristina Girão Vieira).

Os medronheiros (Arbutus unedo) e uma ou outra azinheira (Quercus rotundifolia) erguem-se, por vezes, acima desta diversidade de espécies ou crescem pelo meio dos pinhais. As oliveiras (Olea europaea) assumem, às vezes, um porte considerável, mas, frequentemente, são apenas pequenos arbustos difíceis de distinguir do seu antepassado selvagem, o zambujeiro (Olea europaea var. sylvestris). É curioso notar as árvores recentemente plantadas de tanchão ou pau seco, método que aproveita a facilidade da oliveira em enraizar.

Circaetus gallicus Águia-cobreira - CGV Bubo bubo Bufo-real - EG
Águia-cobreira Circaetus gallicus (® Cristina Girão Vieira) | Bufo-real Bubo bubo (® Eduardo Gameiro).

Podem observar-se diversas espécies de animais. Das aves de rapina destaca-se o búteo ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o peneireiro-comum ou de-dorso-malhado (Falco tinnunculus) e a águia-cobreira (Circaetus gallicus). O bufo-real (Bubo bubo), a maior das rapinas noturnas em Portugal,  nidifica pelas fragas. A perdiz-vermelha (Alectroris rufa) é frequente, especialmente nas zonas cultivadas. Dos passeriformes (aves a que vulgarmente chamamos pássaros) existe uma grande diversidade de espécies desde a maior, o corvo (Corvus corax), até à pequena carriça (Troglodytes troglodytes), não esquecendo o cartaxo-comum (Saxicola torquata) ou as toutinegras (Sylvia spp.).

Entre os mamíferos destaca-se o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), a geneta (Genetta genetta), a raposa (Vulpes vulpes) e até o gato-bravo (Felis silvestris). Entre os répteis encontra-se o sardão (Lacerta lepida), a cobra-de-escada (Elaphe scalaris) e a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus).

Pontos de interesse

CISGAlmonda PR1 (TNV) - Lapiás
Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda | Lapiás.

Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Almonda - edifício com uma ampla varanda panorâmica e infraestruturas que permitem o acolhimento. Para mais informações, contacte a Câmara Municipal de Torres Novas.

Perto deste centro existe uma cavidade onde é possível chegar ao leito subterrâneo do Almonda, rio que, a algumas centenas de metros, na base do arrife, surge à superfície através duma exsurgência, culminar de extensas galerias que se estendem pelo interior da serra de Aire por alguns quilómetros.

Antiga pedreira revitalizada por escuteiros - esta antiga pedreira de brita, abandonada há alguns anos, foi alvo de um projeto de revitalização. Trata-se de uma solução inovadora que pretende valorizar este local, utilizando o espaço criado artificialmente pela atividade extrativa visando a sua utilização para atividades escutistas.

Campo de lapiás - termo utilizado para designar a superfície modelada com formas de carsificação - os lapiás. Os lapiás podem apresentar várias formas e dimensões, sendo que o termo “megalapiás” engloba formas variadas cuja característica comum reside nas suas dimensões superiores ao normal.

Arrife - o arrife que se estende paralelo à serra é uma imensa falha geológica que resultou da quebra de materiais pouco plásticos aquando da elevação do maciço calcário. É uma fronteira vigorosa que acompanha todo o percurso e separa a serra das terras baixas. Por vezes constituindo fragas com um desnível que chega aos 40 m, é um ótimo local para nidificação de diversas espécies de aves como o bufo-real (Bubo bubo) ou o corvo (Corvus corax). Mesmo quando nos afastamos dos seus limites a sua presença continua a manifestar-se, por vezes cortando a distância que nos separa das suaves colinas lá em baixo com uma linha vigorosa e abrupta.

Olival - as oliveiras (Olea europaea) são árvores de formas bizarras. São “sagradas” e símbolo da nossa civilização mediterrânica. Aparecem alguns bravios zambujeiros (Olea europaea var. sylvestris) e olivais que crescem, bem cuidados, pelo meio dos campos de cultivo, continuando a produzir o azeite e as azeitonas que acompanham muitos sabores. A lenha da oliveira arde com alegria e calor e, por isso mesmo, lamentavelmente, algumas oliveiras foram já reduzidas a moitas. Porém, a estima por esta árvore milenar continua e é possível perceber como se plantaram novas oliveiras de pau seco, de tanchão, numa terra onde se mistura suor e amor.

Agricultura tradicional - os mesmos gestos e o mesmo ritmo moldado pelas estações, pela temperatura e pela água. Um entendimento perfeito com esta terra vermelha, cheia de frescura. Já apareceu o trator que vem destronar as juntas de bois e, no entanto, continua a ser a enxada a escrever nestes campos despedrados a história desta agricultura de subsistência. Gestos que passaram de geração em geração, numa sábia e diversificada utilização da terra.

Paisagem - vale a pena parar um pouco e olhar em volta. Tentar perceber por onde passa o trilho. Identificar primeiro a profundidade do céu e a última linha do horizonte no seu cinzento azulado e difuso. A margem de lá do Tejo e o branco casario da Chamusca. A lezíria que parece pequena. As colinas que separam a planície da serra. O corte vigoroso do arrife como um golpe profundo. A própria serra na sua estranha imobilidade como um animal gigantesco adormecido.

Centro Pegadas
Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém/Torres Novas | Pegadas.

Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém/Torres Novas - pistas de dinossáurios saurópodes que percorreram estas paragens muito antes de existir a serra e que, para além de estarem bem conservadas, são as mais extensas que se conhecem. Na laje calcária onde as pegadas de dinossáurios se conservaram ao longo de 175 milhões de anos, podem ser observados cerca de 20 trilhos ou pistas, uma delas com 147 m e outra com 142 m de comprimento. Contém, assim, um importante registo fóssil do período Jurássico, as pegadas de alguns dos maiores seres que alguma vez povoaram o planeta Terra: os dinossáurios saurópodes. Estes eram animais possantes, herbívoros, quadrúpedes, de cabeça pequena, e cauda e pescoço compridos. A cauda serviria, possivelmente, para se defenderem dos predadores; o pescoço, tal como a cauda, ajudaria estes animais a manter o equilíbrio, permitindo-lhes chegar à vegetação mais alta e torná-los mais competitivos em relação a animais de menor porte. A par com este inestimável património paleontológico existem diversas estruturas de apoio às e aos visitantes e caminheiros. Pode adquirir material de divulgação do Monumento Natural e do próprio Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros ou assistir a um filme sobre a descoberta e o valor desta jazida de pegadas fósseis. Para além das e dos inúmeros visitantes que recebe anualmente, o Monumento Natural funciona também como polo dinamizador de diversas atividades.

Mapa

 PR1 TNV Grutas do Almonda - mapa