PR2 (RMR) Chãos / Alcobertas

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR2 (RMR) - Chãos / Alcobertas, no concelho de Rio Maior. Enquadramento - a sul da serra dos Candeeiros, na vertente nascente. Duas opções de percurso. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

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Centr Tecelag Artes Chaos
Tecedeira no tear no Centro de Tecelagem Artesanal de Chãos.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada municipal Rio Maior - Fonte da Bica - Teira - Chãos - Alcobertas - Casais Monizes (segue para Arrimal, etc., em direção a Porto de Mós).
Ponto de partida e chegada: Centro de Artes e Ofícios - Centro de Tecelagem Artesanal (Chãos).
Extensão: 16 km (percurso longo).
Duração: 7 h.
Dificuldade: média.
Apoios: Centro Cultural de Chãos (wc, bar, restaurante e alojamento), Centro de Tecelagem Artesanal, café, restaurante, parque de merendas (Chãos, Alcobertas e Portela das Salgueiras).
 

 

Enquadramento - a sul da serra dos Candeeiros, na vertente nascente.

 

Breve descrição

O percurso pedestre de Chãos / Alcobertas permite 2 opções de circuito ou variantes:

  • A - desce ao interior da povoação de Alcobertas, com maior incidência no património cultural e nos vestígios arqueológicos aí existentes; e
  • B - representativa do património cultural serrano, de aspetos importantes da geomorfologia e da paisagem natural da vertente nascente da serra dos Candeeiros e o troço assinalado a tracejado na carta que permite, a partir do Olho de Água, retornar ao ponto de partida (Chãos), reduzindo assim a extensão do mesmo.

 

Tecedeira Olho d’Água das Alcobertas
Visitantes apreciando o trabalho no tear  (® António Frazão) | Olho d'Água das Alcobertas.

Com início no Centro de Tecelagem Artesanal de Chãos, edifício anexo de antiga casa florestal, recuperado em 1993, que, como o nome indica, funciona atualmente como oficina de tecelagem artesanal, o percurso segue pela povoação de Chãos, onde o setor agropecuário constitui uma das principais fontes de rendimento. Descendo para Alcobertas, povoação rica em vestígios arqueológicos, onde se destaca a Anta neolítica e os silos de armazenamento de cereais, segue-se para o Olho d'Água das Alcobertas. Continuando o percurso a partir do Olho d'Água, inicia-se uma subida vigorosa em direção a Casais Monizes, ao longo do vale Galego, onde é comum avistar a silhueta do peneireiro-comum ou de-dorso-malhado (Falco tinnunculus).

Na travessia do vale, organizado em socalcos, passam-se sucessivos chousos nos quais é possível observar, ainda, uma agricultura de subsistência com cultura de batatas, favas, abóboras, ervilhas... Atinge-se assim a cumeada da serra dos Candeeiros, onde a cota mais alta atinge os 487 m junto ao cruzeiro e algar do mesmo nome, no meio de um alecrinzal que forma tufos arredondados dispersos por pequenos lapiás.

Num pequeno vale, uma lagoa recentemente recuperada e tradicionalmente utilizada para bebedouro do gado, constitui uma paragem obrigatória para quem ali passa, humanos e animais.

A variação no tipo de solo, ao longo do percurso, constitui um fator determinante do coberto vegetal. Nas zonas serranas, o solo é de origem calcária, nas zonas mais baixas, os solos são mais argilosos. Esta diferença marca algumas características da vegetação natural e também da agricultura. Dada a sua maior aptidão, nos solos arenosos, estão instaladas culturas florestais de eucalipto (Eucalyptus globulus) e pinheiro-bravo (Pinus pinaster); também aqui é possível observar plantas que não toleram o cálcio (mais ou menos disponível no outro tipo de solo) como o cravo-do-monte (Simethis planifolia), uma bolbosa que exibe ramos florais com 4 ou 5 pequenas flores brancas e folhas basais sinuosas, ou a urze-vermelha (Erica australis).

Por outro lado, no maciço calcário chama-se a atenção para as extensas manchas de alecrim (Rosmarinus officinalis), que, pelo efeito do conjunto, domina a paisagem, onde já se vai notando a regeneração natural do azinhal (Quercus rotundifolia), com plantas de porte arbustivo e que, por isso mesmo, se denomina, localmente, de carrasco-branco.

Matos baixos no PR2 (RMR) Pistacia lentiscus Aroeira - CGV
Matos baixos | Aroeira Pistacia lentiscus (® Cristina Girão Vieira).

É ainda interessante verificar na encosta exposta a sul do vale Galego a ocorrência de um denso carrascal, de penetração penosa, resposta natural à ausência de solo e às condições térmicas resultantes da exposição da encosta.

 

Pontos de interesse

 

Cisterna - na ausência de água à superfície, desde a mais remota ocupação humana que as cisternas foram uma forma tradicional de armazenamento de água, hoje parte integrante do património cultural desta região. Podendo assumir diversas formas, naturais ou construídas, neste caso específico, foram colmatadas as fendas naturais na rocha e construída uma cobertura em tijolo, bastante invulgar. A impermeabilização era tradicionalmente feita com uma mistura de azeite e cal.

cisterna Afloramentos no PR2 (RMR)
Cisterna | Afloramentos rochosos.

Afloramentos rochosos - no prolongamento do vale diapírico (ou tifónico) da Fonte da Bica, estes afloramentos parecem ser o preenchimento da caixa de falha associada a este acidente tectónico. Em termos paisagísticos, estes relevos cársicos de cor esbranquiçada emergem do tapete verde que os envolve. Escorrendo para poente, ganham solo arável e, para nascente, transformam-se em imponentes relevos debruçados sobre a povoação das Alcobertas.

Cova da Aroeira - também conhecida por “Poça da Aroeira”, por a água aí “nascer” praticamente todo o ano e existirem aroeiras (Pistacia lentiscus), arbusto frequente na região. A particularidade do local, relativamente à envolvente, resulta da existência de um solo argiloso que, devido à sua fraca permeabilidade, permitiu às populações aproveitar a água existente no solo, através de poços e represas, possibilitando a sobrevivência nesta região.

Azenha - esta que vos convidamos a visitar, mediante contacto prévio com o proprietário, mantém-se em funcionamento nos moldes tradicionais, moendo os cereais que irão dar origem ao saboroso pão que, eventualmente, poderá provar. É uma das muitas azenhas situadas ao longo da ribeira das Alcobertas, uma das nascentes permanentes do maciço calcário.

Anta - capela das Alcobertas (Imóvel de Interesse Público, desde 1957). Monumento megalítico funerário do Neolítico (aproximadamente 4000/3500 a.C.), desconhecendo-se a época da sua cristianização. Em 1536, a ermida é elevada a primeira igreja da freguesia. No séc. XVII/XVIII, dá-se a rotação da igreja para a posição atual, deixando a anta de funcionar como capela e altar-mor e passando a ser uma capela lateral dedicada a Santa Maria Madalena.

Anta Capela - EE Alcobertas - silos de cereais - EE
Anta-capela e silos de cereais de Alcobertas (® Eurico Evangelista).

Silos - na periferia da povoação, cavados num arenito avermelhado no cimo de um cabeço, encontra-se um notável agrupamento de silos. Embora atualmente o grupo esteja reduzido a alguns exemplares em bom estado, calcula-se que seriam à volta de 80 a 100 silos, distribuídos por um eixo de aproximadamente 60 m. Pensa-se que seriam silos de armazenamento de cereais, embora análises feitas a terra retirada do seu interior, não detetassem qualquer tipo de sementes e se desconheça o período a que remontam.

Olho d'Água das Alcobertas - "Olho d'Água" é uma designação utilizada para as nascentes localizadas nos bordos dos maciços calcários, o das Alcobertas constitui uma das várias exsurgências permanentes que ocorrem no Maciço Calcário Estremenho das quais se destacam Almonda, Alviela, bocas de Rio Maior, do rio Alcoa, do rio Liz e de certas nascentes do rio Lena. O seu débito não ultrapassa os 100.000 m3 por dia, constituindo, no entanto, um ponto importante de abastecimento de água nomeadamente para rega, lavagem e bebedouro dos animais. Agradavelmente enquadrada por alguma vegetação ripícola (i.e. da margem dos cursos de água), dispõe de mesas, bancos e grelhadores, que lhe permitirão fazer uma pausa agradável ao longo deste percurso. TENHA SEMPRE MUITO CUIDADO COM O FOGO!

Escarpa no PR2 (RMR) Rochas no PR2 (RMR)
Escarpas.

Escarpas - no início do vale, de nome Galego, sensivelmente paralelo à estrada que liga Alcobertas a Casais Monizes, pode-se apreciar a inclinação das camadas de calcário que se acompanham ao longo de todo o vale. É de notar as diferentes características litológicas das camadas, reconhecíveis pelos diferentes graus de erosão que sofreram, uma vez sujeitos aos mesmos agentes; as lapas, que se observam na parte final do vale, são disso testemunho.

Arquitetura tradicional - Casais Monizes, pequeno povoado com cerca de 340 habitantes, onde a pequena indústria ligada à transformação da pedra, constitui a atividade económica dominante, para além de algumas unidades agropecuárias. A pedra calcária, matéria-prima por excelência nesta região, encontra, neste conjunto arquitetónico, um exemplo curioso do nosso património construído; veja-se a casa com a cisterna anexa e o respetivo sistema de recolha de águas (caleira em pedra).

Algar do Cruzeiro - um dos poucos algares detetados na cumeada dos Candeeiros deve o seu nome ao Cruzeiro que existe nas proximidades, erigido em honra de N. Sra. da Conceição, em 1946. Cavidade com cerca de 2 m de profundidade, sem grande expressão espeleológica, deve a sua importância ao facto de ter constituído, em tempos, um dormitório importante das gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), espécie emblemática desta Área Protegida.

algar Pyrrhocorax pyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho - CGV
Algar do Cruzeiro | Gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira).

Lagoa dos Candeeiros - lagoa natural, tradicionalmente procurada pelo gado e fauna em geral, constitui igualmente um ponto de água importante no apoio ao combate aos incêndios. Recentemente recuperada é um reservatório importante de água das chuvas, na aridez da serra dos Candeeiros.

Pedreira de calcite - a calcite é o segundo mineral mais frequente na composição das rochas e o mais importante na formação dos calcários, pelo que se pode observar, frequentemente, nesta região. Tradicionalmente utilizada como matéria prima na vidragem das cerâmicas, atualmente e face ao avanço de novas tecnologias, tem vindo a ser abandonada a sua utilização.

Moinhos - assinalando pontos notáveis da paisagem serrana, os moinhos de vento, foram noutros tempos, determinantes na moagem dos cereais, essencialmente do trigo. Tradicionalmente associados ao forno para cozedura do pão, enquadravam-se num sistema social em que a retribuição do trabalho ao moleiro era feita com uma parte da farinha que resultava do cereal. Atualmente votados ao abandono, na sua maioria, existem, no entanto, alguns casos de moinhos recuperados para alojamento turístico, nomeadamente no Alto da Serra e em Senta.

Lagoa dos Candeeiros Penas da Andorinha
Lagoa dos Candeeiros | Penas da Andorinha e moinho.

Mapa

PNSAC PR2 RMR Chãos / Alcobertas - mapa