PR9 (PMS) Estrada Romana

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Percurso pedestre de Pequena Rota PR9 (PMS) - Estrada Romana, no concelho de Porto de Mós. Enquadramento - planalto de São Mamede, por entre “Cabeços” e “Covões”. Breve descrição. Pontos de interesse. Mapa.

Estrada Romana
Estrada romana do Alqueidão da Serra.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Acesso: estrada municipal de Porto de Mós a Alqueidão da Serra.
Ponto de partida e chegada: estrada romana de Alqueidão da Serra (parque de merendas).
Extensão: 9 km.
Duração: 5 h.
Dificuldade: média.
Apoios: Pólo de Animação da Estrada Romana, parque de merendas, café e restaurante (Alqueidão da Serra).
 

Breve descrição
Pontos de interesse
Mapa

Enquadramento - planalto de São Mamede, por entre “Cabeços” e “Covões”.

Breve descrição

A nascente da vila de Porto de Mós, em pleno planalto de S. Mamede, também conhecido por planalto de Fátima, por entre “cabeços” e “covões”, desenvolve-se o percurso pedestre da estrada romana. Classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 29/90, de 17 de julho, a estrada romana do Alqueidão da Serra, constitui um dos valores mais notáveis do património cultural desta região.

O percurso inicia-se pela estrada romana numa extensão aproximada de 500 m, pelo meio do alecrinzal, salpicado de orquídeas, como o satirião-macho (Orchis mascula), até descer à estrada alcatroada, onde a atividade extrativa marca presença (britadeira), a par da agricultura de subsistência. Abandonando a estrada por entre cabeços de rocha árida e nua e vales férteis, os “covões’”, segundo a toponímia local, os muros de pedra solta - chousos - compartimentam a paisagem humanizada com as culturas agrícolas de sequeiro.

Orchis mascula Satirião-macho - CGV Rosmarinus officinalis Alecrim - CGV
Satirião-macho Orchis mascula e alecrim (® Cristina Girão Vieira).

Infletindo para um caminho de terra batida, à direita, sobe-se o vale delimitado pelos “Cabeços” do Sol e da Costa, formas arredondadas de cor esbranquiçada e textura rugosa que se recortam no céu. Ausentes de vegetação, devorada pelo fogo em 1995, mostram agora a sua nudez, visível nas bancadas de rocha calcária, modeladas pelos agentes erosivos, nomeadamente a água.

Contornando o Cabeço da Costa para nascente, deparamo-nos, à nossa esquerda, com um espaço aberto que se estende pelo vale fértil, delimitado por uma cortina arbórea - o Covão da Nicha. Por entre cabeços e covões, este percurso leva-nos a visitar situações variadas, nomeadamente, zonas de matos rasteiros de altitude, intercalados com campos agrícolas e bosquetes de carvalhos e pinheiros proporcionam a observação de uma fauna bastante diversificada.

Nos matos predomina o rouxinol-comum (Luscinia megarhynchos), que se pode ouvir cantar nas noites primaveris, a felosa-poliglota (Hippolais polyglotta), o cartaxo-comum (Saxicola torquata) e a toutinegra-de-cabeça-preta (Sylvia melanocephala). Poderão ainda ser observados vestígios de doninhas (Mustela nivalis) e genetas (Genetta genetta). Nos campos ainda agricultados, para além do sapo-comum (Bufo bufo), do sardão (Lacerta lepida) e da cobra-de-escada (Elaphe scalaris), poderão ser vistos o verdilhão-comum (Carduelis chloris), a rola, o chamariz ou milheirinha (Serinus serinus), a escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e, no final do dia, o pequeno mocho-galego (Athene noctua).

Hippolais polyglotta Felosa-poliglota Saxicola torquata Cartaxo macho - CGV
Felosa-poliglota Hippolais polyglotta |  Macho de cartaxo-comum Saxicola torquata (® Cristina Girão Vieira).
 

Numa região onde a água escasseia à superfície, qualquer ponto de água, por mais insignificante que pareça aos olhos do(a) visitante, assume, neste reino da pedra, uma grande importância; junto à pequena lagoa, podem-se observar espécies pouco comuns nestas paragens e em todo o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, tais como o sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes spp.), a salamandra-comum ou de pintas-amarelas (Salamandra salamandra) e a cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) que aqui encontram o seu habitat.

Nos matos de altitude, onde predomina o alecrim (Rosmarinus officinalis), pode-se encontrar a laverca (Alauda arvensis), a petinha-dos-campos (Anthus campestris), a carriça-do-mato, o pintarrôxo (Carduelis cannabina) e ainda observar o voo de rapinas como a águia-cobreira (Circaetus gallicus) e o peneireiro-comum (Falco tinnunculus). Por último, nos bosquetes de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) são comuns o chapim-real (Parus major) e o chapim-azul (Parus caeruleus), a trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), o gaio (Garrulus glandarius), o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) e um gavião (Accipiter nisus) em voo.

De regresso ao ponto de partida e deixando para trás a povoação de Covão de Oles, toma-se o vale cavado, à esquerda da estrada alcatroada, onde algumas lapas de dimensões razoáveis serviram em tempos para abrigo dos pastores. Subindo depois à direita, atravessa-se a estrada e segue-se por um carreiro que serpenteia a meia encosta, passando pelo interior de um olival abandonado.

Pontos de interesse

Estrada romana do Alqueidão da Serra - "alqueidão" é uma palavra de origem árabe que significa "caminho, travessia". Freguesia criada em 1615, com o nome Alqueidão das Contas, por influência dos monges de Cister que, em 1734, aqui terão construído uma granja. O aglomerado urbano desenvolveu-se ao longo da estrada romana que fazia a ligação entre a Nazaré e Tomar e que terá servido, principalmente, à exploração do minério de ferro pelos romanos.

Estrada Romana do Alqueidão da Serra Covão de Oles
Estrada romana do Alqueidão da Serra | Covão de Oles.

Britadeira - terminado o troço da estrada romana, chega-se à estrada onde nos depararmos com uma pedreira de calcário para brita. A pedreira em laboração produz brita, utilizada na construção civil, nomeadamente em estradas, auto-estradas e edifícios. Apesar da exploração de inertes ter impactes negativos no ambiente é uma atividade fundamental para o desenvolvimento do país, assim, desde que as explorações cumpram as condições de licenciamento, em particular as que se referem à minimização de impactes ambientais, a atividade extrativa é autorizada.

Lagoa de Chão Nogueira - uma pequena dolina, cujo diâmetro não deve ultrapassar os 6 m, esta lagoa não pode passar despercebida, dada a importância estratégica que a água tem nestas paragens.

Covão de Oles - povoação rural, com pouco mais de 60 habitantes e uma população ativa predominantemente afeta ao setor secundário. Possui alguns exemplares curiosos da construção tradicional em pedra que vale a pena visitar. Antes de chegar à povoação, do lado esquerdo olhando para norte, um aglomerado de casas encavalitadas no vale – os Casais dos Vales - têm como pano de fundo o moinho alvo do Cabeço da Vaca.

Mapa

 
PNSAC PR9 PMS Estrada Romana - mapa