PR8 (PMS) Serra Galega

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR8 (PMS) - Serra Galega, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - planalto de São Mamede. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada de Porto de Mós a Alqueidão da Serra.
Ponto de partida e chegada: parque de merendas da Valicova.
Extensão: 10 km.
Duração: 6 h.
Dificuldade: média.
Apoios: café/mercearia em Casais dos Vales.

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - planalto de São Mamede.

Breve descrição

Na estrada que liga Porto de Mós a Alqueidão da Serra, volta-se à direita na direção do vale, para o início do percurso, numa zona conhecida por Valicova. Percorre-se o vale por entre a vegetação composta por carvalhos (Quercus spp.), pilriteiros (Crataegus monogyna), aderno e medronheiro (Arbustus unedo) e, voltando à esquerda, sobe-se alguns degraus para chegar às lapas, a meia encosta. Retomando o vale por entre um trilho, à direita surge uma nascente - os Olhos d'Água da Valicova.

Continuando pelo vale, subimos em direção à estrada donde é possível avistar, para a esquerda, sobre o Vale da Valicova, as imponentes escarpas que marcam o enrugado relevo, conhecidas por Penas. Cerca de 500 m à frente, há a possibilidade de escolher entre dois troços distintos:

  • pelo vale - Variante A; ou
  • 50 m mais à frente pela Variante B – que conduz até à povoação dos Vales, bastante interessante do ponto de vista arquitetónico, apesar de praticamente abandonada.

 

As duas alternativas confluem no mesmo ponto, junto a uma pecuária, seguindo depois pelo vale no sentido sul, por entre olival e “chousos” (muros de pedra solta) abandonados, até chegar à estrada de terra batida.

Seguindo pela estrada cerca de 2 km, inicia-se a subida para a serra Galega, mas antes há que fazer uma paragem para observar a imponente Costa de Alvados e a Fórnea que se avistam para poente. Bem no cimo da serra Galega, os tomilhais (Thymus spp.), em pequenos tufos, cobrem praticamente todo o cabeço.

O regresso faz-se em direção às Cortinas e, antes de voltar ao ponto de partida, a última paragem remete-nos para um poço construído em pedra desde tempos imemoriais, com cerca de 4 m de profundidade, que conserva a água todo o ano, criando, com a envolvente do carvalhal, um espaço muito agradável.

Duas características marcantes diferenciam a vegetação ao longo deste percurso:

  • a exuberância dos bosques de carvalhos, nos vales e na base das encostas; e
  • a exiguidade dos matagais existentes nas zonas mais elevadas.

 

Os bosques de carvalho, constituídos por árvores de carvalho-português (Quercus faginea subsp. broteroi), apresentam aqui bom estado de conservação. Para além desta, outras espécies estão presentes, frequentemente arbustos com porte arbóreo, tais como a aroeira (Pistacia lentiscus), aderno, medronheiro (Arbutus unedo) e folhado (Viburnum tinus). O sub-bosque dos carvalhais pode ser pobre em plantas, mas, entre as gramíneas que conseguem suportar a ausência de luz, aparece uma orquídea de flor branca característica destes locais, que floresce de abril a julho.

Arbutus unedo Medronheiro frutos - CGV Viburnum tinus Folhado frutos - CGV
Medronheiro Arbutus unedo e folhado Viburnum tinus (® Cristina Girão Vieira).

Nas zonas mais elevadas, por exemplo, junto ao marco geodésico da Pragosa, em alternância com afloramentos rochosos, desenvolve-se uma vegetação dominada por dois pequenos arbustos aromáticos: um tomilho, conhecido localmente pelo nome de pimenteira; e um pólio, este de dimensões mais reduzidas. O aroma agradável que se experimenta ao caminhar por estes sítios é da responsabilidade destas plantas. Outras espécies, em conjunto com a pimenteira e o pólio – musgos, gramíneas, fetos, narcisos e orquídeas – asseguram uma cobertura completa do solo salvando-o da erosão e permitindo a evolução da vegetação para comunidades mais complexas.

Nestes espaços podem ser avistados alguns répteis, como o sardão (Lacerta lepida), a cobra-de-pernas-tridáctila (Chalcides striatus) ou a víbora-cornuda (Vipera latastei), mamíferos, como o rato-toupeiro e o texugo (Meles meles), e observar algumas espécies de aves, como a águia-cobreira (Circaetus gallicus), a laverca (Alauda arvensis), a petinha-dos-campos (Anthus campestris), a petinha-dos-prados (Anthus pratensis) e a carriça-do-mato. Pelos vales e montes, ao longo do percurso, onde dominam os bosques e os matos, poderemos encontrar várias situações que proporcionam habitat a diversas espécies da nossa fauna.

Hippolais polyglotta Felosa-poliglota Meles meles Texugo
Felosa-poliglota Hippolais polyglotta | Texugo Meles meles.
 

Nas escarpas são comuns o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros), o peneireiro-comum (Falco tinnunculus) ou a andorinha-dáurica (Cecropis daurica), enquanto no interior dos bosques de carvalhos poderão ser observados o gavião (Accipiter nisus), o chapim-real (Parus major), o chapim-azul (Parus caeruleus), a trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), a felosa-poliglota (Hippolais polyglotta) e o gaio (Garrulus glandarius).

Pontos de interesse

Lapas na serra Galega Penas da Valicova
Lapa | Penas da Valicova.

Lapas - reentrâncias naturais de desenvolvimento horizontal, com aberturas e profundidades variáveis que se encontram obstruídas por sedimentos argilosos.

Olhos d'Água da Valicova - exsurgência ocasional, local onde as águas, que se infiltraram no bloco calcário, vêm à superfície, voltando a entrar na circulação superficial.

Penas da Valicova - esta designação faz referência à verticalidade apresentada pela escarpa, talhada a pique nas bancadas jurássicas. Repare-se nas diacláses que facilitam a desagregação.

Casais dos Vales - povoação serrana, praticamente abandonada, de características arquitetónicas interessantes.

Casais dos Vales Vista panorâmica no PR8 (PMS)
Casais dos Vales | Vista panorâmica sobre a Fórnea.

Panorâmica sobre a Fórnea e a Costa de Alvados - a paisagem imponente que se avista da encosta da serra Galega permite observar a vigorosa escarpa de falha da Costa de Alvados e a Fórnea - uma magnífica estrutura em forma de anfiteatro com cerca de 500 m de diâmetro e 250 m de altura.

Tomilhal - nos matos baixos de altitude, junto do marco geodésico da Pragosa, 423 m de altitude, na serra Galega, dominam os arbustos aromáticos, como o tomilho ou pimenteira e o pólio. O odor intenso que se experimenta nestas paragens, sobretudo no verão, deve-se à presença destas plantas que libertam aromas, o que evita a perda de água.

Poço - de regresso, em direção a Cortinas, encontra-se um poço de pedra de tempos imemoráveis, com cerca de 4 m de profundidade, que conserva água ao longo de todo o ano.

Mapa 

PNSAC PR8 PMS - serra Galega mapa