PR4 (RMR) de Chãos à Gruta

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR4 (RMR) - de Chãos à Gruta, no concelho de Rio Maior. Enquadramento - a sul da serra dos Candeeiros, na vertente nascente. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Centro Tecelagem Artesanal - Chãos Visitantes
Centro de Tecelagem Artesanal | Visitantes fazendo o percurso.

Acesso: estrada municipal Rio Maior - Fonte da Bica - Teira - Chãos - Alcobertas - Casais Monizes (segue para Arrimal, etc, em direção a Porto de Mós).
Ponto de partida e chegada: Centro Cultural de Chãos.
Extensão: 4,5 km.
Duração: 1 h:30 min (3 h com visita à gruta).
Dificuldade: média.
Apoios: Centro Cultural de Chãos (wc, bar, restaurante e alojamento); parque de merendas e Centro de Artes e Ofícios (pode assistir à criação de peças de tecelagem em tear tradicional e adquirir uma lembrança).

Breve descrição  
Pontos de interesse  
Mapa

Enquadramento - a sul da serra dos Candeeiros, na vertente nascente.   
Nota: os números apresentados no texto estão marcados no mapa do percurso.

Breve descrição

Com início no Centro Cultural de Chãos (1), seguimos pela estrada principal que atravessa a aldeia, ao longo da qual podemos observar a prática da agricultura tradicional.

Deixando para trás a povoação e iniciando a subida, (2) constatamos práticas agrícolas diferentes, dadas as características de uma maior ausência da terra felgar.

Aqui, predomina o olival e as paredes de pedra seca, resultantes da despedrega dos escassos solos. Passos à frente, deparamo-nos com uma antiga pedreira, agora recuperada (3). Iniciamos a subida aos ziguezagues pelo carreiro da gruta e, à medida que vamos subindo, é possível observar e identificar, graças às placas existentes ao longo da subida (entre 3 e 4), algumas plantas autóctones da serra dos Candeeiros.

Gruta de Alcobertas

Chegando à gruta (4), é altura de tomar fôlego e espraiar a vista pelos longos horizontes que se estendem até à bacia terciária do Tejo e à serra de Montejunto ou ficarmo-nos por um bonito enquadramento das aldeias de Chãos, Casais Monizes e Alcobertas.

Repostas as energias, segue-se a visita à gruta de Alcobertas, sempre acompanhados(as) por um Guia.

Continuamos a subida pelo caminho aberto nos anos 70 (aquando da tentativa de abrir a gruta ao público) e, uma vez na cumeada da serra dos Candeeiros, retomamos um caminho tradicional (5), por onde passavam os carros de bois com as carradas de mato para a cama dos animais. Aqui, a paisagem é predominantemente composta por matos baixos, onde se podem observar comunidades vegetais raras e únicas, de elevado índice de diversidade, com a presença de vários endemismos lusitanos, ibéricos e ibero-norte africanos. Algumas populações de espécies com características paleoclimáticas raras têm um especial interesse em termos de conservação da natureza e estiveram na base da proposta de habitat prioritário no Sítio Serras de Aire e Candeeiros [PDF 200 KB] da Rede Natura 2000.

As plantas desempenham não só importantes funções nos ecossistemas mas possuem, também, elevado valor económico e científico, pelas qualidades medicinais, aromáticas, condimentares, ornamentais, forrageiras (ie. como alimento para o gado) e florestais.

Ao longo do percurso podemos observar, associadas aos diferentes biótopos, várias espécies de avifauna (i.e. de aves), tais como o búteo ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o peneireiro-comum (Falco tinnunculus), a gralha-de-bico vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), a gralha-preta (Corvus corone) e a perdiz–vermelha (Alectoris rufa).

Chegamos à lagoa dos Candeeiros (6), importante ponto de água permanente, recuperado pelo Parque Natural, em 1995. A partir deste ponto dominante pode-se alongar o olhar sobre a Benedita e, mais distante, a costa atlântica entre Peniche e Nazaré. Em dias de boa visibilidade, pode-se avistar o arquipélago das Berlengas.

Lagoa dos Candeeiros Phyrrhocorax phyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho 3 - CGV
Lagoa dos Candeeiros | Gralha-de-bico vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira).

Regressando a Chãos, tomamos o carreiro do Vale da Lagoa, onde se vislumbra a aldeia (7). Ao longo da descida, acompanham-nos imponentes penedos dolomíticos (lapiás) (8). Bordejamos a aldeia pela direita e logo nos deparamos com um conjunto de casas, eiras e cisternas recuperadas (9). Trata-se de um conjunto de valores do património construído onde é visível o trabalho desenvolvido pela Cooperativa Terra Chã e pelo Rancho Folclórico de Chãos. No lajeado, pode-se observar um exemplar duma pegada de dinossauro que chegou aqui através do transporte de pedras para a recuperação dos muros tradicionais do conjunto.

Chegados ao fim (10), é altura de nos deliciarmos com a gastronomia local no restaurante “Terra Chã”.

Pontos de interesse

Chãos - um traço humano na paisagem. Na área aparentemente homogénea do maciço calcário existe uma diversidade paisagística intimamente relacionada com os recursos de cada microregião. À diversidade dos recursos disponíveis correspondem características socioeconómicas e culturais distintas, de tal forma que esta diferença está na origem da identidade sociocultural das aldeias.

Enquanto as aldeias situadas nas bases da encostas e depressões, com terrenos férteis apresentavam diversas culturas (sistema policultural), nos escassos e depauperados terrenos da serra, a utilização agrícola apenas era possível depois do arroteio e despedrega.

Chãos é um núcleo rural situado na encosta sul da serra de Candeeiros, que apresenta casas de um piso e pequenas parcelas de terreno delimitadas por paredes de pedra seca (tapadas, cerrados ou chousos); terrenos destinados a policultura onde, pontualmente, surgem bolsas de solo mais profundo (felgar), evidenciando, assim, uma agricultura de minifúndio. As encostas encontram-se frequentemente sustidas por presas de pedra solta e plantadas com olival.

Cisterna Chãos - eira
Cisterna | Eira.

A natureza calcária da região exigiu adaptações e transformações no sentido de superar a escassez de água. A necessidade de reter e conservar a água explica a construção de cisternas, impermeabilizadas com argamassas tradicionais e protegidas por uma cobertura em laje ou abóbada (importantes exemplares do património construído), abastecidas por um sistema de caleiras destinadas ao aproveitamento das águas da chuva, recolhidas a partir dos telhados das habitações. A forma e os materiais de construção das cisternas, das eiras e das pias estão relacionados com o aproveitamento agrícola e o tipo de calcário de cada zona.

Mapa

PNASC PR4 RMR de Chãos à Gruta - mapa