PR4 (PMS) Rota de S. Bento

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR4 (PMS) - Rota de S. Bento, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - planalto de Santo António e serra de S. Bento. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

PR4 (PMS) placa de percurso
Vista parcial de placa de identificação do percurso.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada que liga Amiais de Cima a Porto de Mós, passando por S. Bento e Serro Ventoso.
Ponto de partida: cerca de 800 m para oeste, a partir do café em Cabeço das Pombas.
Ponto de chegada: cruzamento com a estrada de Amiais de Cima / Serro Ventoso, a norte do Casal de Santo António (antiga Azelha).
Extensão: 18 Km.
Duração: 7 h.
Dificuldade: elevada.
Apoios: café e telefone em Cabeço das Pombas.

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - planalto de Santo António e serra de S. Bento.

Breve descrição

Algar da BajançaLapiás no PR4 (PMS)
Algar da Bajanca | Lapiás.

Em pleno coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, o percurso pedestre de São Bento percorre o planalto de Santo António, atravessando no sentido sul/norte a serra de S. Bento. Trata-se de um percurso linear (o ponto de partida e de chegada não são coincidentes) que poderá ser desdobrado em três percursos de diferentes extensões, com ligação à estrada de S. Bento.

É um percurso particularmente rico e interessante do ponto de vista geomorfológico, permitindo a observação de uma grande diversidade de estruturas características do carso típico, como são os campos de lapiás e as dolinas. Outra curiosidade deste traçado prende-se com a possibilidade de observar várias cavidades de desenvolvimento vertical – os algares (termo de origem árabe – gar significa cratera). São vários os que se abrem à e ao visitante ao longo do percurso. Já próximo do vértice geodésico dos Alecrineiros (541 m de altitude), abre-se o algar das Bocas Largas e, finalmente, embutido na dolina de Cós Carvalhos, com perto de 60 m de profundidade, outro se abre com o mesmo nome. São também interessantes as microformas de dissolução bem representadas nos diferentes lapiás do percurso.

Seguindo a rota para norte, por entre matos altos e densos, relevos esbranquiçados pontuam as cumeadas; para nascente o horizonte abre-se de repente e prolonga-se pela bacia terciária do Tejo. Em termos de vegetação, o aproveitamento do solo depositado no fundo das dolinas determinou as alterações na paisagem observáveis ao longo do percurso, quer pela introdução de espécies arbóreas, como o eucalipto e o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), quer pela coexistência de cordões de vegetação espontânea composta por carvalho-cerquinho (Quercus faginea), folhado (Viburnum tinus), aderno (Phillyrea spp.) e aroeira (Pistacia lentiscus), com as culturas agrícolas praticadas nesses locais.

Viburnum tinus Folhado frutos - CGV Pistacia lentiscus Aroeira - CGV
Folhado Viburnum tinus e aroeira Pistacia lentiscus (® Cristina Girão Vieira).

Seguindo o trilho por entre os “chousos” - os muros de pedra solta - principais responsáveis pela compartimentação labiríntica da paisagem, torna-se fácil perdermo-nos no emaranhado de caminhos, se não seguirmos com atenção as marcas vermelhas e amarelas, que nos indicam o caminho a seguir.

Próximo de Covas, afundamo-nos em pequenas depressões de formas mais ou menos circulares, delimitadas por chousos, na sua maioria dolinas, de fundo verde atapetado, donde sobressaem penedos fantásticos, encimados por coroas de heras, mais parecendo cogumelos gigantes - os megalapiás. Depois de passar o casal de Santo António percorremos a parte final do percurso por entre matos e manchas de eucaliptal e carvalhal, que escondem campos de verdadeiras esculturas em pedra produzidas pela natureza.

Pontos de interesse

Montado de sobro - o sobreiro (Quercus suber) é uma árvore autóctone protegida por lei, que ocorre aqui associada a zonas agrícolas de solos com alguma profundidade. É provável que ocupe mesmo locais onde antigamente existiram outros carvalhos (note-se que o sobreiro é também um carvalho - género Quercus). Embora se trate de uma planta calcífuga (i.e. intolerante ao cálcio), entre os calcários encontram-se alguns solos vermelhos que não possuem cálcio assimilável.

Algar da Bajanca e algar do Cofelo - respetivamente com 35 e 50 m de profundidade, estes algares são morfologicamente diferentes, resultarando de diferentes evoluções. O primeiro alberga variadas espécies da fauna com hábitos cavernícolas (i.e. que habitam em cavernas) e rupícolas (de zonas com rochosas), tendo sido em tempos, importante dormitório da gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax. Atualmente, é utilizado como algar escola.

Pyrrhocorax pyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho - CGV Caminho no PR4 (PMS)
Gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira) | Aspeto do percurso.
 

Campos de lapiás - termo utilizado para designar a superfície modelada com formas de carsificação - os lapiás. Estes podem apresentar várias formas e dimensões, sendo que o termo “megalapiás” engloba formas variadas cuja característica comum reside nas suas dimensões superiores ao normal.

Algar das Bocas Largas - os algares são fenómenos resultantes da erosão, típicos dos calcários e semelhantes a poços ou aberturas à superfície que comunicam com cavidades de desenvolvimento vertical, que, neste caso, atinge uma profundidade de 12 m. A aproximação a estas estruturas deverá ser feita com a máxima cautela, sendo de todo desaconselhada a sua visita sem o devido enquadramento técnico.

Lapiás na dolina de Cós Carvalhos - o termo lapiás designa formas resultantes da dissolução que cinzela os blocos de rochas cársicas que afloram ou estão cobertas por uma camada de solo. Os lapiás podem apresentar desde formas simples a complexas. Estas estruturas constituem uma constante do percurso, de onde se evidencia os lapiás dos Cós Carvalhos, embutidos numa dolina de grandes dimensões.

Chousos defensivos - os chousos (muros de pedra solta), principais responsáveis pela compartimentação labiríntica da paisagem, aparecem em determinada altura coroados de lajes apontadas para o exterior, o que, de acordo com testemunhos antigos, constituía uma forma de defesa contra os ataques dos lobos.

Chouso no PR4 (PMS) PR4 (PMS) Megalapiás
Chousos | Megalapiás. 

Covas (megalapiás) - próximo da povoação de Covas, o percurso afunda-se em pequenas depressões de forma mais ou menos circular, na sua maioria dolinas, delimitadas por muros de pedra, com o solo coberto por um prado verde donde sobressaem penedos fantásticos, os megalapiás, encimados por vezes com coroas de hera.

Arquitetura tradicional (Azelha) - o Casal de Santo António, antigamente conhecido pelo nome de Azelha, constitui o último núcleo habitacional desta rota onde é possível encontrar alguns exemplares curiosos da arquitetura tradicional em pedra (casas, eiras e cisternas).

Mapa

 PNSAC - lapa dos Pocilgões mapa