PR2 (PMS) Arco da Memória

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR2 (PMS) - Arco da Memória, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - serra dos Candeeiros, desenvolvendo-se para poente da povoação do Arrimal. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Arco da Memória Lagoa pequena do Arrimal
Arco da Memória | Lagoa pequena do Arrimal.  

Acesso: E.N.1 por Vale de Ventos, E.N. 362 Porto de Mós-Alcanede, pela Mendiga e E.M. Rio Maior-Porto de Mós, passando por Alcobertas, Casais Monizes, Casal de Vale de Ventos, Arrimal.
Ponto de partida e de chegada: Parque de Campismo Rural, do Arrimal (desativado).
Extensão: 7 km.
Duração: 3 h.
Dificuldade: baixa.
Apoios: Cafés, restaurantes, telefone, minimercado (Arrimal) e posto médico.

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - serra dos Candeeiros, desenvolvendo-se para poente da povoação do Arrimal.

Breve descrição

Este percurso situa-se em redor da povoação de Arrimal onde uma grande diversidade de aspetos pode ser observada. O bosque - de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica) - este último, uma relíquia de tempos remotos em que o clima da serra era mais frio - os matos, a agricultura, os pontos de água, a arquitetura tradicional, o relevo e a compartimentação da paisagem, entre outros, são alguns dos atrativos deste percurso que culmina no Arco da Memória, importante marco divisório das terras atribuídas por D. Afonso Henriques aos monges de Cister, conforme reza a história.

A diversidade e, por vezes, sobreposição de biótopos presentes ao longo deste percurso permitem a ocorrência e, eventualmente, a observação, de grande número de espécies da fauna. Nas lagoas do Arrimal a presença de água durante todo o ano proporciona um biótopo privilegiado para os anfíbios, sendo possível observar a rã-verde Rana perezi e a salamandra-dos-poços. Do mesmo modo, é possível encontrar exemplares de cobra-de-água-viperina Natrix maura e algumas aves características das zonas húmidas, nomeadamente a galinha-de-água Gallinula chloropus [PDF 150 KB] e o mergulhão-pequeno Tachybaptus ruficollis.

Os campos agrícolas criam condições para a ocorrência de anfíbios, como o sapo-comum (Bufo bufo) e a salamandra-comum [PDF 441 KB] ou de pintas amarelas (Salamandra salamandra); de répteis, em especial a lagartixa-comum; de aves, com destaque para o mocho-galego (Athene noctua), a poupa (Upupa epops), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), a alvéola-branca (Motacilla alba), o pardal-montês (Passer montanus), o pintassilgo (Carduelis carduelis) e o trigueirão (Emberiza calandra); e ainda para alguns mamíferos, entre eles, o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), a toupeira (Talpa occidentalis), o musaranho e o rato-do-campo.

Salamandra salamandra Salamandra-comum - CGV Pyrrhocorax pyrrhocorax - CGV
Salamandra-comum Salamandra salamandra e gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira).  

Nos bosques de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) poderão ocorrer exemplares de cobra-de-escada e de cobra-de-ferradura, de doninha e de geneto ou gineta, para além de uma diversidade de aves de que destacamos o gavião (Accipiter nisus), o pica-pau-verde (Picus viridis), o torcicolo (Jynx torquilla), o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), a toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), a felosa-comum (Phylloscopus collybita), o chapim-azul (Parus caeruleus) e o gaio (Garrulus glandarius).

Os matos, que ladeiam alguns pontos do percurso, constituem habitat de alguns répteis, como o sardão [PDF 456 KB] (Lacerta lepida), a lagartixa-do-mato [PDF 558 KB] (Psammodromus algirus) e a cobra-rateira [PDF 453 KB] (Malpolon monspessulanus); de aves, tal como a perdiz-comum (Alectoris rufa), o cuco, a toutinegra-de-cabeça-preta (Sylvia melanocephala) e o pintarrôxo (Carduelis cannabina); ou ainda de mamíferos, como o coelho (Oryctolagus cuniculus [PDF 157 KB]) e a raposa (Vulpes vulpes).

Em zonas de vegetação rasteira de altitude, onde domina o alecrim e a pimenteira, podem ser observadas espécies de aves menos comuns como a estringerna, a laverca (Alauda arvensis), a petinha-dos-campos (Anthus campestris) e a notável gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax). Podem ainda ser observados alguns répteis, como é o caso da cobra-de-pernas-tridáctila (Chalcides striatus).

Pontos de interesse

 

Lagoa pequena do Arrimal - esta e a lagoa grande (a cerca de 200 m para NO) constituem formas naturais de armazenamento das águas pluviais. São pequenas depressões cujos fundos se encontram impermeabilizados com argilas e outros sedimentos. Tradicionalmente utilizadas pelas populações do Arrimal, Arrabal, Mendiga e Alqueidão, para bebedouros do gado bovino, rega e usos domésticos, constituem pequenos oásis neste reino da pedra. O facto de armazenarem água durante praticamente todo o ano, torna-as, sem dúvida, importantes para os anfíbios, já que estes dependem de zonas com água para o seu desenvolvimento larvar. Os poços, em volta das lagoas e ao longo da rua principal da povoação do Arrimal, são belos exemplares arquitetónicos construídos em calcário, dos quais se desconhece a idade, que testemunham a presença da água em lençóis freáticos mais próximos da superfície, noutros tempos.

Cruzeiro - construído em calcário e de formas retilíneas, é um dos muitos exemplares que se podem encontrar quando se percorre a serra dos Candeeiros, nomeadamente no cruzamento que se segue à Lagoa Grande, no sentido norte e no largo junto à estrada no Alqueidão do Arrimal.

Moinhos - pontos notáveis na paisagem de relevo vigoroso e agreste, os moinhos de vento pontuam as cumeadas, expostos aos ventos nordeste. Abandonados na sua maioria, alguns estão a ser recuperados pelos proprietários de forma a simbolicamente cumprirem a sua função, e constituindo em simultâneo uma forma de mostrar ao homem dos nossos dias o engenho de outros tempos.

Arco da Memória - na encosta sudoeste do Cabeço Gordo, praticamente coincidente com os limites administrativos que separam os concelhos de Porto de Mós e de Alcobaça, o Arco da Memória constitui, ainda hoje, uma referência importante para as populações e um ponto notável na paisagem serrana. Segundo inscrições no colo da cimalha, hoje desaparecidas, foi mandado erguer por D. Afonso Henriques em cumprimento do voto de fundar um convento aos Bernardos, aos quais doaria todas as terras que se avistassem daquele local até ao mar.

Vale Grande - nome pelo qual é conhecido este belo vale bastante encaixado e que se desenvolve para oeste. Este local, coberto em quase toda a sua extensão por matos de porte variável, torna-se um local privilegiado para algumas aves de rapina caçarem, tais como o peneireiro-vulgar e a águia-de-asa-redonda. Aqui, e devido à fraca perturbação humana, já têm sido observadas raposas a caçar em pleno dia.

Pedreira de laje - na pedreira que confina com o percurso, extrai-se calcário em bruto que, depois de escassilhado manualmente, é transformado em lajes de pequena dimensão utilizadas na construção de muros e pavimentos. Um pouco mais adiante, entre o percurso e os muros de pedra, uma antiga pedreira de laje foi recuperada pelo explorador, permitindo à vegetação espontânea a colonização dessa área e a sua progressiva recuperação paisagística. Aqui se percebem os passos evolutivos desta atividade, em que a recuperação paisagística é obrigatória, proporcionando novas paisagens que permitam a existência de novos ecossistemas.

Capela do Arrabal

 

Capela do Arrabal - atualmente Arrabal, este lugar foi primeiro designado por Arrimal de Cima, onde se encontra uma capela de invocação a S. João Baptista, com festa anual a 24 de junho.

 

 

 

Mapa

 
PNSAC - PR 2 Arco do Arrimal - mapa