PR6 (PMS) Fórnea

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR6 (PMS) - Fórnea, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - planalto de Sto. António, abrangendo 3 formas geomorfológicas notáveis, a depressão de Alvados, o Castelejo e a Fórnea.

Fórnea - CGV
A fórnea vista de frente (® Cristina Girão Vieira).

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada que liga Porto de Mós a Alvados.
Ponto de partida e chegada: junto ao Café da Bica (Alcaria).
Extensão: 2 Km.
Duração: 1 h.
Dificuldade: média.
Apoios: café em Alcaria.
 

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - panalto de Santo António, abrangendo três formas geomorfológicas notáveis, a depressão de Alvados, o Castelejo e a Fórnea.

Breve descrição

O Maciço Calcário, cuja formação se iniciou há cerca de 200 milhões de anos, é essencialmente constituído por rochas carbonatadas de origem marinha. De facto, no decorrer do período Jurássico, verificou-se uma importante transgressão em que o oceano em movimento, invadiu os terrenos então emersos, originando os depósitos espessos que hoje constituem o Maciço Calcário.

O percurso proposto às e aos visitantes desenvolve-se em terrenos que abrangem formações do Jurássico Médio e Inferior, permitindo a observação de alguns tipos de rochas constitutivas do subsolo da região e uma estrutura geológica única no país, uma das melhores conservadas da Europa, a Fórnea.

Ao longo do percurso, é possível observar diferenças significativas na vegetação, fundamentalmente relacionadas com alterações microclimáticas e da natureza do solo. Em toda a costa predominam matos baixos, compostos maioritariamente pela roselha (Cistus albidus), alecrim (Rosmarinus officinalis) e, de quando em quando, um ou outro pilriteiro (Crataegus monogyna). Bem lá ao fundo, nas margens do leito sazonal do ribeiro da Fórnea, algumas figueiras (Ficus carica) atingem grandes dimensões, tal como grandes pilriteiros, loureiros (Laurus nobilis) e medronheiros (Arbutus unedo). É também aí que se encontram dois exemplares preciosos de uma árvore já rara em Portugal: a zelha (Acer monspessulanus), espécie de folhagem verde-amarelado, caduca, característica da vegetação mediterrânica.

Cistus albidus Roselha - CGV Crataegus monogyna Pilriteiro flor - CGV
Roselha Cistus albidus e pilriteiro Crataegus monogyna (® Cristina Girão Vieira). 

Nos terrenos agrícolas com olival ocorre, com certa abundância, uma planta aromática e condimentar de uso tradicional na cozinha alentejana, o poejo (Mentha pulegium), planta rasteira com pequenas folhas de um verde claro e inflorescências azuis.

Pelas suas características ecológicas, a Fórnea, possibilita a existência de uma grande variedade de biótopos permitindo a ocorrência de diversas espécies faunísticas (i.e. de animais).

Entre os répteis destaca-se a cobra-de-escada (Elaphe scalaris), a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), o sardão (Lacerta lepida) e a lagartixa-do-mato (Psammodromus algirus). Nas aves podemos observar o peneireiro-comum ou de-dorso-malhado (Falco tinnunculus), a águia-cobreira (Circaetus gallicus), o búteo ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o cartaxo (Saxicola torquata), o tentilhão-comum (Fringilla coelebs), a toutinegra-real (Sylvia hortensis), o verdilhão-comum (Carduelis chloris), o chamariz ou milheiriça (Serinus serinus), a perdiz (Alectoris rufa), a rola e a escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus). No grupo dos mamíferos poderão ocorrer a raposa (Vulpes vulpes), a doninha (Mustela nivalis), o texugo (Meles meles) e o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus).

Narcissus spp Narciso Falco tinnunculus Peneireiro-comum - CGV
Narciso Narcissus spp. | Peneireiro-comum Falco tinnunculus (® Cristina Girão Vieira).

Pontos de interesse

 

Cascata da Fórnea - OM Fórnea
Fórnea no inverno com cascata | Visitante junto à ribeira da fórnea (® Ana Alves).

Ribeiro da Fórnea - ribeiro temporário alimentado pelas exsurgências da vertente da fórnea, com um caudal de água considerável durante o inverno e completamente seco nos meses de verão.

Conglomerados - no leito do ribeiro da Fórnea observam-se grandes blocos calcários de cor esbranquiçada com uma estrutura peculiar. Trata-se de um tipo particular de rochas sedimentares, os conglomerados, constituídos por fragmentos de rocha ou clastos, mais ou menos arredondados e ligados entre si por um cimento carbonatado. O arredondamento dos clastos é sinal de transporte geralmente longo. Nalguns blocos, calcários orgânicos, também denominados recifais, observa-se a acumulação de estruturas pouco nítidas de restos de animais marinhos.

Cascata / cascalheiras - os depósitos de crioclastos e escombreiras de gravidade são comuns em toda a Fórnea, mas particularmente espetaculares na vertentes SO e NO. São contemporâneos de um clima frio marcados pela atuação do gelo aqui presente durante os períodos frios do quaternário.

Fórnea - magnífica estrutura em anfiteatro com cerca de 500 m de diâmetro e 250 m de altura, corresponde à cabeceira encaixada do ribeiro da Fórnea escavado em calcários margosos e margas do Jurássico Inferior a que se sobrepõe os calcários do Jurássico Médio.

Cova da Velha - nas vertentes da Fórnea, situam-se várias exsurgências temporárias de caudal diminuto. A mais importante brota de uma cavidade penetrável, a Cova da Velha. Esta nascente vai alimentar o ribeiro da Fórnea, afluente do rio Alcaide e subafluente do rio Lena. O acesso a esta cavidade apresenta alguma dificuldade devido ao piso instável, pelo que se aconselha cuidado acrescido.

 

Mapa

 PNSAC - PR6 PMS Fórnea - mapa